Dani Calabresa conta como se mantém criança aos 36 anos: “Vejo genuinamente graça nas coisas”

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Dani Calabresa Capa (Foto:  )
 (Foto:  )

“Peraltices de montão, doces, Disney, sereias, Katy Perry, brinquedos” é a descrição do perfil de Dani Calabresa no Instagram. Poderia ser a de uma menina de 10 anos de idade, mas pertence à humorista de 36, atualmente dividida entre o Dança dos Famosos, as gravações do Zorra e a vontade de ir para Walt Disney World, em Orlando, todo fim de semana.

Dani foi escolhida para ser capa de QUEM nesse dia 12 de outubro, Dia das Crianças, por manter seu espírito jovem sempre evidente na vida pessoal e no trabalho. “Sou uma criança de 36 anos, mas respondo igual adulto”, conta ela, brincando de justificar nossa escolha para cover star. “Sou mais criança que a Larissa Manoela, que namora, tem a vida nos trilhos. A gente é amiga porque ela ama a Disney. A gente podia estar na mesma classe, mas ela tem vinte anos a menos que eu”.

Dani posou para um ensaio com looks que brincam com o visual da década de 1980, na qual nasceu (é de 1981), e ainda divide cliques com uma convidada especial, diretamente dos anos 1990: Priscila, a icônica sheepdog estrela da TV Colosso, programa exibido pela TV Globo entre 1993 e 1997. As duas devoraram marshmallows, patinaram, e Dani ainda se divertiu em uma gigantesca piscina de bolinhas. “É o melhor ensaio da minha vida!”, diz. Que criança não sonha com isso?

Dani Calabresa  (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)

Você cresceu de Santo André (cidade na Grande São Paulo). Como foi sua infância lá?
Eu dividia quarto com a minha irmã. Dividimos desde que nasci até ficar adulta. A gente brigava, mas se ama muito. Sempre fomos melhores amigas. Ela é sete anos mais velha que eu, mas é uma eterna menina. Ela fez teatro, dança, ama Disney, tive muita influência do gosto dela, brincávamos muito juntas. Meus pais também gostam de brincar de jogos de tabuleiro. A gente se une para jogar até hoje. Eu gosto muito de coisa temática e comprei o Banco Imobiliário do Game of Thrones (série da HBO). Imagina invadir a casa dos Stark e vem os Lannister e acabam com a tua vida? Maravilhoso!

Dani Calabresa  (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)
Dani Calabresa Aspas (Foto:  )

Sua infância te inspirou a ser artista?
Total, de tanto brincar com a minha irmã. Ela era muito criativa e a gente fazia shows para os meus pais com os os LPs da Xuxa. Às vezes, ela era a Xuxa e eu a Paquita, ou a gente brincava de fazer teatro interpretando os discos com historinhas. Também tive influência da minha mãe, que é muito engraçada e imitava os vizinhos depois da reunião de condomínio. Eu era uma criança tímida, mas fazia essas coisas para os meus melhores amigos e para os meus pais, e depois entrei no teatro e me libertei. Me considero tímida até hoje, mas antes eu não dava nem oi para as pessoas.

Dani Calabresa com Priscila (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)

Tendo o humor como profissão, você ainda consegue achar as coisas engraçadas?
Eu vejo genuinamente graça nas coisas. E, por isso, tenho tanto prazer em trabalhar. As coisas me inspiram demais. Um sotaque, uma coisa que acontece, uma bobagem. Às vezes, uma situação cotidiana rende uma esquete. Eu sempre tive esse olhar de que dá para fazer piada até de situações desagradáveis, tipo alguém que chegou atrasado, que derrubou minha mala, quebrou o zíper e caiu uma calcinha, que enroscou no pé de alguém, uma situação em que eu poderia estar puta. Eu gosto de fazer as pessoas rirem. Então, se eu conto para alguém e a pessoa ri eu já acho que aquela desgraça valeu a pena.

Dani Calabresa  (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)
Dani Calabresa Aspas (Foto:  )

Seu alto-astral é sua marca registrada. Você tem seus momentos melancólicos?
Eu sou dramática. Não sou uma pessoa que fica triste, para baixo, tipo “a Dani hoje não quer conversar”. Eu vou chorar, xingar, gritar, dar escândalo. Todo mundo vai saber que estou muito mal, vão me consolar, e depois que coloco para fora é “vamos gravar essa birosca”, porque já cantei pra subir. Eu choro e exorcizo minhas dores. Sou de família italiana e quando alguém está puto a gente grita, chora e depois passa. A pessoa bem-humorada não é bem-humorada 24 horas. E não é porque a gente vê graça nas coisas que a gente só vê graça. Eu fico triste com muitas coisas, que depois eu preciso me obrigar a ficar bem-humorada. Ninguém é feliz 24 horas. Quem diz que é está sendo um pouco insensível. A dor dos outros me machuca. Se alguém diz “meu pai está internado” já não tem a mesma graça ferver, fazer Stories. Eu me preocupo com a pessoa, me dá saudade do meu pai, eu sou muito animada, mas sou muito sensível. Se vejo uma criança descalça pedindo dinheiro, penso: “que merda de mundo!” Mas não adianta ficar para baixo, preciso pensar em como posso ajudar.

