O independentismo transborda em Barcelona

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O independentismo voltou a fazer nesta segunda-feira uma nova demonstração de mobilização pelas ruas de Barcelona, a 20 dias do referendo convocado por Carles Puigdemont e suspenso pelo Tribunal Constitucional. Pelo sexto ano consecutivo, centenas de milhares de pessoas –mais de um milhão, segundo a ANC (Assembleia Nacional Catalã), perto de um milhão, segundo a Guarda Urbana, e 350.000, de acordo com a Delegação do Governo- se manifestaram pelo centro da capital catalã por ocasião da Diada (o Dia da Catalunha, celebrado em 11 de setembro), neste caso para defender o voto afirmativo na consulta de 1 de outubro sobre a independência da Catalunha, que Mariano Rajoy prometeu que não será realizada.

A ANC, entidade responsável pela convocação das grandes manifestações que ocorrem todos os 11 de setembro desde 2012, batizou o evento desta segunda-feira de Diada do Sim e organizou uma nova forma de concentração: um sinal positivo formado nas ruas do bairro do Eixample pelos manifestantes com quatro faixas que cruzaram a manifestação sobre as cabeças dos participantes e saíram de cada um dos extremos na cruz com o lema “Referendo é democracia” e uma enorme urna; Pau i llibertat (Paz e liberdade) e uma grande pomba da paz e outras duas faixas com um “Sim” escrito em diversos idiomas. Posteriormente, foi incorporada uma enorme bandeira estelada (independentista).

As faixas, de 16 por 16 metros, confluíram no cruzamento do passeio de Gràcia com a rua de Aragón, no coração de Barcelona. Na manifestação se formou uma primeira fila na qual se concentraram, entre outros, o presidente da Generalitat, praticamente todos os conselheiros de seu governo, a presidenta do Parlament, Carme Forcadell, bem como todos os líderes independentistas e deputados no Parlament e na Câmara Baixa, como o parlamentar da Esquerda Republicana, Gabriel Rufián. Nas ruas de Barcelona, a marcha voltou a reunir pessoas de todas as idades, em muitos casos famílias inteiras de três gerações, vestidos para a ocasião com a camiseta amarelo fluorescente deste ano.

A ANC afirmou que vendeu mais de 300.000 camisetas para a manifestação e que cerca de meio milhão de pessoas se inscreveram para saber em que lugar da marcha teriam de se posicionar. Mais uma vez a concentração transcorreu em ambiente festivo com cartazes de todo o tipo em favor da secessão e críticas ao Governo do PP. Soraya no fas por, (Soraya, você não causa medo), dizia uma delas, em referência às críticas da vice-presidenta (vice-primeira-ministra) do Governo espanhol contra o Governo da Generalitat e os dirigentes independentistas.

A manifestação começou com um minuto de silêncio em recordação das vítimas dos atentados de Barcelona e Cambrils, durante o qual se prestou homenagem ao trabalho realizado pelos Mossos d’Esquadra, os serviços de emergência e a população, e passadas as 18h10 (hora local), o presidente da ANC, Jordi Sánchez, iniciou os discursos, na praça da Catalunya.

“Ganhamos de novo as ruas, apesar das ameaças”, começou dizendo, depois de agradecer a atuação de Puigdemont, Forcadell, o Governo catalão e os grupos parlamentares do Junts pel Sí e da CUP. “Obrigado, vocês não falharam”, disse. Em seguida, proclamou que o independentismo somente reconhecia a legalidade catalã. Nessa linha insistiu que nos dias que faltam para o 1 de outubro as entidades independentistas os “acompanharão” no caminho.

“Nossa lei é a lei de nosso parlamento e nossa obediência é a de nosso governo, e no 1 de outubro votaremos”, insistiu, antes de defender que se desobedeça a Justiça espanhola. “Temos de nos declarar insubmissos a todos os tribunais e às leis que só buscam a indivisível unidade de sua pátria”, insistiu.

Lançou seguidamente uma advertência a todos os grupos da oposição no Parlament (Cidadãos, PSC, Catalunya Sí que es Pot e o PP) depois de se referir a seus líderes pelo sobrenome. “Não se escondam, escutem o povo da Catalunha, o mesmo que pedia há 40 anos: liberdade, anistia e estatuto de autonomia, e deixem que as urnas falem.”

“Não há garantia democrática nem legalidade sem as urnas”, insistiu Sánchez, que depois lançou uma mensagem em castelhano aos “democratas espanhóis” para que sejam “democratas”. “Obrigado pela solidariedade que temos recebido. Não deixem que sejam violados os direitos democráticos da Catalunha. Hoje é na Catalunha, mas se vocês não rejeitam isso, amanhã será na imprensa e nos meios de comunicação em Madri, Sevilha ou Saragoça.”

Sánchez finalizou o discurso com uma mensagem irônica dirigida ao trabalho de investigação da Guarda Civil. “Sabemos onde estão as urnas e as cédulas e sabemos onde vocês as podem encontrar. Só diremos uma vez: vão em 1 de outubro a qualquer seção eleitoral e vocês as encontrarão”, concluiu

EL PAÍS

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