Delator relata pressão de Moreira Franco e Eduardo Paes para fundo do FGTS financiar obras do Porto Maravilha

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O ex-superintendente de Fundos de Investimentos Especiais da Caixa Econômica Federal Roberto Carlos Madoglio relatou em delação premiada como o banco mudou regras para financiar as obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, e como a liberação do dinheiro para três empreiteiras teria sido motivada por pressões de políticos – ele mencionou Eduardo Paes, à época prefeito do Rio, e Moreira Franco, atual ministro de Minas e Energia e à época vice-presidente de Fundos e Loterias da Caixa.

Roberto Carlos Madoglio fechou delação premiada na Operação Sépsis , que investiga desvios no FI-FGTS, fundo de investimentos administrado pela Caixa. O acordo foi homologado em janeiro, pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.

Madoglio deu depoimentos por escrito e registrados em vídeo. A TV Globo teve acesso à íntegra do material. O ex-superintendente da Caixa foi ouvido em novembro do ano passado, e o conteúdo da delação permanecia sob sigilo. Ele não relatou caso de corrupção em relação ao Porto Maravilha. Disse que não testemunhou pagamentos ilícitos.

As versões de cada um

  • Eduardo Paes – “O Porto Maravilha é uma conquista do Rio de Janeiro e, dentro da legalidade, o meu governo se empenhou para que se tornasse realidade. Nos empenhamos por esse investimento federal e outros também. E, sempre de forma republicana, pressionamos sim todos os agentes envolvidos na operação, para que ela acontecesse, em benefício da cidade e da população carioca. Aliás esses fatos todos são públicos e divulgados à imprensa na época, tratando-se de uma operação altamente lucrativa para o FGTS. É importante destacar ainda que, em nenhum momento, o delator faz qualquer referência à prática de corrupção e simplesmente relata a luta de um prefeito para trazer benefícios para sua cidade”, afirmou o ex-prefeito Eduardo Paes.
  • Moreira Franco – A defesa do ministro Moreira Franco informou que ele não comentará colaboração processual à qual não teve acesso. “Todavia, tem de observar o evidente caráter especulativo da versão dos fatos ora trazida. Assim que ciente do conteúdo, se tomarão as providências necessárias para esclarecimento da verdade”, afirmou a defesa.
  • Caixa Econômica Federal – A assessoria da Caixa divulgou a seguinte nota: “A CAIXA esclarece que os fatos da delação citada são objeto de apurações internas da CAIXA, que correm sob sigilo. O banco informa que está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações.”

G1

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