Ouvir Rádio: Rádio Senado / Universitária FM 107.9 Fale Conosco

Degradado e fechado há 15 anos, Museu das Secas é candidato às chamas

0
O palacete de 1907, na esquina da Pedro Pereira com General Sampaio: o que deveria ser o Museu das Secas está abandonado e degradado.

Por Fábio Campos

Em meio à campanha eleitoral, os gigolôs do incêndio pululam para capitalizar a tragédia que é de ampla autoria. Não sobra para ninguém. Com raras e honrosas exceções, praticamente todos os museus de gestão pública estão em condições de razoáveis a deploráveis. Os museus do Ceará, terra da luz, e da Fortaleza, loura desposada do sol, não escapam.

Basicamente, falta dinheiro para uma manutenção correta e adequada. A cultura costuma ficar em segundo plano diante de demandas, digamos, mais prosaicas e, evidentemente, mais caras. Para que gastar dinheiro com velharia se é mais negócio construir o anexo III da Assembleia?

De todos os museus do Ceará (não são poucos), um em especial chama a atenção pelas circunstâncias. É o Museu das Secas, um belíssimo prédio no Centro de Fortaleza, Pedro Pereira, 683 (esquina com a rua General Sampaio). Tombado pelo Iphan, pelas traças, cupins e, Deus nos livre, pelas potenciais chamas que arrasaram o Museu Nacional do Rio.

O Palacete Carvalho Mota, vulgo Museu das Secas, abriga todo o acervo do Dnocs. Portanto, é parte importante da História do Ceará. Lá, debaixo do poeira, estão, por exemplo, os documentos do projeto e construção do Açude do Cedro, a primeira grande obra hídrica do Brasil. Obra do imperador Pedro II, o mesmo que morou no Palácio destruído do Rio.

O Palacete em si já é uma pérola de nossa História. Finalizado em 1907 para abrigar a família do coronel Antônio Frederico de Carvalho Motta, possui estilo eclético. Dois andares com janelas e portas em arco abatido. A fachada principal e a parte superior são decoradas por uma balaustrada encimada por pináculos. É uma mistura de elementos neoclássicos e art nouveau.

Em reportagem do ano passado do O Povo, o seguinte relato: “As paredes têm manchas pretas e amarelas, marcas da deterioração. Em alguns pontos, a infiltração derrubou as camadas mais externas de tinta e reboco. A falta de manutenção também enfraqueceu o teto de algumas salas. Há rombos pelos quais é possível ver a laje do primeiro andar… Odor de fezes de animais é recorrente em praticamente todas as salas. O que alivia o fedor é o ar que entra através de buracos nas portas danificadas e pela vidraça quebrada das janelas”.

Compartilhe

Deixe um comentário