PF prende vice-governador de MG, Joesley Batista e Ricardo Saud em investigação sobre suposto esquema na Agricultura

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Por Fernando Zuba, TV Globo — Belo Horizonte


PF cumpre 19 mandados de prisão temporária em desdobramento da Lava Jato

PF cumpre 19 mandados de prisão temporária em desdobramento da Lava Jato

O vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), o empresário Joesley Batista, dono da JBS, e mais 14 foram presos nesta sexta-feira (9) em uma operação que investiga suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Ao todo, são 19 mandados de prisão temporária, um deles contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB), que está preso no Paraná. O mandado contra ele ainda não foi cumprido.

A PF cumpre ainda 63 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso. Às 11h, o delegado da Polícia Federal Mario Velloso informou que eram 16 presos, mas apenas 12 nomes foram divulgados.

VEJA OS NOMES DOS PRESOS JÁ DIVULGADOS

  • Antonio Andrade, vice-governador de Minas e ministro da Agricultura de março de 2013 a março de 2014
  • Joesley Batista, sócio da J&F, dona da JBS
  • Ricardo Saud, ex-executivo da J&F
  • Demilton de Castro, ex-executivo da J&F
  • João Magalhães, deputado estadual pelo MDB de MG
  • Neri Geller, deputado federal eleito pelo PP de MT e ministro da Agricultura de março de 2014 a dezembro de 2015
  • Rodrigo Figueiredo, ex-secretário de Defesa Agropecuária
  • Mateus de Moura Lima Gomes, advogado
  • Mauro Luiz de Moura Araújo, advogado
  • Ildeu da Cunha Pereira, advogado
  • Marcelo Pires Pinheiro
  • Fernando Manoel Pires Pinheiro

Empresário Joesley Batista deixa o Instituto Médico Legal (IML) Central de São Paulo após ser preso nesta sexta-feira (9) pela PF  — Foto: Willian Moreira/Futura Press/Estadão Conteúdo Empresário Joesley Batista deixa o Instituto Médico Legal (IML) Central de São Paulo após ser preso nesta sexta-feira (9) pela PF  — Foto: Willian Moreira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Empresário Joesley Batista deixa o Instituto Médico Legal (IML) Central de São Paulo após ser preso nesta sexta-feira (9) pela PF — Foto: Willian Moreira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Num primeiro momento, Saud não havia sido localizado, e a PF chegou a dizer que ele estava no exterior. Mais tarde, entretanto, foi confirmada a prisão do executivo.

VEJA A LISTA DOS MANDADOS NÃO CUMPRIDOS

  • Waldir Rocha Pena, sócio do supermercado BH, que estaria no Uruguai
  • Florisvaldo Caetano de Oliveira, funcionário da JBS
  • Odo Adão filho, advogado

A PF fez buscas no gabinete do vice-governador de MG. Ele foi preso em uma fazenda em Vazante, no Noroeste de Minas Gerais. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

O esquema

Batizada de Capitu, a operação é um desdobramento da Lava Jato e feita em conjunto com a Receita Federal. A operação é baseada na delação do doleiro Lúcio Funaro, apontado como operador do MDB.

De acordo com as investigações, empresas doavam dinheiro irregularmente para políticos e partidos. Segundo as investigações, havia um esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura para beneficiar políticos do MDB, que recebiam dinheiro da JBS, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Em troca, empresas do grupo eram beneficiadas.

Duas grandes redes varejistas de Minas Gerais – BH e EPA – atuavam no esquema, por meio de seus controladores e diretores. As redes varejistas se aproveitavam do grande fluxo de caixa para lavar o dinheiro que era doado a partidos e políticos. O esquema operou entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015.

Quando era ministro, o vice-governador Antonio Andrade teria beneficiado a JBS ao determinar a regulamentação da exportação de despojos, a proibição do uso da ivermectina de longa duração – um antiparasita – e a federalização das inspeções de frigoríficos, segundo as investigações.

Em troca, o grupo empresarial Grupo JBS teria pago R$ 2 milhões pela regulamentação da exportação de despojos e R$ 5 milhões na proibição da ivermectina de longa duração.

Se indiciados, os envolvidos vão responder pelos crimes de constituição, participação em organização criminosa, obstrução de Justiça, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

O que dizem os citados

Em nota, andré Callegari, advogado de defesa de Joesley, disse que o cliente é colaborador da Justiça e cumprido a função “à risca”.

“Portanto, causa estranheza o pedido de sua prisão no bojo de um inquérito em que ele já prestou mais de um depoimento na qualidade de colaborador e entregou inúmeros documentos de corroboração. A prisão é temporária e ele vai prestar todos os esclarecimentos necessários”.

Os advogados do deputado federal Neri Geller esclareceram que tão logo conheçam os motivos da prisão e o inteiro teor do processo irão se manifestar.

A rede de supermercados BH disse que não se manifestaria. A EPA foi contatada, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem.

O G1 tenta contato com a defesa dos demais investigados.

Antonio Andrade

Antônio Andrade nasceu em 1953 em Patos de Minas, mas foi criado em Vazante, no Noroeste mineiro, onde iniciou-se na política. Filiou-se ao PMDB em 1987 e, no ano seguinte, foi eleito prefeito de Vazante.

Em 1994 conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa, onde permaneceu por 12 anos. Em 2001 e 2002 foi líder do governo Itamar Franco na Assembleia.

Em 2006, foi eleito deputado federal, sendo reeleito em 2010. Em 2009 assumiu a presidência da Executiva Estadual do PMDB.

Representou Minas na equipe da presidente Dilma Rousseff (PT), tendo sido escolhido em 2013 para dirigir o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, cargo que ocupou até março de 2014.

É engenheiro civil, graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pecuarista.

Vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade — Foto: Caroline Aleixo/G1 Vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade — Foto: Caroline Aleixo/G1

Vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade — Foto: Caroline Aleixo/G1

Joesley Batista

O nome de Joesley começou a aparecer com mais força no noticiário da Lava Jato em maio de 2017, quando chegou ao conhecimento do público uma conversa que ele gravou com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu.

Joesley visitou Temer na residência oficial em março daquele ano e gravou o presidente em segredo. No áudio, o empresário sugere que tem feito pagamentos para comprar o silêncio do deputado cassado e preso, Eduardo Cunha. Nesse momento, Temer respondeu: “Tem que manter isso aí, viu…”

O caso deflagrou a maior crise política do governo Temer e gerou duas denúncias contra o presidente, apresentadas pela Procuradoria-Geral da República. Ambas foram barradas na Câmara.

Joesley, seu irmão Wesley Batista, e o executivo Ricardo Saud fecharam acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, no qual se comprometiam a prestar

Informações sobre irregularidades das quais participaram em troca do abrandamento de possíveis penas.

No entanto, em setembro de 2017, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou a rescisão do acordo de Joesley e Saud. De acordo com Janot, os dois executivos se recusaram a prestar informações, além de terem, após a assinatura do acordo, sonegado, adulterado, destruído ou suprimido provas.

Joesley e Saud foram presos dias depois.

Em fevereiro deste ano, a Procuradoria-Geral da República anunciou a rescisão da delação de Wesley, também por descumprimento dos termos do acordo.

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