Ouvir Rádio: Rádio Senado | Rádio Câmara Fale Conosco

Da Campus Party ao Silício

0

Sabe aquele problemão? A falta de algo na hora que você mais precisa, a fila que você não esperava, as milhares de fotos que acumulam no celular, o goleiro da pelada que não apareceu? Seus problemas acabaram! Ou logo, logo vão acabar… E a solução não é nada “tabajara”.

Startups perceberam que achar soluções inteligentes e usar a tecnologia digital para melhorar o nosso dia a dia pode dar dinheiro. Ainda são poucas as que encontram a trilha do sucesso, mas já dá para ver que elas seguem uma receita: boa ideia + inovação + propósito genuíno + planejamento impecáve

  • Eles conseguiram

    Os irmãos Douglas e Daniel Almeida tinham um propósito: “Ajudar pessoas a contarem histórias de maneira fácil”. Inventaram o Stayfilm, que ajuda o internauta aflito com a grande quantidade de fotos acumuladas no celular ou espalhadas pelas redes sociais a criar de forma rápida vídeos de boa qualidade, com trilha sonora e efeitos especiais. Em menos de 5 anos, foram de um stand da Campus Party a exemplo de sucesso em cidades como Londres e San Francisco.

  • Como fizeram

    Eles transformaram uma boa ideia em um plano de negócio irretocável, e cada passo foi planejado. Optaram por oferecer o app de graça e ganhar dinheiro em parcerias com empresas como Disney, Marvel, Corinthians e Chelsea, que entram com temas para os vídeos. Captaram R$ 3 milhões de 40 investidores. Em 2 anos, tinham 1 milhão de usuários e 2 milhões de filmes. Foram destaque na Apple Store, lançaram app no Facebook Messenger em evento ao lado de Zuckerberg e ganharam incentivo do governo inglês para abrir escritório em Londres. “Aí a Campus Party Brasil ficou pequena para nós”

  • Salvar o dia…

    Seu time está quase perfeito para o campeonato de futebol. Mas falta o quê? O goleiro. Quem é boleiro sabe o quanto é difícil achar um bom camisa 1. Muita gente já foi para o gol a contragosto, mas só Samuel Toaldo e Eugen Braun tentaram resolver o problema de vez. O drama virou negócio: o Goleiro de Aluguel. Quando decidiram levar a ideia à Campus Party, foram chamados de sonhadores. Mas, chegando lá… “Descobrimos que nerds também jogam bola e tem problemas com goleiros”, contam.

  • ou salvar o mundo!

    O app acha e aluga goleiros por R$ 30. Samuel começou organizando os goleiros de sua cidade, Curitiba, pelo Facebook. Depois de um mês, já não dava mais conta dos pedidos. Chamou Eugen para ajudar. Na Campus Party, ganharam visibilidade e logo veio o primeiro investimento anjo, de R$ 250 mil. Já são mais de 300 goleiros cadastrados, que resolvem cerca de 550 jogos por mês em todo Brasil. Hoje, a empresa ajuda uma escola de goleiros em Mali, na África, e virou apoiadora da seleção feminina de futsal de surdos.

  • João rendia Teresa…

    O médico Josenilson Oliveira queria resolver um problema constante da rotina médica: escalas de plantão organizadas no boca-a-boca ou em grupos nas redes sociais. “Acontecia assim: o José, que estava de plantão no Carnaval, passa o plantão para o João, que passa para a Maria, que não aparece para trabalhar. Aí ligam do hospital para o José, que já viajou. Não há nada que comprove essa troca. No fim, jogam a culpa na secretária”. Ele então criou o iPlantão e, com ele, viu que a solução combatia um mal maior, reflexo da desorganização: a interrupção do atendimento por falta de profissionais.