Dani Calabresa  (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)

Você gosta de desafios?
Não me acho destemida, mas ao mesmo tempo, refletindo, eu acho que sou, sim. Se perguntam se sou insegura, eu digo: “sou muito cagada”. Mas, espera aí, em quatro dias eu fiz, para o Dança dos Famosos, um passo de dança que vira de ponta cabeça e dá tontura? Fiz! Se eu achar divertido, se eu tiver confiança, eu faço. Meu professor no Dança, o Reginaldo Sama, coloca confiança em mim, e isso me emociona num lugar que se ele acha que eu posso mesmo fazer aquilo, isso me faz tentar. É tão libertador, porque a gente se critica demais.

Dani Calabresa com Priscila (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)

Como está sendo o Dança dos Famosos?
Eu tenho uma relação muito louca com esse quadro. Eu e minha irmã éramos chicletinho. Tudo o que ela fez, eu fazia. Ela entrou no teatro, eu entrei também. Ela entrou no balé e eu fiz um ano, dos cinco aos seis, mesmo tendo asma e bronquite, mas a escolinha fechou e eu não voltei a dançar. É um grande arrependimento que eu tenho. A minha irmã seguiu, prestou e passou no Municipal, fez vários cursos incríveis, depois foi para a Dança Flamenca. Quando eu fui estudar musical, entrei numa escola da Mooca, a Casa de Artes Operária, e descobri que precisava começar a dança do zero. Era mais possível aprender a cantar do que ter a base para a dança, e isso me assustou porque sou muito grande, desastrada, tenho bronquite, sou sedentária. Quando estreou o Dança dos Famosos eu ainda estava na MTV e eu e o (Marcelo) Adnet (com quem foi casada entre 2010 e 2017) brincávamos, ele dizia “quando formos para a Globo imagina a gente tendo que fugir do Dança”, e eu dizia “eu não vou fugir, eu quero fazer”. Só que quando entrei na Globo, em 2015, me chamaram e eu disse “vamos tentar ano que vem”, porque eu estava me adaptando e tinha medo de passar vergonha. Acompanhei a Mariana Santos, que fazia Zorra comigo, no Dança de 2015 e via que ela voltava toda roxa. Eu pensava “vou morrer no primeiro ensaio. Que bom que não aceitei”. Em 2016 e 2017 fugi também, mas esse ano minha mãe e meus amigos me incentivaram, porque sabem que eu amo assistir, e eu me joguei. Eu acho a mensagem do quadro muito bonita, de verdade. “Todo mundo pode dançar”. Isso me encorajou. Tem gente mais velha, mais nova, alta, baixinha, mais gordinha, magrela, é eclético. O Léo Jaime está ‘forinha’ de forma, com pança, e está arrasando. Então, não tem essas coisas que a gente coloca na nossa cabeça.

Dani Calabresa Aspas (Foto:  )
Dani Calabresa com Priscila (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)

E como é competir?
Eu sou zero competitiva, entrei para aprender a dançar, realizar meu sonho de dançar, e porque amo assistir e queria usar essas roupas. Eu estou até preocupada porque estou amando demais e preciso me preparar para a hora em que eu sair. Estou muito envolvida, acordo e vou dormir pensando no Dança. Quando caiu a ficha que é uma competição eu chorei a noite inteira. Você dança, ouve as notas meio atordoado, daí todo mundo se parabeniza e quando você vê o ranking, pensa “eu posso sair?” e alguém diz “alô, é uma competição”. Meus amigos falam que eu sou um labrador, que entra em casa para brincar e fazer amigos, e quando leva uma bronca ou alguém diz algo sério, desaba de chorar, e é bem isso! Eu estava muito feliz, curtindo, e depois pensei que talvez eu não consiga dar o dez que meu professor merece, e isso acabou comigo.

Dani Calabresa Aspas (Foto:  )

No meio disso tudo você teve pedra nos rins…
Eu tive uma pedra em 2012, quando estava cobrindo as Olimpíadas de Londres pela MTV. Fiquei 21 dias na Inglaterra com a pedra. Eu gravava e me contorcia igual a menina do “Exorcista”, eu só não girava a cabeça 360 graus. Eu suava, vomitava, e quando voltei eu fui ao médico e nem deixaram eu sair do hospital, já foram me operar. E eu descobri outra pedra em 2014, que é essa que acabei de tirar. Estava bem dentro do rim e podia demorar mil anos para sair, mas acho que de tanto chacoalhar no Dança a pedra saiu do lugar. Sou tão sedentária que me giraram, ela saiu e entalou, não passou no canal do xixi, e foi a dor da morte. Fui para o hospital morrendo, cheguei e disse: “Tem que operar hoje porque vou dançar domingo. Preciso estar boa quinta”. Operei numa segunda, tirei o cateter quarta, porque o médico viu que eu era bem louca. Consegui dançar porque fiquei projetando que ia conseguir melhorar e melhorei. Foi uma vitória.

