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O massacre político da blitzkrieg governista

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

A articulação governista promoveu no Ceará o maior massacre político desde a redemocratização. Isso, sem que fosse preciso convencer um só eleitor. Nos bastidores, três máquinas políticas de grande porte agiram sem dó nem piedade para isolar Tasso Jereissati, o PSDB e o candidato tucano ao Governo, o desconhecido General Guilherme Theophilo.

O governador Camilo Santana (PT), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), e a família Ferreira Gomes (PDT), a mais azeitada máquina de ganhar eleição no Ceará, agiram em conjunto numa bltizkrieg (o modelo de ataque em massa e de surpresa da Alemanha na II Guerra) que tirou da oposição os dois partidos que dariam um palanque politicamente consistente e viável ao General Theophilo.

Tudo isso justamente no dia em que os tucanos agendaram o lançamento da pré-candidatura. Tasso e o General, que ainda permaneceram com o Capitão Wagner e seu insignificante PROS, terão que fazer um esforço jamais visto para sair do isolamento político.

Não será tarefa fácil. Sem prefeitos, sem deputados, sem vereadores, sem as ongs esquerdistas, sem verbas a distribuir. Só um discurso. Pelo tom já exposto pelo discurso de Tasso, a fala da oposição tende a se tornar mais e mais radical. É a forma clássica de se chegar aos menos escolarizados, a grande maioria.

Ao juntar “golpistas”, “golpeados”, ex-inimigos e mágoas de todos os tipos na mesma lotação esgotada, a coalização governista formou a mais poderosa máquina política e, certamente, eleitoral, que o Ceará já viu. Com um detalhe: Ciro do Ceará como candidato a presidente da República formando uma linha de chapa poderosíssima. No outro lado, o candidato é Geraldo Alckmin, um fato que facilita demais a vida do governismo.

No entanto, o governismo arriscou ao extremo ao conceder à oposição o papel de Davi, o fracote disposto a enfrentar o gigante que se torna praticamente imbatível. De quebra, deu ao General a primazia do discurso contra os poderosos, “falsos humildes”, contra os que fazem tudo para não largar o esquálido osso cearense, contra os que deixam o povo relegado e à mercê de uma multidão de assassinos à solta nas ruas e a um serviço de saúde muito longe de ser competente.

O que os governistas fizeram beira a humilhação. A atitude reforça a narrativa de que a articulação política governista é uma máquina que só age de uma forma: quando não coopta, moi. Com uma ressalva, a maioria dos nossos políticos adoram ser cooptados. Se esforçam para serem.

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