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Pole, Vettel pode retomar liderança se vencer, mas terá de segurar veloz RBR

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Por GloboEsporte.com, Marina Bay, Cingapura

As chances de Sebastian Vettel reassumir a liderança do campeonato, perdida pela primeira vez este ano em plena casa da Ferrari, Monza, há duas semanas, são elevadas depois de estabelecer neste sábado brilhante pole position no GP de Cingapura, 14ª etapa do calendário. Como se diz no automobilismo, o alemão tetracampeão do mundo conquistou o resultado no braço, raspou até o muro com o pneu traseiro esquerdo. Os pilotos da RBR, Max Verstappen, segundo, e Daniel Ricciardo, terceiro, dispõem de um carro mais rápido no Circuito Marina Bay.

Vettel pode ultrapassar Lewis Hamilton, da Mercedes, na classificação porque o inglês da Mercedes obteve somente o quinto tempo na definição do grid. Mais que isso: seu modelo W08 Hybrid em nenhum momento do fim de semana, até agora, demonstrou acompanhar o ritmo da RBR e neste sábado da Ferrari também.

Aliás, como Hamilton e seu companheiro, Valtteri Bottas, sexto, já imaginavam. Os 5.065 metros do traçado asiático, de impressionantes 23 curvas, quase todas lentas, não representam o melhor cenário para o monoposto de maior distância entre eixos da F1, o da Mercedes.

No caso de vitória de Vettel, ele somaria 25 pontos aos 235 que tem e chegaria a 260, enquanto Hamilton, tudo dando muito certo mesmo para ele para receber a bandeirada em segundo, receberia 18 e ficaria com 256.

Há um porém nessa história. Entre a largada e o fim da corrida os 20 pilotos precisam completar as 61 voltas mais desgastantes da temporada. É a prova mais longa do ano, com quase duas horas e sob temperatura e umidade profundamente desgastantes. Tradicionalmente o safety car é acionado. Enfim, estamos falando da competição com o maior número de variáveis capazes de interferir no resultado.

Mercedes teve ritmo abaixo das rivais (Foto: Getty Images) Mercedes teve ritmo abaixo das rivais (Foto: Getty Images)

Mercedes teve ritmo abaixo das rivais (Foto: Getty Images)

Largada pode ser decisiva

Na primeira fila vão estar Vettel e Max. O alemão sabe que se o holandês o ultrapassar será difícil acompanhar seu ritmo. A diferença de desempenho entre o RB13-TAG Heuer (Renault) de Max e Ricciardo não é tão superior a do SF70H de Vettel e Kimi Raikkonen, quarto no grid. Mas para ganhar a posição do adversário no Circuito Marina Bay é preciso ser bem mais rápido. E a Ferrari é alguma coisa mais lenta, pelo que a simulação de corrida na sexta-feira evidenciou, com os três tipos de pneus distribuídos pela Pirelli, ultramacios, os mais usados, supermacios e macios.

Max e Ricciardo vão forçar o que for possível para ultrapassar Vettel na largada e na primeira volta. Têm consciência de que o o piloto da Ferrari está na luta pelo título e terá tudo a perder no caso de um choque com os dois. Se há alguém que precisa tirar o pé do acelerador para evitar de perder uma grande chance de somar muitos pontos é Vettel.

A RBR preparou a surpresa de Cingapura já em Monza. Trocou componentes da unidade motriz (PU) Renault de Max e Ricciardo, sem se importar muito com as punições. O holandês caiu de ótimo segundo no grid para 13º. Ricciardo, de terceiro para 16º. Mas ambos se apresentaram no Circuito Marina Bay, mais favorável a seu carro, com PU nova, portanto podem exigir tudo o tempo todo. Bem, assim pensam.

Sorrisos agora, mas e na hora da largada?  (Foto: Getty Images) Sorrisos agora, mas e na hora da largada?  (Foto: Getty Images)

Sorrisos agora, mas e na hora da largada? (Foto: Getty Images)

E entre Max e Ricciardo o clima é de disputa, principalmente depois do ocorrido na largada do GP da Hungria. Max atrasou demais a freada, tocou em Ricciardo, provocando o abandono do australiano, em uma prova que o pódio parecia uma realidade bem próxima. Ricciardo mostrou o punho a Max do lado do asfalto, fora do cockpit. Agora Ricciardo sabe que Max talvez pense duas vezes antes de provocar novo acidente entre ambos.

