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460 pessoas com autismo devem ser remanejadas após fechamento da Casa da Esperança

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Dezenas de mães, pacientes e funcionários da Casa da Esperança protestaram contra o fechamento da instituição. A manifestação aconteceu na tarde desta quinta-feira, 17, na porta do Núcleo do Ministério da Saúde no Ceará, que fica no Centro da Capital. Servidores informaram que os 460 pacientes com autismo, atendidos até dezembro, serão remanejados a outras unidades de saúde. 

Foto: Lucas Braga/O POVO

Os manifestantes reclamam que, mesmo que sejam abertas novas possibilidades para o atendimento, não há um centro de referência especializado no autismo, muito menos um local que concentre as especialidades necessárias, como Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Psiquiatria, Fonoaudiologia, Pedagogia, dentre outras.  Gracimeire Mendonça é mãe de um paciente de 16 anos, atendido pela Casa há 11. Eles vieram de Mossoró (RN) e passaram a morar em Fortaleza para receber o atendimento. “Ele é autista clássico e precisa de medicamentos e tratamento contra automutilação e Transtorno Obsessivo Compulsivo. A Casa ajudava em tudo isso e o prefeito mandou fechar. Agora vamos pra onde?”, provoca. 

Entenda O Sistema Único de Saúde (SUS) repassou recursos à Prefeitura de Fortaleza. Os pagamentos à Casa não foram feitos por inadequações burocráticas, já que a instituição acumula R$ 4 milhões em impostos. E, pela lei, a Prefeitura não pode firmar convênio com devedores. Leia mais aqui.  O último atendimento registrado ocorreu no dia 28 de dezembro. Desde então, os 460 pacientes estão desassistidos. Carla Adriana Schimming, agente terapêutica e mãe de dois autistas, conta que o repasse das verbas foi cortado mas nenhuma solução foi apontada, inclusive aos salários atrasados de funcionários, dívida que soma quase R$ 1 milhão, de acordo com ela.  “Meus filhos de 21 e 29 anos estudam lá desde pequenos. Era o único lugar que recebia autistas, com qualidade no atendimento. Vinha gente de fora buscando atendimento na Casa da Esperança”, conta Carla.   Cristina Beatriz, 21, tem autismo e é paciente da instituição junto ao irmão. “Lá, a gente é acolhida de forma total, porque acolhem nossas diferenças. O impacto do fechamento da Casa é muito grande. Autoridades, nos escutem”, peticiona.  Alexandre Mapurunga, assessor técnico da Casa, conta que a proposição recebida foi de a instituição articular parceria para assumir os serviços oferecidos. Ou seja, outra pessoa jurídica assumir as responsabilidades fiscais da entidade. “As dívidas foram causadas pela própria Prefeitura: os valores repassados não custeavam os procedimentos. Foi uma defasagem histórica”, pontua.  O POVO Online entrou em contato com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) por volta das 14 horas e aguarda retorno sobre o assunto.

LUCAS BRAGA /o povo

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