Colômbia: Processo de paz exige participação de todos – Papa Francisco

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Missa na zona portuária de Cartagena encerra programa da viagem pontifícia

Cartagena, Colômbia, 10 set 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje na Colômbia que o processo de paz no país exige a participação de todos, promovendo o perdão e a reconciliação.

“Aprendemos que estes caminhos de pacificação, de primazia da razão sobre a vingança, de delicada harmonia entre a política e o direito, não podem prescindir das pessoas implicadas nos processos”, frisou o pontífice.

Francisco convidou todos a rezar “pelo resgate daqueles que erraram e não pela sua destruição, pela justiça e não pela vingança, pela reparação na verdade e não no seu esquecimento”.

Neste contexto, o Papa propôs um “encontro reparador” entre todas as partes, após 52 anos de guerra civil.

“As feridas profundas da história precisam necessariamente de instâncias onde se faça justiça, se dê possibilidade às vítimas de conhecer a verdade, seja devidamente reparado o dano e se atue claramente para evitar que se repitam tais crimes. Mas tudo isto deixa-nos apenas no limiar das exigências cristãs”, observou.

O Papa defendeu uma “mudança cultural” que abra caminho à defesa da vida e à promoção do encontro entre as pessoas.

“Não basta o desenho de quadros normativos e acordos institucionais entre grupos políticos ou económicos de boa vontade. Jesus encontra a solução para o dano causado no encontro pessoal entre as partes”, declarou.

Francisco chegou à zona de contentores do porto de Cartagena após ter deixado a sede da Arquidiocese, onde se encontrou com cerca de 300 doentes que seguem a transmissão da Missa na antiga catedral.

Já na Base Naval da cidade, cumpriu um pequeno percurso de helicóptero, durante o qual abençoou a imagem de “Nossa Senhora da Baía”, tendo sido acolhido no chamado ‘Contecar’ por trabalhadores do porto.

O Papa sublinhou que, há 32 anos, Cartagena das Índias é também a sede dos Direitos Humanos na Colômbia, evocando o trabalho do grupo missionário formado pelos sacerdotes jesuítas Pedro Claver e Alonso de Sandoval e o irmão Nicolás González, no século XVII, para ajudar “os oprimidos de então, especialmente os escravos”.

A intervenção citou uma passagem do discurso à ONU, em 2015, para defender a “sacralidade de cada vida humana, de cada homem e de cada mulher; dos pobres, dos idosos, das crianças, dos doentes, dos que não nasceram, dos desempregados, dos abandonados”.

No final da 20ª viagem internacional do pontificado, Francisco recordou os testemunhos que ouviu, ao longo dos últimos dias, de “pessoas que saíram ao encontro de quem lhes fizera mal”.

“Feridas terríveis que pude contemplar nos seus próprios corpos, perdas irreparáveis pelas quais se continua a chorar, e contudo aquelas pessoas saíram, deram o primeiro passo num caminho diferente daqueles já percorridos”, realçou.

No final da Missa, o Papa segue em helicóptero para o aeroporto “Rafael Núñez” de Cartagena, iniciando o seu regresso a Roma, onde tem chegada prevista para as 12h40 (menos uma em Lisboa) de segunda-feira.

OC

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