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Centro de Inteligência do Nordeste combate facções e quadrilhas de assalto a banco no 1º ano de serviço

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Centro de Inteligência atuou na mais violenta onda de ataques já registrada no Ceará, que resultou na prisão de 230 pessoas — Foto: Camila Lima/Sistema Verdes MaresCentro de Inteligência atuou na mais violenta onda de ataques já registrada no Ceará, que resultou na prisão de 230 pessoas — Foto: Camila Lima/Sistema Verdes Mares

Centro de Inteligência atuou na mais violenta onda de ataques já registrada no Ceará, que resultou na prisão de 230 pessoas — Foto: Camila Lima/Sistema Verdes Mares

Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública Regional do Nordeste (CIISPR-NE), sediado em Fortaleza, trocou mais de 1 mil documentos com outras agências de inteligência da região e da Federação, no primeiro ano de funcionamento, segundo informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Os dados auxiliaram no combate a facções que promoveram ondas de ataques no Ceará e contra quadrilhas que atacam bancos no Nordeste.

O principal foco do Centro de Inteligência é o combate ao crime organizado, principalmente às quadrilhas interestaduais. Atuam no equipamento servidores das polícias estaduais, Sistema Penitenciário, Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Secretaria Nacional de Política Sobre Drogas (Senad), Ministério Público e Poder Judiciário.

“Além de assessorar os gestores de inteligência da Região Nordeste e tornar o fluxo de informações entres as Agências de Inteligência estaduais mais rápida, o CIISPR-NE também tem como objetivo fortalecer a atividade de inteligência na região, através de fomento à produção de conhecimento qualificada e da capacitação de membros da segurança pública, com cursos voltados para área”, afirma o Ministério, em nota.

Força Nacional deu apoio às equipes de segurança cearenses durante duas ondas de ataques ocorridas no estado — Foto: Natinho Rodrigues/SVMForça Nacional deu apoio às equipes de segurança cearenses durante duas ondas de ataques ocorridas no estado — Foto: Natinho Rodrigues/SVM

Força Nacional deu apoio às equipes de segurança cearenses durante duas ondas de ataques ocorridas no estado — Foto: Natinho Rodrigues/SVM

Segundo a pasta federal, o Centro colaborou para o enfrentamento a “duas ‘crises’ no Estado do Ceará, em que membros de organizações criminosas afrontavam o Estado com ações contra órgãos públicos e privados. Durante essas ondas de ataques ocorridas nos meses de janeiro e setembro, o CIISPR-NE apoiou os órgãos de Segurança Pública no que foi necessário, com informações estratégicas para auxiliar no processo decisório e fazer cessar as agressões ao Estado”.

Em janeiro deste ano, facções criminosas se voltaram contra as forças de segurança do Ceará e promoveram a maior série de ataques criminosos da história do Ceará. Foram mais de 200 ocorrências. Com apoio de tropas nacionais e de outros estados, o Estado capturou mais de 400 suspeitos e transferiu líderes das organizações criminosas para presídios federais.

A motivação das facções era o anúncio de um endurecimento no sistema penitenciário cearense. Em setembro, as mudanças realizadas nos presídios motivaram pelo menos 110 ataques. Cerca de 230 suspeitos foram capturados.

A Secretaria da Segurança do Ceará informou, em nota, que o equipamento traz um impacto positivo direto no combate a crimes interestaduais, como roubo a banco e roubo de cargas, e a grupos criminosos organizados com atuação em vários estados. Para a SSPDS, o Centro também facilita a troca de informações relativas a sistemas penitenciários.

Informações sigilosas

Mais de 200 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento em onda de ataque no Ceará — Foto: Divulgação/SSPDSMais de 200 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento em onda de ataque no Ceará — Foto: Divulgação/SSPDS

Mais de 200 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento em onda de ataque no Ceará — Foto: Divulgação/SSPDS

O funcionamento do Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública Regional do Nordeste é tratado com sigilo pelas forças de segurança federais e estaduais. O Ministério da Justiça e a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) não concederam entrevista sobre o assunto, por medida de segurança. O acesso ao equipamento também não foi permitido.

Sobre os desafios a serem enfrentados, a Secretaria da Segurança apontou a integração da base de dados como um dos gargalos. “Cada estado tem seus sistemas informatizados de inteligência e é papel do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) promover essa integração. O Estado do Ceará tem um papel fundamental nesse trabalho com a confecção do Big Data Odin. A ferramenta tecnológica reúne dados de cerca de 100 sistemas dos órgãos de Segurança Pública do Estado e de instituições parceiras, que foram remodelados para fornecer as informações em tempo real e facilitar o processo de investigação, inteligência e tomada de decisão.”

Conforme a SSPDS, o Big Data Odin é capaz de analisar milhares de dados à disposição dos gestores através de um painel analítico, que tem o nome de Cerebrum. O trabalho desenvolvido no Estado do Ceará é utilizado como modelo por outras unidades da federação e serviu de base para a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para a construção de um modelo nacional, como parte do projeto piloto de enfrentamento à criminalidade “Em Frente Brasil”, do Governo Federal.

Investimento

Centro de Inteligência funciona no Palácio de Iracema, em Fortaleza, e serve informações aos outros estados do Nordeste. A promessa inicial do MJSP era de investir R$ 15 milhões no equipamento e reunir 38 bancos de dados, nacionais e internacionais, para a investigação policial.

O então ministro Raul Jungmann visitou a capital cearense para inaugurar o Centro, com a presença de governadores da Região, inclusive Camilo Santana, em 7 de dezembro de 2018.

O lançamento do equipamento aconteceu horas depois do episódio que ficou conhecido como Tragédia em Milagres. A ação da Polícia Militar do Ceará (PMCE) para evitar ataques a dois bancos, no município cearense, matou 14 pessoas, sendo seis reféns.

Por Messias Borges, G1 CE

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