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Sarto na Assembleia: as águas continuam correndo para o mar de Sobral

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

O quadro na Assembleia Legislativa se desenha da seguinte forma: o próximo presidente da Casa deverá ser José Sarto, do PDT. O partido vai indicar ainda o primeiro vice-presidente e o primeiro secretário da Mesa. A eleição de Sarto vem se desenhando desde que Zezinho Alquerque (PDT) deixou a disputa para articular pessoalmente a sucessão e depois assumir o cargo de secretário das Cidades.

Caso se confirme a eleição de Sarto, o grupo comandado por Ciro e Cid Gomes mantém incólume e implacável a hegemonia política no Ceará mesmo que nenhum dos irmãos esteja à frente das duas mais importantes máquinas administrativas e orçamentárias do Estado. No caso, o Governo do Ceará e/ou a Prefeitura de Fortaleza. São postos ocupados por dois fieis escudeiros do grupo que, nem de longe, sugerem emancipar-se.

Na composição do Governo, os Ferreira Gomes souberam jogar xadrez de mestre. Em nome de demandas políticas, assumiram papéis de protagonistas e ocuparam a Secretaria de Planejamento, criada e desenhada para ser a gerentona da fase Camilo II. Lá estará Mauro Filho, economista respeitado, experiente, várias vezes eleito deputado estadual, eleito federal em outubro, politicamente devotado a Ciro e que o serve desde o já longínquo ano de 1989, na Prefeitura de Fortaleza.

Creiam: jamais, em momento algum, Camilo Santana planejou o Planejamento para Mauro Filho. O desejo do governador era outro. Porém, há a política com suas demandas e imposições. Livrar-se de certas obrigações representam um ato de ruptura.

No Planejamento, creiam, Maurinho, é de sua índole, exercerá suas funções com todas as prerrogativas que a pasta já tinha e com as novas de grande abrangência que assimilou na recente reforma. De quebra, Cid bancou Lúcio Gomes, um dos irmãos, para a Secretaria de Infraestrutura. Nada mais, nada menos, a pasta que cuida das obras. O filé de qualquer Governo.

Na sequência, o grupo articulou a saída de Zezinho Albquerque da disputa pelo quarto mandato seguido na Presidência da Assembleia para coloca-lo na Secretaria das Cidades, a pasta que tem a relação mais direta (e de grande cunho político) com as prefeituras. Mas Zezinho só vai assumir após garantir um cidista de carteirinha na presidência do Legislativo estadual. É difícil saber quem é mais cidista, se Sarto ou Zezinho.

A Assembleia, sabemos bem, é ponto crucial para que um governador tenha vida política tranquila ou um inferno cotidiano.

É importante citar ainda que a Secretaria de Turismo, estratégica para o Estado, geralmente com agenda positiva, tem à frente Arialdo Pinho, um velho amigo de Ciro Gomes e tesoureiro das campanhas de Cid I, Cid II e Camilo I.

Trocando em miúdos, as águas continuam correndo para o mar de Sobral.

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