Lava Jato: Aldemir Bendine tem mais de R$ 3 milhões bloqueados

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Jornal do Brasil

O Banco Central bloqueou R$ 3.417.270,55 das contas do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine, de acordo com informe protocolado no processo eletrônico da Justiça Federal do Paraná, nesta segunda-feira (31).

Bendine foi preso na 42ª fase da Operação Lava Jato, na quinta-feira (27). Seus advogados protocolaram, também nesta segunda-feira, um recurso de apelação contra a decisão de sequestro e indisponibilidade dos bens e valores do cliente.

O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, havia decretado o bloqueio de até R$ 3 milhões mantidos em contas e investimentos bancários dos alvos desta operação.

Prisão

Bendine e operadores financeiros são suspeitos de participarem do recebimento de R$ 3 milhões em propinas pagas pela Odebrecht. O procurador da República Athayde Ribeiro Costa afirmou que havia evidências de que operadores, juntamente com Bendine,  “teriam praticado em 2017 atos que caracterizam lavagem de ativos e obstrução das investigações”.

Aldemir Bendine tem mais de R$ 3 milhões bloqueados
Aldemir Bendine tem mais de R$ 3 milhões bloqueados

“Numa primeira oportunidade, um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões realizado por Aldemir Bedine à época em que era presidente do Banco do Brasil, para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial. Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, executivos da Odebrecht que celebraram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, teriam negado o pedido de solicitação de propina porque entenderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar no contrato de financiamento do Banco do Brasil”, diz a nota.

Além disso, segundo o MPF, “há provas apontando que, na véspera de assumir a presidência da Petrobras, o que ocorreu em 6 de fevereiro de 2015, Aldemir Bendine e um de seus operadores financeiros novamente solicitaram propina a Marcelo Odebrecht e Fernando Reis. Desta vez, as indicações são de que o pedido foi feito para que o grupo empresarial Odebrecht não fosse prejudicado na Petrobras, inclusive em relação às consequências da Operação Lava Jato.” Aparentemente os pagamentos somente foram interrompidos com a prisão do então presidente da Odebrecht.

Pagamentos

Com receio de ser prejudicada na Petrobras, a Odebrecht, conforme depoimentos de colaboradores, informações colhidas em busca e apreensão na 26ª fase da Lava Jato (operação Xepa) e outras provas, optou por pagar a propina de R$ 3 milhões. O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo. Esses pagamentos foram realizados no ano de 2015, nas datas de 17 de junho, 24 de junho e 1º de julho, pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Já neste ano de 2017, um dos operadores financeiros que atuavam junto a Bendine confirmou que recebeu a quantia de R$ 3 milhões da Odebrecht, mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil. Todavia, a investigação revelou que a empresa utilizada pelo operador financeiro era de fachada.

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