Camilo estuda duas propostas de reestruturação do Governo

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

A maior votação já recebida por um candidato a governador (provavelmente na História do Brasil desde 1982) não vem sendo tratada por Camilo Santana (PT) como o passaporte para manter as coisas como estão ou como foram na primeira gestão. O governador e seu núcleo duro sabem muito bem que a leitura a partir das urnas reconhece sim o trabalho realizado, mas sabe também que, em boa parte, a política explica o resultado acachapante. Porém, como se sabe, a política é dinâmica e muda com imensa velocidade.

Focus.jor apurou que o Governo fervilha em estudos de mudanças na estrutura do Governo. Tais mudanças vêm sendo elaboradas a partir de duas fontes distintas. Uma delas é a Secretaria de Planejamento, comandada pelo engenheiro com larga experiência na gestão pública, Francisco Maia Jr. A outra é o Ceará 2050, um grupo governamental organizado para dar à luz a um conceito de planejamento de longo prazo.

É evidente que a hecatombe nacional das urnas impôs e apressou mudanças na máquina. A imagem da imensa mesa (veja foto acima) que caracteriza as reuniões do governador com o secretariado passa a ideia de ineficiência e de nulidades que, em boa parte, só estão ali para atender à demandas políticas que em nada dizem respeito às necessidades prementes do cidadão e do desenvolvimento do Estado.

Quem conhece o modo de Maia Jr de pensar a gestão sabe que a raiz da sua cabeça é radical. Maia costuma agir da seguinte forma: apresenta ao chefe uma proposta que considera ideal do ponto de vista da gestão. Porém, sua experiência sabe que a força da política quase sempre se impõe e acaba restringindo o ideal. No entanto, há um espírito do tempo, que refletiu nas urnas de âmbito nacional, que pode ajudar o governador a querer enfrentar os modelos velhacos de construir a gestão pública.

A outra estrutura da qual emanam projetos de reestruturação está sob o comando do ex-deputado estadual Eudoro Santana, pai e maior referência política do governador. Pelo que o Focus apurou, há em gestação uma proposta radical e inteligente, mas que, em paralelo, contempla estruturas para atender às demandas políticas e politiqueiras de um governante que se elegeu atraindo a oposição para seu palanque e juntando mais de duas dezenas de partidos em seu apoio.

O fato é o seguinte: escolhas terão de ser feitas. Há uma expectativa de que, na segunda gestão, Camilo seja mais Camilo (ainda precisamos descobrir realmente quem é Camilo) e menos dominado pelas necessidades políticas, que se articulam sempre com grande voracidade para se manter apegadas às tetas estatais, que são mirradas.

A propósito, vale assistir o pensamento do futuro ministro da economia, que rompe com discursos economicistas para tratar as questões no âmbito da sociologia política embasada em teoria econômica.

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