Pacientes da Santa Casa de SP aguardam até cinco meses por cirurgia

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Por José Roberto Burnier, Roberta Giacomoni e Carolina Giancola, SP2, São Paulo

Pacientes da Santa Casa sofrem na fila de espera por procedimentos sem data para acontecer

Pacientes da Santa Casa sofrem na fila de espera por procedimentos sem data para acontecer

Pacientes da Santa Casa estão sofrendo na fila de espera por procedimentos que não têm data para acontecer.

Rafael Henrique de Souza Assis aguarda por cinco meses por uma cirurgia a laser para quebrar as pedras nos rins em pedacinhos e facilitar a saída pela uretra. É a chamada litotripsia.

O procedimento era para ter sido feito no dia 25 de dezembro. Mas o rim estava tão inchado, que só foi possível colocar um catéter para drenar a urina. Ele teria que esperar mais duas semanas. Na consulta médica, a surpresa.

“Fui informado que não iam fazer o processo, que a Santa Casa estava com uma crise financeira, não tinha dinheiro para fazer, faltando materiais, e eles simplesmente não iriam fazer”, diz Rafael.

Houve uma nova tentativa no mês passado. Desta vez, disseram que a máquina estava quebrada

“Não consigo caminhar cem metros já dá uma dor absurda, não consigo pegar meu filho no colo, não consigo desenvolver no serviço direito”, afirma.

Outro caso parecido com o de Rafael chegou em forma de denúncia ao Sindicato dos Médicos de São Paulo. Uma mulher de 68 anos, com insuficiência no coração, tinha indicação de passar por um cateterismo – procedimento invasivo que avalia a situação das artérias

Em um memorando a Santa Casa disse que o cateterismo está reservado apenas para os pacientes com infarto agudo do miocárdio e/ou angina instável. A Santa Casa disse que a paciente devia fazer o exame, via Central de Regulação, em outro hospital.

O Sindicato dos Médicos diz que o cancelamento de procedimentos e exames tem sido uma rotina, e que, desde 2015 foram 200 médicos demitidos.

“A gente vê agora uma redução da Santa Casa e quem tá sofrendo com isso é a população que depende deste tipo de serviço que é muito específico e que não é encontrado em qualquer hospital de São Paulo”, diz o diretor do sindicato Eder Gatti Fernandes.

O superintendente da Santa Casa, Carlos Augusto Meinberg, explicou que o hospital está tentando sanear as contas e que problemas pontuais poderão ocorrer com pacientes que tenham exames eletivos e não de emergência.

“Se você for a qualquer consultório médico, a qualquer hospital, estará sujeito à agenda daquela instituição ou daquele consultório”, diz. “Nós vamos adaptar e atender no limite do possível, mas sempre com o compromisso de atender.”

A Santa Casa disse que os casos de Rafael e da senhora são eletivos e eles serão atendidos ainda esta semana.

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