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Aras convida para voltarem a seus postos procuradores que se desligaram da Lava Jato

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O subprocurador Augusto Aras, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar o cargo de novo procurador-geral da República, convidou para voltar aos postos parte da equipe da Lava Jato que pediu desligamento da operação.

Ao deixar a Lava Jato, o grupo argumentou que tinha “grave incompatibilidade de entendimento” com medidas da atual procuradora-geral, Raquel Dodge, cujo mandato termina no próximo dia 17. Se tiver o nome aprovado pelo Senado, Aras assumirá a chefia do Ministério Publico Federal (MPF).

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, enviou uma mensagem a um grupo de e-mails de procuradores nesta sexta-feira (13). Nela, ele elogiou a iniciativa de Aras de convidar os colegas procuradores de volta a equipe.

No texto, Dallagnol explicou ainda que teve um primeiro contato com Aras, no qual o subprocurador teria expressado o “compromisso de manter e até fortalecer o trabalho das forças-tarefa”.

Os integrantes aos quais Dallagnol faz menção são os procuradores Herbert Mesquita, Victor Riccely, Maria Clara Noleto, Alessandro Oliveira e Luana Vargas, parte do grupo que pediu desligamento da operação. O procurador ainda menciona um sexto nome, de Thamea Danelon, que teria sido convidada por Aras para reforçar a equipe.

Segundo a assessoria de Augusto Aras, o convite para retorno de parte da equipe da Lava Jato foi um pedido de Thamea Danelon. Aras aceitou. “São excelentes profissionais e ficarei contente se integrarem a equipe na PGR”, disse Deltan Dallagnol no e-mail aos procuradores.

De acordo com a mensagem do coordenador da Lava Jato em Curitiba, Aras também teria dito que há abertura para diálogo e disposição para uma atuação coordenada da operação de combate à corrupção na Petrobras entre a primeira instância e os tribunais superiores.

“É importante o trabalho conjunto para continuar expandindo as investigações para responsabilizar criminosos e recuperar recursos, dentro da nossa atribuição”, afirmou Dallagnol no grupo de e-mails.

No início da mensagem, Dallagnol pondera que sempre foi a favor da lista tríplice, a eleição interna do MPF que dá respaldo da categoria à escolha do PGR, e lamentou que a opção de Bolsonaro tenha sido de um nome de fora dela.

“Manifestei-me diversas vezes em apoio à lista tríplice, uma ideia/prática que merece ser fortalecida e institucionalizada. Contudo, a indicação foi feita e tudo aponta que se consolidará”, diz o procurador.

O procurador finaliza a mensagem dizendo que os desafios do MPF e do combate à corrupção são imensos. Apesar disso, deseja que eles possam “construir o futuro mediante o diálogo e a cooperação”.

Críticas de procuradores

Alguns procuradores estranharam o mensagem enviada por Dallagnol no grupo de e-mail do MPF. Segundo um investigador, o envio da mensagem, com a informação sobre os procuradores da Lava Jato, acabou acontecendo antes de Augusto Aras de dar publicidade ao convite.

Para outro procurador, apesar de Dallagnol ter feito “um trabalho magnífico” na Lava Jato, o coordenador da força-tarefa não representa a instituição ou mesmo a operação, que seria “patrimônio do MPF”.

“Não entendo como você vem à rede falar em nome da LJ [Lava Jato] para querer dialogar com o PGR, como se fosse representante do combate à corrupção dentro do MPF”, completou.

Por Matheus Leitão

Matheus Leitão recebeu o Prêmio Esso duas vezes. Trabalhou, entre outros, em ‘Época’, e ‘Folha de S.Paulo’.

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