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Bibi Ferreira, diva dos musicais brasileiros, morre aos 96 anos

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Por G1 Rio

Morre Bibi Ferreira, atriz e diretora, no Rio de Janeiro

Morre Bibi Ferreira, atriz e diretora, no Rio de Janeiro

A atriz e cantora Bibi Ferreira, diva dos musicais brasileiros, morreu nesta quarta-feira (13), aos 96 anos, no Rio. Também apresentadora, diretora e compositora, ela foi um dos maiores fenômenos artísticos do país.

Segundo Tina Ferreira, filha única de Bibi, a artista morreu no início da tarde em seu apartamento no Flamengo, Zona Sul do Rio. A atriz acordou e a enfermeira que a acompanhava percebeu que o batimento cardíaco estava baixo e, por isso, chamou um médico. Tina acredita que a mãe morreu dormindo.

‘Ela viveu exclusivamente para o palco’, diz filha de Bibi Ferreira

‘Ela viveu exclusivamente para o palco’, diz filha de Bibi Ferreira

“Ela amanheceu normal, acordou tomou seu café da manhã e tudo. Depois ela só se queixou que estava se sentindo um pouco com falta de ar. Então como tem enfermeira, tem tudo, tiramos a pressão, o pulso estava fraco. Imediatamente chamamos o Pró-Cardíaco. Eles vieram muito rápido, muito rápido mesmo, ambulância, médico, tudo, mas quando chegaram ela já tinha partido. Ela morreu dormindo, tranquila”, explicou Tina.

A Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa informou que o velório vai ser no Theatro Municipal do Rio. A cerimônia, aberta ao público, ocorre de 10h às 15h. Depois, o corpo de Bibi deve ser cremado.

A atriz Bibi Ferreira em imagem de julho de 2015 — Foto: Nilton Fukuda/Estadão ConteúdoA atriz Bibi Ferreira em imagem de julho de 2015 — Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

A atriz Bibi Ferreira em imagem de julho de 2015 — Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

Berço artístico

Bibi Ferreira morre aos 96 anos
Estúdio i
Bibi Ferreira morre aos 96 anos

Bibi Ferreira morre aos 96 anos

Abigail Izquierdo Ferreira nasceu em 1º de julho de 1922. Filha de um dos maiores nomes das artes cênicas do Brasil, o ator Procópio Ferreira (1889-1979), e da bailarina espanhola Aída Izquierdo, Bibi – apelido que ganhou ainda na infância – estreou nos palcos com pouco mais de 20 dias de vida.

Em cena, ela apareceu no colo da madrinha, Abigail Maia, em encenação de “Manhãs de sol”, de Oduvaldo Vianna (1892-1972).

Bibi Ferreira com o pai, Procópio Ferreira, em 1978 — Foto: TV GloboBibi Ferreira com o pai, Procópio Ferreira, em 1978 — Foto: TV Globo

Bibi Ferreira com o pai, Procópio Ferreira, em 1978 — Foto: TV Globo

Artista multimídia, Bibi ao longo da carreira fez filmes, apresentou programas de TV, gravou discos e dirigiu shows. Tudo sem nunca abandonar o teatro, uma grande paixão.

Também foi enredo da Viradouro no Carnaval do Rio em 2003. Recentemente, teve a vida e obra contadas no espetáculo “Bibi, uma vida em musical”, escrito por Artur Xexéo e Luanna Guimarães, com direção de Tadeu Aguiar. Na montagem, a protagonista foi interpretada por Amanda Costa.

Em março de 2018, já aos 95 anos, Bibi foi assistir a uma apresentação do musical, então em cartaz em um teatro no Rio e fez o público se emocionar ao chorar cantando, da plateia e sem microfone, uma música de Edith Piaf (1915-1963).

Bibi Ferreira durante entrevista com Roberto D'Avila  — Foto: Tata Barreto/GloboBibi Ferreira durante entrevista com Roberto D'Avila  — Foto: Tata Barreto/Globo

Bibi Ferreira durante entrevista com Roberto D’Avila — Foto: Tata Barreto/Globo

A própria Bibi interpretou a cantora francesa com maestria em um musical de enorme sucesso no Brasil e em Portugal. O trabalho minucioso foi considerado tão perfeito que mesmo pessoas que conheceram Piaf se espantaram com o nível de semelhança.

Com o espetáculo, Bibi conquistou os principais prêmios do teatro nacional, como Molière, Mambembe, Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), Governador do Estado e Pirandello. Foram apenas alguns dos muitos prêmios que colecionou ao longo das décadas de carreira.

Relembre momentos da carreira de Bibi Ferreira
G1 Pop&Arte
Relembre momentos da carreira de Bibi Ferreira

Relembre momentos da carreira de Bibi Ferreira

TV

Em 1960, Bibi inaugurou a TV Excelsior com o programa ao vivo “Brasil 60”, que levou à TV os maiores nomes do teatro. A atração mudaria de nome nos anos seguintes (“Brasil 61”, depois “Brasil 62” e assim por diante).

Na mesma emissora, também apresentou o programa “Bibi sempre aos domingos”. Em 1968, estrelou o musical “Bibi ao vivo” – com direção de Eduardo Sidney, o programa era transmitido do auditório da Urca.

Musicais

Ainda nos anos 1960, Bibi estrelou outros dois dos musicais mais marcantes de sua carreira. O primeiro foi “Minha querida dama” (“My fair lady”), de Frederich Loewe e Alan Jay Lerner, adaptação de “Pigmaleão”, de George Bernard Shaw. No espetáculo, atuou ao lado de Paulo Autran (1922-2007) e Jaime Costa (1897-1967).

O outro trabalho marcante foi “Alô, Dolly!” (Hello, Dolly!), versão da obra “The matcmaker”, de Thornton Wilder, com Hilton Prado e Lísia Demoro.

