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Janot afirmou que denúncia contra Temer é “clara” e “forte”

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou neste sábado (1) que a narrativa da denúncia apresentada contra o presidente da República, Michel Temer, é “muito clara e muito forte“, mas que não teve nenhum “prazer mórbido” em denunciar o presidente.

“Ninguém tem esse prazer mórbido de oferecer denúncia contra um presidente no exercício do cargo. Queria ter passado ao largo disso“, afirmou Janot, em uma sessão no 13º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ao comentar a suposta fragilidade da denúncia oferecida ao Supremo Tribunal Federal. “A narrativa é muito forte. É de uma clareza tão grande, eu duvido que não fosse recebida em qualquer outro juízo. Se isso não é motivo para abrir uma ação penal, eu não sei o que é.”

Janot disse ainda que ao apresentar uma denúncia não se entrega um “caderno de provas”, mas indícios suficientes para se abrir a instrução penal. “Se apresento, a defesa vai dizer que produzi as provas sem ouvi-los e é preciso anular tudo”, disse o PGR. “Ninguém vai passar recibo. Esse tipo de prova é satânica, é quase impossível. Tem que olhar a narrativa”.

De acordo com Janot, não há como negar a relação do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures com Temer e o fato de que Loures, o “homem da mala”, agia por determinação do presidente. “Tem um acerto para que um bandido, não deixa de ser um bandido, entrasse na residência do Presidente da República, tarde da noite, sem ser identificado e, se fornecesse um nome, devia ser um nome falso. Isso é impensável. E esse ajuste foi feito com o cara da mala“, afirmou.

O PGR confirmou ainda que trabalha em outras duas investigações contra o presidente, uma de participação em organização criminosa e outra de obstrução da Justiça. “Uma delas está mais adiantada, mas não tenho como dizer que a denúncia vai sair dia tal”, explicou.

Ao ser questionado se pretendia desacelerar o ritmo nos meses finais no posto, já que deixa o cargo em 17 de setembro e sua substituta, Raquel Dodge, já foi indicada, Janot negou. “Enquanto tiver bambu, lá vai flecha. Até o dia 17 de setembro a caneta está na minha mão e eu vou continuar nesse ritmo que estou”, garantiu.

Reuters

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