O papel de Raikkonen nesse combate múltiplo pode ser decisivo. Larga na segunda fila, atrás de Max. Se ganhar a posição do holandês, a Ferrari terá meio caminho andado, ou mais, para ver Vettel celebrar a vitória. Em Budapeste Raikkonen era mais rápido que Vettel, mas não o ameaçou em nenhum instante. E, mais importante, segurou Hamilton que tinha muita velocidade, bastante focado em ultrapassá-lo para tentar o ataque a Vettel.

Mercedes não tem o mesmo ritmo

É pouco provável que a Mercedes consiga deste sábado para a corrida dispor de um carro rápido e equilibrado, não demonstrado nos dois primeiros dias do GP de Cingapura. Não é permitido mudar o acerto. Assim, Hamilton e Bottas, salvo surpresa, sempre possível, talvez corram no seu bloco. Na frente estarão Ferrari e Red Bull, depois Hamilton e Bottas, e a seguir Nico Hulkenberg, da Renault, sétimo, com a dupla da McLaren a seguir, Fernando Alonso, oitavo, e Stoffel Vandoorne, nono.

Hulkenberg não confirma no domingo as boas performances do sábado, é um problema do modelo RS17 da Renault. E na McLaren o histórico de falta de confiabilidade da PU Honda é ainda mais conhecido. Ao menos o grupo liderado por Zak Brown mostrou que o chassi MCL32 da McLaren é relativamente veloz e equilibrado.

A ausência de resultados está mesmo associada, principalmente, à pouca eficiência da PU Honda. A McLaren fez como a RBR, sacrificou o GP da Itália para dispor de um equipamento em melhores condições em um traçado onde teoricamente pode obter resultados mais favoráveis.

Lewis Hamilton passou apagado no treino classificatório do GP de Cingapura (Foto: Getty Images) Lewis Hamilton passou apagado no treino classificatório do GP de Cingapura (Foto: Getty Images)

Lewis Hamilton passou apagado no treino classificatório do GP de Cingapura (Foto: Getty Images)

Quem pode vir atropelando ao longo das 61 voltas é a dupla da Force India, com um carro mais rápido em condição de corrida que na definição do grid. Sergio Perez larga em 11º e Esteban Ocon, em 14º.

Para se ter uma ideia de como os blocos estão definidos no Marina Bay, Carlos Sainz Júnior, da STR, décimo colocado neste sábado, foi 2s565 mais lento que Vettel. Quase outra categoria.

Os pneus podem ser decisivos, algo que este ano não tem acontecido. Será desafiador completar a prova com um único pit stop. Os estudos da Pirelli sugerem que o piloto, dentre os dez primeiros no grid, por exemplo, terá de se manter com os ultramacios da largada até a 19ª volta, fazer a parada e sair com supermacios para as 42 voltas restantes.

Outra opção, quase tão veloz quanto essa, é largar com ultramacios, realizar o pit stop na 14ª volta e completar as 47 demais voltas com os pneus macios.

Na simulação de corrida de sexta-feira, Max e Ricciardo, além de mais velozes que os pilotos da Ferrari e Mercedes conseguiram maior autonomia dos pneus, pelo equilíbrio do RB13 nesse traçado. Mas, como mencionado, o GP de Cingapura é uma corrida bem particular onde o raciocínio lógico é questionado a todo instante.

O bom do espetáculo é que apesar de Ferrari e RBR disporem dos carros mais rápidos neste domingo, seus pilotos e suas equipes terão de ser precisos em todas as muitas mudanças das condições da disputa para confirmar seu favoritismo.

A largada será às 9 horas, horário de Brasília, 20 horas em Cingapura, competição realizada totalmente no período da noite.

Resultado final - Classificatório - Cingapura (Foto: Reprodução/Twitter) Resultado final - Classificatório - Cingapura (Foto: Reprodução/Twitter)

Resultado final – Classificatório – Cingapura (Foto: Reprodução/Twitter)

CIRCUITOS-F1-Cingapura (Foto: infoesporte) CIRCUITOS-F1-Cingapura (Foto: infoesporte)

CIRCUITOS-F1-Cingapura (Foto: infoesporte)

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