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Comandante enviará militares às ruas da Bolívia para conter manifestações após renúncia de Evo Morales

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O Comandante das Forças Armadas da Bolívia, Williams Kaliman, anunciou nesta segunda-feira (11) que vai enviar soldados às ruas do país para operações em conjunto com a polícia.

Momentos antes, policiais bolivianos pediram intervenção militar para conter manifestações violentas em La Paz e na vizinha El Alto – cidades onde os protestos mais tensos ocorrem desde a renúncia de Evo Morales à Presidência do país.

“Vamos empregar a força de forma proporcional contra grupos de vândalos que causam terror à população”, anunciou Kalisman.

Policiais prendem manifestante ferido em protesto em La Paz, Bolívia, nesta segunda-feira (11) — Foto: Carlos Garcia Rawlins /ReutersPoliciais prendem manifestante ferido em protesto em La Paz, Bolívia, nesta segunda-feira (11) — Foto: Carlos Garcia Rawlins /Reuters

Policiais prendem manifestante ferido em protesto em La Paz, Bolívia, nesta segunda-feira (11) — Foto: Carlos Garcia Rawlins /Reuters

De acordo com o comandante da polícia, Yuri Calderón, a missão conjunta começa ainda nesta segunda-feira e terminará “quando se restabelecer a paz em todo território boliviano”.

Antes, em nota, a Polícia Boliviana afirmou que não quer “carregar mortos nos ombros” por causa de grupos “violentos com intenção de matar”.

“É uma luta desproporcional. A polícia utiliza agentes químicos contra pessoas que usam armas”, disse corporação, em nota ao jornal “El Deber”.

Ônibus queimados durante manifestação em La Paz nesta segunda-feira (11) após renúncia de Evo Morales à Presidência da Bolívia — Foto: Ronaldo Schemidt/AFPÔnibus queimados durante manifestação em La Paz nesta segunda-feira (11) após renúncia de Evo Morales à Presidência da Bolívia — Foto: Ronaldo Schemidt/AFP

Ônibus queimados durante manifestação em La Paz nesta segunda-feira (11) após renúncia de Evo Morales à Presidência da Bolívia — Foto: Ronaldo Schemidt/AFP

Militantes favoráveis a Evo desceram em direção ao centro de La Paz onde fizeram barricadas, entraram em confronto com forças de segurança e incendiaram ônibus – mais de 60 foram destruídos. Houve também saques a comércios e depredações de casas de apoiadores dos dois grupos opostos na crise na Bolívia.

Os atos de violência se intensificaram na noite de domingo, quando o então presidente anunciou a renúncia pressionado por denúncias de fraude nas eleições presidenciais que dariam a ele um quarto mandato consecutivo.

México concede asilo a Evo

Imagem da casa de Evo Morales em Cochabamba, que foi invadida após sua renúncia, em 10 de novembro de 2019 — Foto: Associated PressImagem da casa de Evo Morales em Cochabamba, que foi invadida após sua renúncia, em 10 de novembro de 2019 — Foto: Associated Press

Imagem da casa de Evo Morales em Cochabamba, que foi invadida após sua renúncia, em 10 de novembro de 2019 — Foto: Associated Press

O governo do México anunciou nesta segunda-feira que concedeu asilo político a Evo Morales. De acordo com o chanceler mexicano, o ex-presidente da Bolívia pediu proteção um dia depois de deixar o cargo sob pressão de opositores, militares e policiais.

O México pediu ao Ministério das Relações Exteriores boliviano que garantisse a saída segura de Evo Morales do país. Não se sabe se o ex-presidente já deixou a Bolívia.

Pouco antes, o Parlamento da Bolívia recebeu carta com o pedido de renúncia de Evo Morales. No texto, obtido pelo jornal “El Deber” e pela agência EFE, o ex-presidente afirma que se retirou do poder devido a “um golpe de estado político cívico policial”.

Manifestantes protestam contra Evo Morales em La Paz, na Bolívia, no domingo (10) — Foto: Reuters/Marco BelloManifestantes protestam contra Evo Morales em La Paz, na Bolívia, no domingo (10) — Foto: Reuters/Marco Bello

Manifestantes protestam contra Evo Morales em La Paz, na Bolívia, no domingo (10) — Foto: Reuters/Marco Bello

“Minha responsabilidade como presidente indígena e de todos os bolivianos é evitar que os golpistas sigam perseguindo meus irmãos e irmãs dirigentes sindicais, maltratando e sequestrando seus familiares, queimando casas de governadores, de parlamentares e de conselheiros”, afirma Evo, em carta.

“A ordem é resistir para amanhã voltar a lutar pela pátria. Nossa ação é e será defender as conquistas de nosso governo. Pátria ou morte!”, completa o texto.

A segunda vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez, disse que a carta de renúncia será apreciada em sessão nesta terça-feira, às 11h30 (horário local, 12h30 em Brasília). Além disso, Añez reivindicou o direito de assumir interinamente a Presidência da Bolívia – afinal, o vice de Evo e os presidentes da Câmara e do Senado também renunciaram.

G1

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