Comandante-geral do Corpo de Bombeiros do RJ pede exoneração, diz governo

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O Palácio Guanabara informou que o comandante-geral do Corpo de Bombeiros e secretário de Estado de Defesa Civil, coronel Ronaldo Alcântara, pediu exoneração do cargo após a deflagração da Operação Ingenium (engenharia, em latim), que prendeu nesta segunda-feira (12) mais de três dezenas de militares suspeitos de envolvimento em esquema de corrupção na corporação.

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança, foram cumpridos 34 mandados de prisão contra 32 bombeiros e dois empresários. Quatro pessoas eram consideradas foragidas da Justiça. Três são bombeiros e um é empresário. Também durante a operação foram apreendidos R$ 300 mil.

No fim da noite desta terça, a Defesa Civil confirmou o pedido de afastamento do cargo informando que a solicitação foi feita diretamente ao governador Luiz Fernando Pezão. Assumirá a corporação no lugar do coronel Ronaldo Alcântara o também coronel Roberto Robadey. Veja a íntegra da nota abaixo.

“O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Ronaldo Alcântara, pediu afastamento do cargo, na tarde desta terça-feira (12.09), ao governador Luiz Fernando Pezão. O atual subcomandante-geral e chefe do Estado-Maior Geral, coronel Roberto Robadey, responderá pelo comando da corporação, bem como pela secretaria de Estado de Defesa Civil, por determinação do governador.”

Operação Ingenium

A Corregedoria Geral Unificada da Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prenderam, até às 9h50 desta terça, 34 pessoas, numa operação que visava cumprir mandados de prisão contra 38 pessoas, das quais 35 são bombeiros suspeitos de receber propina para conceder licenças a estabelecimentos comerciais.

Durante as investigações, foram interceptadas conversas telefônicas sobre um esquema de corrupção para expedir alvarás mediante o pagamento de propina aos militares. Os comandantes de alguns batalhões estão entre os citados na operação.

Operação prende 34 bombeiros por suspeita de corrupção, em vários quartéis do Rio

Operação prende 34 bombeiros por suspeita de corrupção, em vários quartéis do Rio

De acordo com a polícia, os suspeitos se aproveitavam da condição de bombeiro militar para fiscalizar os estabelecimentos no intuito de notificar os responsáveis e, desta forma, provocar um acordo para negociar valores ilícitos.

Em seguida, emitiam um laudo de exigências contendo todos os requisitos de segurança contra incêndio e pânico, porém, mesmo sem o cumprimento destas normas, após o pagamento de propina, os criminosos expediam o documento que atestava o cumprimento de todas as exigências.

As investigações comprovaram que locais de diversões que reuniram grande público, inclusive um estádio de futebol, receberam as documentações sem cumprimento das exigências de segurança para proteção da vida das pessoas e do patrimônio, caso houvesse incêndio.

Entre os 35 bombeiros denunciados estão dez coronéis, sendo dois da ativa e oito da reserva, oito tenentes coronéis, dois majores, oito capitães, um primeiro tenente, um subtenente, três segundos sargentos, um terceiro sargento e um cabo bombeiro.

Também estão sendo cumpridos 67 mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos e na Diretoria de Serviços Técnicos e nos gabinetes e armários de denunciados.

G1

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