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Família de presa por injúria racial em BH se desculpa e diz que ela tem transtornos psíquicos

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Mulher foi detida por suspeita de injúria racial em BH  — Foto: Danilo Girundi/TV Globo Mulher foi detida por suspeita de injúria racial em BH  — Foto: Danilo Girundi/TV Globo

Mulher foi detida por suspeita de injúria racial em BH — Foto: Danilo Girundi/TV Globo

A família de Natália Burza Gomes Dupin, de 36 anos, presa semana passada por injúria racial a um taxista, divulgou nota neste domingo (8) pedindo desculpas à vítima e alegando que ela tem problemas psíquicos. Segundo a família, ela sofre há anos de problemas mentais e “já agrediu de forma física e moral muitas pessoas, inclusive sua própria família”. “Pedimos compaixão.”

Natália foi presa quinta-feira (5) depois de dizer ao taxista Luiz Carlos Alves Fernandes, de 51 anos, que precisava de um táxi, mas que não seria o dele porque não andava com “preto”. Segundo a PM, o motorista alegou que a mulher não poderia dizer aquilo, porque era crime; ela respondeu: “eu não gosto de negro, sou racista, sou racista mesmo”. E, na sequência, cuspiu no pé dele. Fernades chamou a PM, que a prendeu. Uma das policiais foi chamada por ela de “sapata”.

Ela deixou a delegacia aos gritos de “racista” (veja o vídeo no fim desta reportagem). Natália ficou presa até sábado (7), quando a Justiça determinou sua liberdade provisória mediante pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil.

Na nota, a família pede desculpas ao taxista e a todos os envolvidos. “Racismo é uma realidade brutal e inaceitável”, afirma.

“Sabemos que alegar doença mental no nosso país é algo que foi banalizado. Não é esse o caso (…) Já foi internada, já recebeu eletroconvulsoterapia”, diz a família, que também relatou que tentava, na semana da prisão, tentava uma vaga para ela em hospital psiquiátrico.

Leia a íntegra da nota oficial divulgada pela família:

“Precisamos falar sobre isso.

Sentimos muito pelo que aconteceu com o Sr. Luís Carlos Alves Fernandes e com todos os envolvidos. Pedimos sinceras desculpas àqueles que sofrem preconceito diariamente em nosso país. Podem ter certeza, doeu em todos nós.

Racismo é uma realidade brutal e inaceitável.

Mas quero informar algo que ainda não foi publicado. A Natália é uma pessoa com transtornos psíquicos. Atestada há anos por profissionais da saúde. Sabemos que alegar doença mental no nosso país é algo que foi banalizado. Não é esse o caso.

Nossa irmã já tentou suicídio por diversas vezes, já agrediu de forma física e moral muitas pessoas, inclusive sua própria família que é quem a protege e a ama (independentemente da cor, orientação sexual, crença etc). Já foi internada, já recebeu eletroconvulsoterapia. Nas últimas semanas, tentávamos uma vaga em um hospital psiquiátrico, mas infelizmente, não conseguimos. Essa também é outra realidade inaceitável.

Para quem não conhece a doença, ela altera o comportamento e produz uma neurose e mania de perseguição, além de causar um comportamento agressivo e imprevisível. Só quem tem alguém próximo com essa doença pode entender a dor que passamos há anos e estamos passando agora. Pedimos compaixão.

Precisamos falar sobre racismo. Também precisamos falar sobre transtornos psíquicos que atingem de forma universal milhões de pessoas.

Assinam esta nota os irmãos.”

Mulher suspeita de injúria racial é levada para a delegacia em BH

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G1

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