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Doria dedica ‘flores do mal’ a Lula, Dilma e a 14 milhões de desempregados

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Um dia após ganhar flores de uma ciclista manifestante e jogá-las no chão, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse neste domingo que flores devem ser dadas de coração e dedicou o que chamou de “flores do mal” aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), e “aos 14 milhões de desempregados do Brasil”.

“Aquelas flores do mal que quiserem me dar ontem, eu dedico ao Lula, à Dilma e aos 14 milhões de desempregados do Brasil! Viva Ayrton Senna e viva o Brasil!”, disse o prefeito durante a inauguração da Praça Ayrton Senna do Brasil, na Zona Sul de São Paulo.

Usando com um boné amarelo e um colete verde em homenagem a Senna, Doria entregou flores amarelas a Viviane Senna, irmã do automobilista e presidente do Instituto Ayrton Senna. Ao fazer o gesto, Doria disse: “Estas são flores do bem”.

De cima do palco montado na praça, Doria respondeu aos ativistas. “Quero deixar muito claro a todos: faço aquilo que é importante ser feito. Faço aquilo que é importante um prefeito fazer, defender o que é necessário. E, para isso, ninguém me intimida. Para isso, ninguém me empareda, como ninguém intimidava o Ayrton Senna. Sou brasileiro e amo o meu país. Então não será nenhum ativista ou petista ou qualquer outro ista que vai me colocar na parede não. Nem com flores nem com gritos”, disse o prefeito, no discurso.

“Quero estar ao lado da maioria e não da minoria ruidosa. Quero estar ao lado daqueles que amam o Brasil e que querem o bem do Brasil, dos trabalhadores e dos que suam para ganhar o seu dia. Não tenho medo, como o Ayrton não tinha medo”, acrescentou o prefeito, sendo bastante aplaudido pelos presentes.

Protesto

Ativistas voltaram nesta segunda-feira (1º) a protestar contra a proposta do prefeito de São Paulo de retirar algumas das ciclovias da cidade e substituí-las por ciclorrotas, onde o tráfego de bicicletas é compartilhado com o de carros. Os cicloativistas também protestam contra o aumento da velocidade dos carros nas marginais.

Durante a inauguração da Praça Ayrton Senna, os ativistas tentaram entregar flores ao prefeito, mas foram impedidos por assessores de Doria. Ontem (30), em um evento na Avenida Paulista, o prefeito foi surpreendido por uma ciclista que lhe entregou flores para lembrar as pessoas que estão sendo mortas com o aumento da velocidade nas marginais. O prefeito, que estava dentro do carro, rejeitou as flores e as jogou na rua. A prefeitura informou que o prefeito assim agiu ontem porque considerou o gesto “invasivo e desnecessário”.

>> Doria joga no chão flor dada por ciclista em homenagem aos “mortos nas marginais”

“Hoje é 1º de maio e tem uma praça com o nome do Ayrton Senna, que morreu por velocidade, em um automóvel. A gente queria lembrar isso. Homenageá-lo seria diminuir as velocidades e conseguir evitar que outras mortes aconteçam”, disse Letícia Sabino, integrante do movimento Cidade a Pé, que tentou entregar uma rosa ao prefeito.

“Acho que ele [Doria], como político, deveria ouvir mais as pessoas mesmo quando forem contrárias ao que ele está fazendo porque um político deve estar sempre atento à opinião popular. Acho que foi um pouco agressiva a reação dele. Em vez de ele receber aquela informação e processar para dar uma resposta, ele respondeu com agressividade porque estava contra ao que ele está fazendo”, disse Letícia. “Estamos tentando nos aproximar, mas estão fazendo barreiras todas as vezes em que chegamos perto para entregar as flores. Mas estamos levantando-as para que ele as veja de lá [do palco]”, afirmou.

Com Agência Brasil

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