Já na década de 1970, Bibi foi o principal nome de “O homem de La Mancha”, musical de Dale Wasserman dirigido por Flávio Rangel e com letras adaptadas para o português por Chico Buarque.

Marca no Canecão

Tina Ferreira e Bibi Ferreira — Foto: Bazilio Calazans/TV GloboTina Ferreira e Bibi Ferreira — Foto: Bazilio Calazans/TV Globo

Tina Ferreira e Bibi Ferreira — Foto: Bazilio Calazans/TV Globo

A artista deixou ainda seu nome marcado na casa de shows Canecão, no Rio, ao dirigir o espetáculo “Brasileiro, profissão esperança”, de Paulo Pontes e Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), produção inspirada na obra do compositor Antonio Maria.

No início, o show foi concebido em escala menor para ser apresentado em boates, com Ítalo Rossi e Maria Bethânia nos papéis centrais. Mas depois o musical foi reformulado e ampliado. Passou, então, a ser protagonizado por Paulo Gracindo e Clara Nunes, transformando-se em um dos maiores sucessos da história do Canecão.

Em 1975, Bibi recebeu o Prêmio Molière pela interpretação da personagem Joana, de “Gota d’água”, de Paulo Pontes e Chico Buarque, montagem que ambientava a tragédia “Medeia”, de Eurípedes, em um morro carioca.

Amália

No início dos anos 2000, Bibi Ferreira fez mais um trabalho impressionante ao interpretar a fadista Amália Rodrigues (1920-1999) no espetáculo “Bibi vive Amália”.

Em seguida, Bibi apresentou dois recitais, “Bibi in concert” e “Bibi in concert pop”, nos quais se apresentou acompanhada por orquestra e coral.

Vida reservada

Admirada pelo público e adorada e respeitada pelos colegas, Bibi sempre manteve uma rotina discreta, evitando a exposição de detalhes de sua vida pessoal – raras eram suas aparições em eventos sociais.

Segundo amigos mais próximos, quando estava fora dos palcos, Bibi preferia passar o tempo em seu apartamento no Flamengo. Teve vários casamentos e apenas uma filha, Teresa Cristina.

Afastamento

“Nunca pensei em parar. Essa palavra nunca fez parte do meu vocabulário, mas entender a vida é ser inteligente. Fui muito feliz com minha carreira. Me orgulho muito de tudo que fiz. Obrigada a todos que de alguma forma estiveram comigo, a todos a que me assistiram, a todos que me acompanharam por anos e anos. Muito obrigada! Bibi.”

Com essas palavras, atribuídas a Bibi Ferreira em comunicado publicado em rede social, a atriz e cantora carioca anunciou, em 10 de setembro de 2018, que encerrava uma das carreiras mais gloriosas construídas por uma artista no Brasil e no mundo.

Aos 96 anos, a artista se retirou voluntariamente de cena para preservar a saúde após três sucessivas internações.

De acordo com a nota, Bibi disse que não iria mais se apresentar nos palcos como atriz e/ou cantora. Tampouco daria entrevistas, nem mesmo por e-mail, como vinha fazendo nos últimos tempos.

‘Ela viveu exclusivamente para o palco’, diz filha de Bibi Ferreira

‘Ela viveu exclusivamente para o palco’, diz filha de Bibi Ferreira

Tina Ferreira, única filha da atriz, cantora e diretora Bibi Ferreira, falou sobre a a mãe, que morreu na tarde desta quarta-feira (13). Segundo ela, o palco era o local onde Bibi se sentia mais protegida.

“Minha mãe costumava dizer que, no palco, ela não era atingida por nada. Era o momento de encontro dela com Deus. Ela também sempre falou que vivia para o público, o grande amor da vida dela”.

Tina lembrou também dos últimos momentos da mãe.

“Ela amanheceu normal, acordou tomou seu café da manhã e tudo. Depois ela só se queixou que estava se sentindo um pouco com falta de ar. Então, como tem enfermeira, tem tudo, tiramos a pressão, o pulso estava fraco. Imediatamente chamamos o Pró-Cardíaco. Eles vieram muito rápido, muito rápido mesmo, ambulância, médico, tudo, mas quando chegaram ela já tinha partido. Ela morreu dormindo, tranquila”.

Segundo Tina, a vitalidade e a capacidade de atuar e cantar que a mãe manteve, mesmo em idade avançada, não podiam ser explicadas.

“Nem os médicos entendiam como ela conseguia. Era uma coisa da minha minha mãe, mesmo. E como diretora, era muito generosa e também bastante severa. Na cadeira de direção, você tem que ser assim porque, do contrário, o espetáculo não aconteceria”.

Tina disse, ainda, que Bibi utilizou da inteligência para aceitar que a idade não lhe permitia mais estar presente no palco com tanta frequência.

“Minha mãe sempre foi uma pessoa prática e objetiva. Ela entendeu que, a partir de determinado momento, não dava mais. Foi quando, em setembro, publicamos uma carta anunciando o fim da vida pública dela”.

Frederico Reder, dono do Theatro Net Rio, que teve Bibi Ferreira como a primeira atração após a revitalização do local, diz que a artista sempre foi uma grande referência.

“Quando tive a oportunidade de reabrir o teatro Tereza Rachel, que eu revitalizei e virou Theatro Net Rio há quase 7 anos, eu escolhi o principal nome e a dona da história do teatro no Brasil nos últimos 90 anos. A história da Bibi se confunde com a história do teatro do nosso país. Há 15 dias, tive a oportunidade de fazer uma visita a ela e tive a alegria de poder falar tudo que eu sentia por ela, o quanto eu a amava e o quanto ela é importante para todos nós”, disse Frederico.

G1

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