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Dallagnol defende imparcialidade da Lava Jato e diz que operação acusou políticos de diversos partidos

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Por G1 — São Paulo


O procurador federal Deltan Dallagnol defendeu nesta segunda-feira (10) a imparcialidade da Lava Jato e disse que a operação acusou políticos e pessoas ligadas a diversos partidos.

A manifestação ocorre depois do vazamento de mensagens extraídas do aplicativo Telegram atribuídas a procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, entre eles Dallagnol, e ao então juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça. As mensagens foram reveladas pelo site “The Intercept” na noite de domingo (9).

No vídeo, Dallagnol diz ser natural a comunicação entre juízes e procuradores sem a presença da outra parte. Afirmou ainda que o Ministério Público Federal teve processos recusados –e que 54 pessoas denunciadas pelo MPF foram absolvidas por Moro. “A Lava Jato é contra a corrupção, seja de quem ela for”, afirmou.

“É normal que procuradores e advogados conversem com juízes sem a presença da outra parte. O que se deve verificar é se existiu conluio ou quebra da imparcialidade. A imparcialidade da Lava Jato é confirmada por muitos fatos. Centenas de pedidos feitos pelo Ministério Público foram negados pela Justiça. Cinquenta e quatro pessoas acusadas pelo Ministério Público foram absolvidas pelo [então] juiz federal Sérgio Moro. Nós recorremos centenas de vezes contra decisões, o que mostra não só que o juiz não acolheu o que o Ministério Público queria mas mostra que o Ministério Público não se submeteu ao entendimento da Justiça. Some-se a tudo isso que todos os atos e decisões da Lava Jato são revisados por três instâncias independentes do Poder Judiciário, por vários julgadores”, disse Dallagnol em um trecho do vídeo.

Dallagnol falou ainda sobre o processo do triplex em Guarujá (SP), no qual o ex-presidente Lula foi condenado em 2018. “As provas do caso triplex embasaram a acusação porque eram robustas, e tanto eram robustas que nove julgadores de três instâncias concordaram com a robustez das provas e condenaram o ex-presidente Lula”.

O procurador comentou ainda que “tentar imaginar que a Lava Jato é uma operação partidária é uma teoria da conspiração que não tem base nenhuma”:

“Quinze procuradores atuam na Lava Jato só em primeira instância em Curitiba. Tem mais de 30 servidores que lá atuam também. Grande parte dessa equipe foi formada antes de aparecer o primeiro político, quando não se tinha ideia de onde a Lava Jato ia chegar. Além disso, nós temos outras dezenas de agentes públicos na Receita Federal, na Polícia Federal, somando centenas de agentes públicos, e imaginar que essas pessoas vão colocar em risco o sustento da sua família, vão colocar em risco o seu cargo, para trair a confiança da sociedade ou prejudicar A ou B, não tem qualquer base na realidade.”

Ainda de acordo com ele, “só a Lava Jato em Curitiba acusou políticos e pessoas vinculadas ao PP, ao PT, ao PMDB, ao PSDB, ao PTB, e só a colaboração da Odebrecht nomeou 415 políticos de 26 diferentes partidos”.

“Nós da Lava Jato nunca caminhamos com a lógica de que os fins justificam os meios. Não. Essas acusações não procedem e a origem delas está ligada ao ataque criminoso realizado”, disse o procurador.

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