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ANGÉLICA SOBRE ANO SABÁTICO FORA DA TV: “EU PRECISAVA DESSE TEMPO DE REABASTECIMENTO PARA NÃO PIRAR”

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Há um ano, Angélica fez uma pausa na carreira. A apresentadora saiu do ar com o fim do Estrelas, que comandou por mais de uma década, e encarou um bem-vindo sabático, dedicado ao autoconhecimento e a entender o que quer – ou não. “É tal do ócio criativo que as pessoas falam que eu não sabia que existia”, diverte-se ela, que conversou com QUEM na gravação do Vai que Colano qual ela faz uma participação na sétima temporada. “Eu precisava desse tempo de reabastecimento para não pirar mesmo. Eu precisada viver essa coisa da falta de obrigação porque era uma responsabilidade que eu comprei com quatro anos de idade. É muito cedo”, explica Angélica, tem aproveitado para se dedicar aos três filhos com Luciano HuckJoaquim, de 14; Benício, de 11; e Eva, de 6.

Trabalhando desde a infância e emendando um trabalho no outro desde o final dos anos 80, a apresentadora conta que a nova rotina tem surpresas (“Sessão da Tarde eu nunca tinha visto”) e muito muito aprendizado – inclusive de que a agenda não está tão livre assim. “Outro dia falei para o Luciano ‘como que eu dava conta, se agora sem gravar eu estou pirando?’”, lembra, contando que está vivendo intensamente a dinâmica da escola das crianças e a adolescência de Joaquim. “Mães de criança pequena, aproveitem muito porque a adolescência é muito difícil!”, avisa, bem-humorada.

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Aos 45 anos, casada há 15, Angélica aproveitou para o  sabático para se “alimentar” internamente, com muita leitura e um curso de neurolinguística. “Tenho lido muito sobre todos esses gurus indianos e vários tipos de meditações do mundo inteiro. Não tô hippie, mas eu tenho lido bastante sobre essa vida oriental que que tem uma carga espiritual bem mais forte do que a nossa”, explica ela em um bate-papo franco.

As pessoas cobram que você volte à televisão?
Todos os dias, todas as pessoas.  No seis primeiros meses eu falava ‘ah, gente, acabei de parar, não precisa essa cobrança”. Eu me sinto um pouco pressionada porque qualquer lugar que eu vá é ‘ai, tem que voltar o seu programa, quando é que volta, Angélica você tem que estar na TV’.  É uma cobrança que eu me policio muito para que não vire a minha cobrança. De tanto falarem eu fico também nessa pilha, e é justamente disso que estou fugindo. Não quero essa pressão. Mas ao mesmo tempo, é uma delícia porque você se sente super amado e super querido. É uma sensação meio de missão cumprida.

Angélica e Luciano Huck e filhos (Foto: Reprodução)

Você estava cansada do Estrelas?
Não do formato, que eu amava o programa, mas a rotina era cansativa. A gente tinha um programa de 40 minutos aos sábados e gravava quase todos os dias, porque a gente viajava e se, por exemplo, acontecia do William Bonner poder falar em determinado dia, era naquele dia que ia ter gravação. Era uma rotina maçante, de você não poder mais coordenar sua história. Essa falta de controle estava me incomodando um pouquinho sim. Eu acho que foi muito bom. Tudo foi maravilhoso, o tempo foi certo, e eu acho que sempre na minha vida foi assim.

Foi difícil decidir parar?
Não. A gente começou a tentar mudar o programa, tudo meio lento, vamos fazer o quê, vamos tirar do ar? Era realmente um desgaste mais meu, da equipe, da própria TV Globo. Como é sair do ar. Vamos tirar do ar. Vamos ver o que acontece. Vamos reavaliar as coisas. Foi muito bom.

Como está sendo esse ano fora do ar?
É o tal do ócio criativo que as pessoas falam que eu não sabia que existia (risos). Estou aproveitando essa oportunidade para me conhecer melhor e saber o quero fazer e o porquê. Estou vivendo esse meu autoconhecimento muito intensamente, fazendo um monte de coisas que eu nunca tinha feito.  E estou muito dedicada às crianças que estão numa fase que tem muita coisa. Afinal, é um adolescente, pré-adolescente e outra pequenininha.

Angélica e Luciano Huck (Foto: Reprodução / Instagram)

Era puxado antes dar conta da rotina deles?
Eu já levada e buscava na escola mesmo gravando, quando eu amamentava voltava para casa para dar o segundo peito, o terceiro peito. Outro dia falei para o Luciano ‘como que eu dava conta, se agora sem gravar eu estou pirando?’ (risos). Meus filhos me veem mais casa, mas das coisas importantes sempre participei; as festas, as reuniões. Eu  enlouquecia, mas eu ia e fazia.

A dinâmica com seus filhos então não mudou muito.
Não. Posso estar conseguindo botar para dormir mais vezes. O que acontece é que eu poderia buscar mais na escola, mas aí estou em casa fazendo as minhas coisas. Essa liberdade passa por eles também, mas não é que agora eu não estou gravando que eu vou virar uma coisa para eles só. Não, a vida continua de outra forma. Essa coisa da mulher… Tem uma coisa meio machista nossa mesmo, né, de ou você é uma coisa ou você é outra. Você pode ser muitas coisas e fazer tudo bem. A gente consegue.