E você está gravando o Zorra também…
Estou, mas só falo no Dança. Fizeram um quadro para mim lá, O Que o Dança fez com a Calabresa, porque estou vivendo isso intensamente (risos).

Dani Calabresa  (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)

Você entrou para o Zorra quando o programa foi reformulado, em 2015 (saíram os bordões e entraram as esquetes). Com essa nova versão já consolidada, como o programa se renova?
Ele se renova com cenas quentes. Temos liberdade de ter novos quadros e personagens todo sábado, então uma coisa que acontece na política, por exemplo, pode virar uma esquete. Eles escrevem quarta, a gente grava quinta, sexta edita, entra sábado. E sempre tem gente nova, gente legal, então é um trabalho que tem vida longa.

Essa mudança do Zorra também consolidou as mulheres no humor.
Sempre tiveram muitas mulheres no humor, mas o que não tem mais é mulher pelada em programa de humor. Ficou claro que isso não tem graça. Quando a gente era criança havia comediantes geniais e programas incríveis, e de repente, aparecia uma gostosa que não tinha piada na boca. Dava um constrangimento porque estava todo mundo assistindo um programa em família e passava uma bunda, uma pessoa com a calcinha lá no toba, e não tinha graça. O que acabou foi a necessidade de aumentar a audiência com uma mulher gostosa. Dá para ter homens comediantes e mulher comediantes e só. Já que não vai ter um GoGo Boy de sunga besuntado, então também não tem mulher de biquíni.

Dani Calabresa com Priscila (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)
Dani Calabresa Aspas (Foto:  )

Você tem vontade de fazer um personagem dramático?
Eu não me cobro de mostrar para as pessoas um lado dramático porque já acho fazer comédia superdifícil. Fazer comédia de cara limpa, personagens, fazer imitação, no teatro, no cinema, na TV, se renovar, é superdifícil. Não tenho vontade de fazer drama. Eu acho que se aparecer um personagem, e um diretor ver esse personagem em mim, e eu comprar esse desafio, pode ser que eu faça. Não é um sonho e não tenho essa cobrança. O humor dá o presente de mostrar versatilidade, não precisa ser um trabalho em que você leva tapa na cara e vai pro chão sem maquiagem.

Dani Calabresa com Priscila (Foto: Dêssa Pires/ Ed. Globo)

O que a Dani de hoje diria para a Dani de dez anos de idade?
Tanta coisa. A gente se cobra tanto, a gente acha que não é boa o bastante para chegar perto de realizar os nossos sonhos e eu realizei muitos. Eu ia dar um abraço e dizer: “Amiga, confia. Não sofra por besteira. A gente não sabe as voltas que o mundo dá. Num dia você não passa num teste e diz ‘nossa, eu nunca vou ser’, no outro dia você passa e pensa ‘meu Deus, estou sendo!’. Um dia muda tudo. Tendo amor pelo que a gente faz, e se dedicando, isso já é o bastante, e é mais do que ter o nariz perfeito, o cabelo perfeito, coisas que a gente põe na cabeça como travas. A gente se coloca muito para baixo e nunca vai estar 100% pronto, então tem que começar hoje. Como a dança. Eu dizia: “Não vou começar com 20 anos porque estou velha”. Depois: “Não vou começar com 30 porque estou velha”. Comecei com 36 e não quero parar nunca mais. Eu falaria sete páginas, eu mandaria um áudio de 17 minutos para a Dani de 10 anos e nem sei se eu iria dar play.

Priscila (Foto:  )
TOP 5 (Foto:  )

CRÉDITOS:
FOTOS: Dessa Pires
DESIGNER DE CAPA: Gabriel Pontes
STYLING: A-produção
MAQUIAGEM E CABELO: Carolina Lima
OBJETOS: Dani Arend

AGRADECIMENTOS:
Estúdio Insônia
Rolling Sports (www.rollingsports.com.br)
Bastidores Cenografia (bastidoreseventos.com.br)

LOOKS:
Look arco-íris:
Body The Paradise Rio
Shorts Oh Boy
Brincos Fiszpan
Botas Vizanno

Look patinadora
Vestido Guess
Brincos Fizspan
Meia Farm
Patins Rolling Sports

Look frutas
Body Morena Rosa
Saia Forever 21
Pulseiras R Sobral
Sandália Cecconello

Look marinheira
Body Dress To
Pantacourt Damyller
Óculos Morena Rosa
Brincos e Acessórios Fiszpan

Look macaquinho
Macaquinho Dress To
Pulseiras Sobral
Brincos Fiszpan
Sandália Melissa

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