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Ceará chega a marca de 64 açudes sangrando e chuvas trazem esperança para a economia do Estado

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O Ceará chegou a marca de 64 açudes sangrando, com 51,3% da capacidade total. No último final de semana, sete açudes registraram sangria, incluindo o Açude Benguê, em Aiuaba, que não transbordava há 13 anos. As informações são da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), divulgados nesta segunda-feira, 15.

Com as chuvas, maior reservatório do Ceará, o Castanhão, ultrapassou o volume de 30% da capacidade de armazenamento. Há um ano, o açude estava exatamente com 30% de volume. Em 2023, foi a primeira vez que o reservatório passou desta marca desde 2014.

O gráfico abaixo mostra um comparativo do volume do gigante Castanhão desde 2004  até 2024. Confira:

De acordo com o diretor de operações da Cogerh, Tércio Tavares, as águas do Castanhão não serão enviadas para Região Metropolitana de Fortaleza, pois a bacia que abastece a região já ultrapassou 80% da capacidade total. “Ainda temos mais alguns dias para o fim da quadra chuvosa e esperamos um número melhor em comparativo do que 2023”, pontuou.

Ao mesmo tempo em que se comemoram as sangrias, o Ceará também possui 26 reservatórios em estado de alerta, sendo 10 açudes abaixo de 10% e restante entre 10% a 30%. “O Ceará é um bem que precisa ser tratado com carinho e com cautela. Por isso é importante ressaltar o uso moderado a água para que tenha uma segurança hídrica para todos os cidadãos”, diz Tércio.

Além dos reservatórios cheios, a chuva traz esperança para economia cearense, pois gera uma movimentação cruzada e alimentam os setores da agropecuária e agricultura. Segundo o economista Ricardo Coimbra, a projeção do PIB do Ceará pode chegar até 2,5% em 2024.

“O Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE) projetou um PIB inicial de 2,31%, mas a medida que temos um fortalecimento dos insumos como a chuva, pois aumenta também as outras atividades como a distribuição e a logística, movimentando o comércio e a indústria”, afirma.

Cinturão das Águas do Ceará

Para aumentar segurança hídrica, o Estado projetou o Cinturão das Águas do Ceará (CAC), sendo a maior obra complementar do Projeto de Transposição do São Francisco. Dividido em 5 lotes, totalizando 145,3 km de extensão, a obra se encontra com 76%. Com os lotes 1, 2 e 5 concluídos. Os lotes 3 e 4, se encontram em obras, e quando pronto vai representar um relevante aumento da garantia hídrica para a Região do Cariri, a segunda em densidade demográfica e em importância econômica do Estado.

O projeto buscar viabilizar uma maior capilaridade das vazões transpostas pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) em território cearense. Atualmente, a obra ajuda na condução da água derivada do Eixo Norte do PISF até o Açude Castanhão (maior do Estado), desaguando no Riacho Seco, no município de Missão Velha. Quando estiver 100% pronto, vai propiciar também a transferência das vazões transpostas pelo PISF até o Açude Orós (segundo maior do Estado).

Outro benefício do CAC é o incremento da garantia hídrica para o abastecimento dos municípios da região do Alto Jaguaribe.

Caminho das águas do CAC

Com início na tomada d’água na barragem Jati, onde há a captação das vazões transpostas pelo PISF, a água passa pelos municípios de Jati, Porteiras, Brejo Santo, Abaiara e Missão Velha, onde a água deságua no Riacho Seco seguindo através do Rio Jaguaribe para o Açude Castanhão.

Quando pronta, a segunda etapa seguirá por Barbalha, passando pelo município de Juazeiro do Norte e Crato, findando no município de Nova Olinda (Rio Cariús), seguindo caminho até o Açude Orós.

Nas últimas 24h, Orós aumentou 11 cm, com acúmulo total de 1,17 metros. Chegando ao percentual de 63,23%. Ano passado, o reservatório aumentou 3,36 metros. Veja o vídeo:

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