Joaquim tem 14 anos. Como é ser mãe de um adolescente no mundo de hoje?
Deus é maravilhoso porque esse é um momento em que se estivesse trabalhando muito eu estaria muito perturbada porque eu estou muito louca com essa história. Olha, mães de criança pequena, aproveitem muito porque a adolescência é muito difícil! É difícil para eles e é difícil para quem está do lado deles. Hoje os adolescentes têm acesso a coisas muito barra pesada na internet, está lá tudo. E você tem que estar junto, tem que ter muito diálogo. Eu tenho essa sorte de estar muito do lado dele acompanhando, vendo as festinhas, as namoradinhas. Estou nos grupos de mães e todas ficam loucas juntas (risos).

Angélica e o filho, Joaquim (Foto: Reprodução / Instagram)

Você olha WhatsApp do Joaquim, por exemplo?
(risos) Eu fazia isso antes, agora ele está com 14 anos e decidimos que não (vamos ler). Confio nele e não vejo. Mas o do Benício eu ainda vejo, e ele sabe, é ‘tenho sua senha e vou ver’. Eu tenho a senha de todos na verdade. Não olho todo dia, mas dou aquela batida de vez em quando. Eles têm Instagram fechado e falam que querem ter canal no YouTube. Aí expliquei ‘olha, vocês podem ter, mas vai ter um monte de fã da mamãe e do papai que vai falar besteira’. Então eles têm canais fechados.

Você identifica em seus filhos a sua veia artística e do Luciano?
O Joaquim gosta muito de bastidores, tanto que foi com o pai para a Coreia. O Benício é artista. Ele é sensível, toca piano bem para caramba, gosta de fotografar, escreve coisinhas lindas, é artista na essência do artista. Eu não sei o que ele vai fazer com essa arte, mas tem essa veia nele. E Eva faz tudo, teatro, jazz, balé… Ela é uma ‘artistinha’ mini. Mas é da idade. Eu não sei isso é dela ou se é a onda das amiguinhas. Mas que ela realmente do frege ela gosta (risos).

Como você definiria cada filho seu em uma palavra?
Joaquim é um senhor, ele é um homem sério. Benício é um cara sensível, com uma sensibilidade muito bacana. E a Eva é uma alegria. Ela é leve, ela ela chega com uma luz.

O que cada um tem seu e do Luciano?
O Joaquim tem muito da minha introspecção, o Benício tem muito da minha sensibilidade, e a Eva tem muito da minha gaiatice. E, em relação ao pai, o Joaquim tem muito da seriedade do Luciano, Benício tem muito da sagacidade e também gosta de gente. Já a Eva tem uma rapidez de raciocínio que eu acho muito parecida com a do pai.

Luciano Huck e Angélica com filhos (Foto: ROBERTO FILHO / BRAZIL NEWS)

O que é o mais difícil na maternidade?
Hoje o mais difícil é você saber equilibrar. Eles têm muita informação, e a questão é como a gente pode deixá-los no mundo atual e ao mesmo tempo tentar preservá-los e mantê-los crianças em algumas coisas. Como trazer uma vida saudável para eles com tanta informação não saudável que tem por aí e sem também tirar eles da realidade? Não dá para dizer que não tem mais computador quando todos os amigos usam, quando se aprende com o computador. É um exercício. É a profissão mais difícil de todas, é o trabalho mais árduo, sem dúvida alguma. A gente a gente vai aprendendo com eles também. Ninguém sabe o que vai dar, mas vai dar certo porque tem amor.

O tempo livre também teve um impacto positivo no casamento?
Mesmo os dois trabalhando muito eu ia nas gravações do Luciano, e ele ia nas minhas. A gente deu um jeito de conciliar tudo, foi assim por 15 anos e sempre deu muito certo. Agora a gente consegue estar bastante junto porque eu não tenho a minha rotina de gravação e quando eu posso estou mais disponível para estar na dele. Mas isso nunca foi um problema. A gente conciliava o trabalho, tirava duas férias por ano, tinha os feriados. Então em relação ao relacionamento não mudou muito.

De que forma você se alimentou nesse um ano fora?
Eu quis aperfeiçoar meu inglês, fiz aulas e parei. E eu queria ler. Eu sempre falava isso e pessoas diziam ‘mas ler é fácil’. Mas não é. Com com três filhos, um programa, um marido que também exige bastante, como é que você lê? E eu consegui ler coisas que eu gosto. Tenho buscado muito o meu interior, a minha essência.

Angélica (Foto: Reprodução/Instagram)

Como?
Com meditação, com a ioga. Também tenho feito também um curso de neurolinguística que é legal até para o trabalho que eu faço na televisão. É uma ferramenta a mais para a minha vida. Tenho lido muito sobre todos esses gurus indianos e vários tipos de meditações do mundo inteiro. Não tô hippie, mas eu tenho lido bastante sobre essa vida oriental que que tem uma carga espiritual bem mais forte do que a nossa. É cuidar do meu interior e da minha cabeça. Hoje ou a gente começa cuidar da cabeça ou a gente não aguenta e vai explodir.

E do corpo, também aproveitou para cuidar com mais intensidade?
Claro que com mais tempo a gente consegue cuidar mais da beleza, apesar de eu cada vez mais achar que a beleza vem de dentro para fora. Mas tenho uma dermatologista de muitos anos, Karla Assed, e fiz alguns aparelhos novos desses que foram lançados agora para estimular colágeno. Eu sou bem careta para coisas muito invasivas e faço tudo mais leve. Compro ou manipulo os cremes que ela manda, e estou sempre fazendo massagem e drenagem no corpo. Tenho feito pilates, ioga, e também tem meu muay thai, religiosamente.

A gente vê você malhando com as amigas, com a Carolina Dieckmann, com a Grazi…
A gente malha a língua para caramba, a gente fala muito. Não sei como o Chico(Salgado, personal)  aguenta, é só mulher (risos). Mas ele se diverte.

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