Chuva transborda canal e água invade casas no Ceará; homem morre ao ser arrastado pela correnteza de rio

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Por Bárbara Sena e Isaac Macêdo, G1 CE


Chuva invadiu diversas residências e levou objetos das casas no Crato.  — Foto: Isaac Macêdo/Sistema Verdes MaresChuva invadiu diversas residências e levou objetos das casas no Crato.  — Foto: Isaac Macêdo/Sistema Verdes Mares

Chuva invadiu diversas residências e levou objetos das casas no Crato. — Foto: Isaac Macêdo/Sistema Verdes Mares

A cidade do Crato, na Região do Cariri, registrou a maior chuva do Ceará entre a noite de segunda e a manhã desta terça-feira (19), com 120 milímetros. Os dados são da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme). A força da água transbordou o canal do Rio Granjeiro, que corta o município, e alagou diversas casas. Um homem morreu após tentar atravessar o canal a cavalo e ser arrastado pela correnteza do Rio Batateiras, em outro ponto da cidade.

A Avenida José Alves de Figueiredo, por onde passa o canal, também ficou alagada. Carros que estavam na via foram arrastados e um ônibus ficou preso em um buraco. Devido à enchente, famílias precisaram dormir no meio da rua após terem as casas inundadas.

A Prefeitura do Crato está realizando a limpeza das ruas e analisando a possibilidade de transferir as famílias para outros locais. O prefeito da cidade, Zé Ailton Brasil, afirmou que “está visitando algumas famílias para ver a maneira como a Prefeitura pode ajudar”.

Crianças tiveram que dormir no meio da rua após o canal transbordar no Crato — Foto: Antônio Rodrigues/SVMCrianças tiveram que dormir no meio da rua após o canal transbordar no Crato — Foto: Antônio Rodrigues/SVM

Crianças tiveram que dormir no meio da rua após o canal transbordar no Crato — Foto: Antônio Rodrigues/SVM

Durante a chuva, diversas casas próximas ao canal foram invadidas pela água, destruindo móveis e objetos dos moradores. Muitas famílias perderam todos os pertences na chuva e não tiveram onde passar a noite. Moradores de outros locais ajudaram as famílias com alimentação e mantimentos.

“Foi horrível, passei a noite sentada na calçada com medo da água levar meus filhos. Tive medo da água carregar eles. É sempre esse medo. Quando começa a chover, eu fico com um olho aberto e outro fechado”, disse a recicladora Edileuza Gomes dos Santos, mãe de cinco filhos.

A mulher informou ao G1 que pretende sair para outro lugar o quanto antes. “Vou sair, vou ajeitar uma casa pra eu ficar. Pros meus filhos terem um sossego na hora de eu dormir”, acrescentou.

Chuva arrastou carros e destruiu casas na cidade do Crato. — Foto: Antônio Rodrigues/SVMChuva arrastou carros e destruiu casas na cidade do Crato. — Foto: Antônio Rodrigues/SVM

Chuva arrastou carros e destruiu casas na cidade do Crato. — Foto: Antônio Rodrigues/SVM

Emergência na cidade

De acordo com a coordenadora da Defesa Civil do Crato, Josimere de Melo Silva, o município tem oito áreas de risco e uma delas é a área do canal do Rio Granjeiro. A coordenadora informou que houve falha no sistema de alerta.

“Nos pegou de surpresa, nós temos um sistema de alarme e não foi repassado pra gente que ia ter esse transtorno. Foi um caso atípico, nós não recebemos esse alerta”.

O secretário de infraestrutura do Crato, José Muniz, informou na manhã desta terça-feira que a prefeitura está realizando um estudo para analisar se vai ser preciso fazer um decreto de emergência no município.

“Hoje estamos atendendo a população, nossa prioridade é atender as famílias e levantar os danos”, disse.

Ainda de acordo com o secretário, uma equipe de assistentes sociais está trabalhando com o objetivo de sensibilizar as famílias que ainda querem permanecer nos locais de alto risco para deixar as residências.

Chuva na cidade

De acordo com o professor de geografia Bruno Furtado, que mora nas margens do canal do Rio Granjeiro, o cenário se repete na cidade, geralmente, de quatro em quatro anos- quando há fortes chuvas na região.

“Isso acontece justamente por conta da urbanização. A obra de esgoto é mal feita, e sempre dá nisso aí. A água entrou em várias casas e agora a população tá aí trabalhando para resolver esse problema”, afirmou.

G1

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