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Ex-deputado federal é suspenso da PM do Ceará por convocar paralisação

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A Controladoria Geral de Disciplina afastou o ex-deputado federal Cabo Sabino (Avante-CE) da Polícia Militar do Ceará por “incapacidade moral do mesmo de permanecer nos quadros” da segurança pública do estado.

Conforme portaria publicada no Diário Oficial do Ceará de sexta-feira (21), o cabo da Polícia Militar Flávio Sabino, junto com lideranças da Associação das Esposas de Militares, “convocaram os policiais e familiares para se fazerem presentes no 18º BPM [Batalhão da Polícia Militar] com o objetivo de obstruir o serviço e iniciar o movimento de paralisação” dos policiais.

18º Batalhão foi ocupado por homens encapuzados e familiares na madrugada de quarta-feira (19), quando o motim dos militares ganhou maior adesão.

Ainda conforme a publicação, “homens mascarados, mulheres e crianças se aglomerado no local [18º Batalhão], dando início ao movimento que se difundiu durante a noite em outras unidades policiais da capital [Fortaleza] e do interior do Estado”.

Ficou determinado ainda a retirada do distintivo e da arma do ex-deputado Cabo Sabino. A decisão de afastamento afeta mais de 160 policiais, a maioria por “motim, insubordinação e abandono de posto”.

G1 tentou contato com Cabo Sabino, mas as ligações não foram atendidas até a última atualização desta reportagem. Em um vídeo divulgado em redes sociais no sábado (22), Sabino afirma que os policiais estão sendo punidos com base em artigo “restrito às forças armadas, que nãos se aplica às forças auxiliares”.

“Para nós não existe crime, pode ser ilegal pelo que diz a Constituição, mas mais ilegal é o que o Governo tem feito conosco. Ele demite várias pessoas de maneira irresponsável, maneira irresponsável”, completou Sabino.

Paralisação da polícia e aumento da violência

Policiais do Ceará se reuniram com senadores para ouvir propostas do governo estadual.  — Foto: Kid Junior/SVMPoliciais do Ceará se reuniram com senadores para ouvir propostas do governo estadual.  — Foto: Kid Junior/SVM

Policiais do Ceará se reuniram com senadores para ouvir propostas do governo estadual. — Foto: Kid Junior/SVM

Desde o início do motim, os índices de homicídios dispararam no Ceará. O estado teve nesta semana os dois dias mais violentos do estado em relação ao número de mortes desde 2012. Nesta sexta-feira (21) foram 37 homicídios no estado; e no sábado (22), outros 34.

Os números só não maiores que o total de homicídios em 1º de janeiro de 2012, data de outra paralisação da PM, quando ocorreram 41 assassinatos no estado.

Resumo:

Atuação do Exército

Veículos blindados são usados pelo Exército na segurança das ruas de Fortaleza — Foto: Thiago GadelhaVeículos blindados são usados pelo Exército na segurança das ruas de Fortaleza — Foto: Thiago Gadelha

Veículos blindados são usados pelo Exército na segurança das ruas de Fortaleza — Foto: Thiago Gadelha

Por conta da crise na segurança, o Exército passou a atuar em Fortaleza na sexta-feira, em uma aplicação da Garantia da Lei e da Ordem. Mesmo após o reforço, o Ceará teve 37 homicídios na sexta-feira.

O comandante da 10ª Região Militar do Ceará, Fernando da Cunha Mattos, afirmou que o estado ainda receberá mais tropas para reforçar a segurança. Mattos disse que o número de soldados foi “inicialmente insuficiente” e que o Comando do Nordeste enviou tropas de quatro estado. O número de soldados, porém, não foi informado pelo comandante.

Ainda conforme Mattos, o Exército começou neste domingo a exercer o poder de polícia nas ruas de Fortaleza, medida que deve reduzir os homicídios na capital cearense. Outra medida que será adotada será o uso de veículos blindados.

G1 CE

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