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O que aconteceu com o ‘menino de cabelo congelado’ que se tornou símbolo da pobreza na China

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Por BBC


Fotos do pequeno Wang com o cabelo congelado foram compartilhadas milhares de vezes no início do ano passado — Foto: Reprodução/TV Globo Fotos do pequeno Wang com o cabelo congelado foram compartilhadas milhares de vezes no início do ano passado — Foto: Reprodução/TV Globo

Fotos do pequeno Wang com o cabelo congelado foram compartilhadas milhares de vezes no início do ano passado — Foto: Reprodução/TV Globo

Imagens de um estudante com o cabelo e sobrancelhas congelados e mãos inchadas pelo frio que circularam na internet em janeiro de 2018 acabaram motivando um grande debate sobre a pobreza na China – e sua repercussão na vida das crianças – quando foram postadas há um ano.

Chamado de “Ice Boy” (“menino de gelo”, em tradução livre), Wang Fuman, que tinha 8 anos na época, costumava caminhar 4,5 km para chegar à escola que frequentava na província de Yunnan, no sul do país, frequentemente sob temperaturas congelantes. No dia da foto que viralizou, que teria sido feita por seu professor, fazia 9 graus negativos fora da sala de aula.

Sua determinação para chegar à escola mesmo tendo de enfrentar condições extremas e seu excelente desempenho escolar geraram uma onda de empatia online.

Agora com 9 anos e 12 meses depois, muita coisa mudou na vida de Wang. De acordo com o periódico chinês “People’s Daily”, ele não precisa mais andar quase uma hora na neve para conseguir assistir às aulas.

Apesar das mudanças no último ano, o sonho de Wang continua o mesmo: ele quer ser policial quando crescer — Foto: AFP Apesar das mudanças no último ano, o sonho de Wang continua o mesmo: ele quer ser policial quando crescer — Foto: AFP

Apesar das mudanças no último ano, o sonho de Wang continua o mesmo: ele quer ser policial quando crescer — Foto: AFP

Wang e sua família se mudaram da casa de barro em que viviam e hoje estão instalados em uma casa de dois andares a 10 minutos de caminhada – por uma via pavimentada – da escola.

“A vida está bem melhor”, declarou o pai do garoto, Wang Gangkui, à publicação.

“Comparado às paredes de barro e à estrada enlameada, nós estamos mais protegidos do vento e da chuva.”

‘Sementes de sonhos’

Em paralelo, a escola de Wang recebeu uma série de investimentos de um ano para cá.

As salas de aula ganharam equipamentos de calefação e um dormitório foi construído para acolher as crianças que vivem em áreas mais afastadas.

“(Wang) é um excelente aluno e se dá bem com os colegas de sala”, afirmou o diretor adjunto da escola, Fu Heng.

“Toda a atenção (que a escola recebeu) fez com que os estudantes experimentassem as ‘maravilhas do mundo’, e suas ideias mudaram bastante nesse período. As sementes do sonho de que um dia eles poderão ir para longe das montanhas foram plantadas e eles têm hoje muita esperança em relação ao futuro.”

Os sonhos de Wang, contudo, permanecem os mesmos.

Assim como em 2018, ele espera no futuro se tornar policial, para ter a chance de capturar “vilões”.

Mais de 3 mil usuários da rede social Weibo (sistema chinês semelhante ao Twitter) usaram a hashtag #IceBoyAYearOn (“menino de gelo um ano depois”, em tradução livre) para relembrar a história do menino. Muitos veem o “desfecho” da história que conheceram um ano atrás como um “final feliz”.

“O poder da internet não deve ser menosprezado”, escreveu um usuário, ressaltando que a repercussão das imagens nas redes sociais foi o estopim para as mudanças na escola e na vida do garoto.

“(Ver) a transformação na vida de Wang e de sua família é muito gratificante”, escreveu o usuário Chen Li na rede Weibo. “Isso é mérito da opinião pública e do esforço conjunto do governo local e de inúmeras pessoas que se importam com os outros.”

Em seu discurso de ano novo, o presidente Xi Jinping disse que a redução da pobreza em áreas rurais da China foi um dos focos do governo em 2018.

“125 distritos pobres e 10 milhões de habitantes da zona rural assolados pela miséria deixaram a situação de pobreza”, afirmou.

“Para atingir nosso objetivo de tirar outros 10 milhões de pessoas que vivem nessas áreas da pobreza, como planejamos, devemos manter o foco e trabalhar duro.”

Alguns usuários das redes sociais pontuaram, entretanto, que superar a pobreza também passa por responsabilizar funcionários públicos que eventualmente fazem mal uso dos recursos.

“Você também ajuda os mais pobres punindo funcionários públicos corruptos”, ressaltou um internauta.

G1

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