  • que rendia Lili, que faltou…

    O app organiza de maneira fácil e à distância as escalas de plantão. Os gestores passam a ter controle e visão completa da atuação das equipes e solucionam em tempo real problemas, como furos e trocas emergenciais. Com o iPlantão foi possível identificar que R$ 10 mil gastos por mês com plantonistas em um hospital era pago sem ninguém trabalhar, o que ajudou a economizar recursos. Oliveira investiu R$ 400 mil e contou com a ajuda da Prefeitura de Campinas (SP) para tirar do papel o projeto. Hoje ele funciona em 6 hospitais, 2 deles públicos.

Boas ideias não passam de boas intenções quando falta visão empreendedora de longo prazo. Mas a vida longa de um negócio pode mesmo estar no propósito.

“Colocando propósito no negócio, você pode ter uma solução de sucesso”, diz José Roberto Paim Neto, professor da PUC de Campinas. “E propósito não é ficar milionário. É resolver o problema de alguém.”

Há muita fumaça no debate sobre startups. Tem ‘startuperio’ vendendo o que não serve para nada” Francesco Farruggia, do Instituto Campus Party

A cidade como plataforma rentável

No mundo dos negócios digitais, a cidade virou uma plataforma para inovar. Instituições públicas estão participando desse ecossistema. A relação é de ganha-ganha

Vinicius Lages

Vinicius Lages, diretor do Sebrae

Os problemas das cidades do Brasil são globais. Outras cidades podem comprar nossas soluções. E soluções adotadas pelos governos podem ser depois aplicadas pela iniciativa privada

José Roberto Paim Neto

José Roberto Paim Neto, professor da Pucamp

A revolução digital começa nas cidades, onde está a vida real. Burocracia, vias, segurança, comida, lixo, pessoas doentes. Toda estratégia deve se concentrar na cidade inteligente e humana

Francesco Farruggia

Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party

72 horas para mudar o mundo

A ONU foi uma das que embarcou na ideia de usar toda a criatividade e conhecimento técnico dos campuseiros para achar soluções para problemas reais e globais. Na última Campus Party, organizou um Big Hackathon (maratona de desenvolvimento) para construir aplicativos e planos de negócio que ajudassem a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (17 metas a serem cumpridas pelas nações até 2030). Em 72 horas, três projetos conseguiram o feito e receberam a menção honrosa do Pnud. Veja abaixo:

Best Be 4

Aplicativo para combater o desperdício de alimentos. Quem acha um produto prestes a vencer no supermercado pode anunciá-lo para os demais usuários, e os estabelecimentos podem oferecer desconto. O consumidor que busca economia e consumo responsável sabe então onde comprar.

Health4U

Aplicativo que conecta pacientes da rede pública a médicos que fazem atendimento voluntário. Mostra onde há médico disponível para consulta gratuita e estimula que os profissionais doem uma hora da semana para atendimento em consultório, clínica ou em casa. A ideia é diminuir o fluxo de atendimento do SUS.

Teto Verde

Aplicativo para a construção de telhados com hortas orgânicas em áreas corporativas. A cada horta vendida, outra é doada a um espaço social escolhido pelo cliente. Quem fornece o material são cooperativas de catadores (material usado nas estruturas) e grupos de agricultura familiar (mudas, adubo e terra).

“Não há uma profissão que não use tecnologia”, lembra Tonico Novaes, diretor-geral da Campus Party SP. Trazer as ferramentas mais modernas para resolver os problemas da cidade é um passo importante, que força parcerias entre o público e privado. Mas o próximo passo é usar tecnologias avançadas para soluções de grande impacto. “Um país não é potência com app de entrega de pizza”, diz Francesco Farruggia.

Para Farruggia, é preciso dominar o Big Data (imenso volume de dados coletados dos usuários na rede) e blockchain (tecnologia que valida contratos digitais e transações financeiras). Com o cruzamento de dados detalhados de comportamento em grande escala, dá para sonhar mais alto. “É a única solução para criar mecanismos para melhorar a qualidade de vida do cidadão com serviços”, afirma o presidente do Instituto Campus Party.

Compartilhe

Deixe um comentário