Ouvir Rádio: Rádio Senado | Rádio Câmara Fale Conosco

Ceará está há seis meses sem ocorrências locais de sarampo: ‘Casos registrados foram importados’, diz secretaria

0

Desde março de 2020, o Ceará não registra novos casos confirmados de sarampo, segundo a Secretaria de Saúde Estadual. Entre janeiro e o começo de setembro deste ano, sete ocorrências da doença foram contabilizadas: seis em março e uma em fevereiro. Os casos aconteceram nas cidades de Cariré e Farias Brito e, segundo a coordenadora de imunização da pasta, Carmen Osterno, seriam “importados” de outras regiões.

“Todos eles têm ligação ou com viagem para fora do Estado ou tiveram contato com alguém que viajou para fora, são ‘importados’. Não tivemos registro confirmados de casos autóctones, que são aqueles que surgem no nosso território, sem relação com outros infectados de fora”, explica Carmen.

A quantia, contudo, diverge do valor divulgado em junho pela secretaria. Na ocasião, o último boletim epidemiológico sobre a doença apontava três casos da infecção no estado, todos acontecidos no primeiro trimestre. Mas as informações estão alinhadas com o boletim epidemiológico nacional mais recente da doença, publicado pelo Ministério da Saúde em 9 de setembro. O registro contabiliza os casos entre janeiro e agosto de 2020 e também coloca o Estado com apenas três casos.

Por isso, o órgão considera o Ceará como uma das 16 unidades federativas a interromper a cadeia de transmissão. Mas, de acordo com a coordenadora, a doença a nível estadual se encontra “apenas controlada”.

“É uma situação que é medida a nível nacional antes de ser medida em nível estadual. Não podemos falar em eliminação ou em erradicação se existe circulação viral em outros estados. A gente não pode considerar o Ceará, apenas. Quando tivemos reativação do vírus, é vindo de outro Estado”, conclui.

A divergência com os dados anteriores, explica Carmen, é decorrente de análise mais aprofundada de algumas ocorrências. “Os últimos resultados foram confirmados recentemente depois de avaliação da Fiocruz. Como o sarampo é muito parecido com outras doenças, só consideramos positivo quando eles isolam o vírus”, ressalta Carmen. Vinculada ao Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é uma instituição de pesquisa brasileira e recebe, de todo o País, materiais para análise.

Queda

A circulação da doença no Estado, em relação ao ano anterior, é menor. Entre janeiro e setembro de 2019, de acordo com a Sesa, o Ceará registrou 15 casos da infecção. Mas diferente do percebido em 2020, com todos os casos no primeiro trimestre, as ocorrências do ano passado estão na segunda metade do ano: foram oito registros em agosto e três em setembro. As outras ocorrências aconteceram em fevereiro (3) e março (1).

Carmen explica que o aparecimento das infecções na segunda metade do ano não tem relação com a sazonalidade da doença. O percebido em 2019 seria pontual. “Não trabalhamos com sazonalidade aqui no Ceará desde que começamos a aplicar as vacinas. Os casos foram diminuindo. O que acontece é que a doença está relacionado ao inverno. Pode ter acontecido de os casos diagnosticados aqui terem viajado para regiões com período chuvoso no segundo semestre. Daí, o aumento”, elabora.

Prevenção

Cumprir com o calendário de é fundamental, diz Carmen. “Principalmente os adultos com idade entre 20 e 49 anos. Essa é a parcela sempre mais afetada”, avisa Carmen. Na avaliação da coordenadora, somente a partir da imunização se chegaria à erradicação.

“Não existe outro jeito de barrar a infecção. Somente com a vacina, com a imunização. A campanha de vacina contra o sarampo segue até o dia 31 de outubro. A população precisa estar ciente da importância dessa dose para evitar ampla contaminação”.

A Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza (SMS) prorrogou a campanha de vacinação contra o sarampo até o dia 31 de outubro. O foco da campanha continua sendo pessoas de 20 a 49 anos de idade. De acordo com o órgão, o público contemplado pode ser vacinado em qualquer um dos 115 postos de saúde da Capital, das 7h30 às 18h30.

“Quem nunca foi vacinado ou não sabe se foi vacinado deve procurar o posto de saúde para receber a vacina, para evitar um surto da doença no município”, afirma Vanessa Soldatelli, coordenadora de imunização da SMS.

A vacina tríplice viral, que atua contra sarampo, caxumba e rubéola, faz parte da rotina de imunização e, por isso, está disponível durante todo o ano nos Postos de Saúde. O esquema vacinal compreende duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (sarampo-caxumba-rubéola-varicela). Em situação de surto da doença, a dose zero é instituída para crianças a partir de 6 meses de idade, sob orientação do Ministério da Saúde.

Dos cinco até os 29 anos, são indicadas duas doses, com intervalo de 30 dias. Já dos 30 até os 59 anos, uma dose é suficiente. A avaliação da necessidade de vacinar ou não é feita pelos profissionais que atuam nos postos, a partir da avaliação da caderneta de vacinação do usuário.

Compartilhe

Deixe um comentário