Camilo é do PT, mas aliados querem Ciro no segundo turno ao Planalto

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O governador Camilo Santana, que concorre à reeleição, é filiado ao PT, chegou a ser cobrado pela cúpula nacional da sigla por declarações de simpatia ao presidenciável Ciro Gomes, aparece na propaganda com o candidato Fernando Haddad, mas carrega no coração o sentimento da gratidão ao pedetista e ao irmão Cid que o elegeu, em 2014, ao Palácio da Abolição.

A equação matemática e eleitoral é benéfica para Camilo que tem dois bons palanques: de um lado, a popularidade do ex-presidente Lula, com parte dos votos migrando para Haddad, e, do outro lado, a forte liderança dos irmãos Cid e Ciro Gomes. Cid é candidato ao Senado e passou, nos últimos dias, a incorporar as propostas de Ciro como, por exemplo, o projeto Nome Limpo.

Dos 184 prefeitos do Ceará, Camilo Santana tem o apoio de, pelo menos, 175. Ou pouco mais, nos cálculos de estrategistas políticos do Palácio da Abolição. O candidato do PDT ao Senado, Cid Gomes, soma o apoio da quase totalidade dos prefeitos. Além disso, tanto Cid quanto Camilo, carregam o apoio de ex-prefeitos de todos os 184 municípios. Ciro atrai o apoio de quase todos os gestores municipais cearenses.

Presente na propaganda do rádio e da televisão no Ceará, Ciro aparece, ao lado do irmão, para dizer que, com Cid no Senado, os cearenses inadimplentes terão o nome limpo e sairão do SPC. Ciro, com essa estratégia, fortalece ainda mais a candidatura de Cid ao Senado e projeta a sua proposta que, pelas pesquisas, é bem recebida pelos eleitores. Afinal, são 6,3 de eleitores no Ceará que ajudarão um dos candidatos a chegar ao segundo turno da eleição presidencial.

DISPUTA NO NORDESTE

A disputa colocou em campos opostos políticos das duas siglas que estão alinhados nas disputas estaduais. No Nordeste, PDT e PT estão juntos em Alagoas (onde estão na chapa de Renan Filho, do MDB), Ceará, (com Camilo Santana, do PT), Bahia (com Rui Costa, do PT), Maranhão, (com Flávio Dino, do PCdoB) e Paraíba (com Ricardo Coutinho, do PSB). Os arranjos locais, porém, representam obstáculos nas táticas de disputa entre Haddad e Ciro por votos nordestinos.

Na Bahia, um dos poucos Estados nordestinos onde Ciro ainda não visitou durante a campanha eleitoral deste ano, o PDT, partido dele, está na base do governador Rui Costa (PT), que tenta a reeleição. Nesse caso, Haddad é quem leva vantagem sobre Ciro, porque o governador está afinado com a estratégia nacional do PT.

Os pedetistas ocupam duas secretarias na administração estadual: Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura e Administração Penitenciária e Ressocialização. Nos materiais de campanha e na propaganda eleitoral no rádio e na TV, candidatos a deputado estadual e deputado federal do PDT baiano têm exibido a imagem de Ciro.

“Uma coisa é o Lula, outra completamente diferente é o Haddad. Não são a mesma pessoa”, disse Félix Mendonça Jr., presidente do PDT baiano.

Em Pernambuco, Maurício Rands, candidato ao governo pelo PROS – partido da base de Haddad –, declarou apoio a Ciro. O PDT está em sua aliança. 

Como principal cabo eleitoral do presidenciável no Estado, Rands tem direcionado seus discursos para o eleitorado petista com o objetivo de impedir a transferência de votos lulistas para o ex-prefeito de São Paulo. “Os valores de justiça social não são monopólio do Lula ou do seu partido. Nós e o Ciro também representamos esses valores”, disse Rands. O Nordeste possui pouco mais de 39 milhões de eleitores, o que representa 26,6% do total no País. Desse total, 6,3 milhões estão no Ceará.

Ceará Agora

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