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Lavagem de dinheiro revela corrupção de Maduro e Chávez

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Empresário ligado a Maduro fez contratos do governo da Venezuela com empresas de fachada e enviou dinheiro aos EUA

Uma extensa rede de corrupção da Venezuela aos poucos está sendo desvendada pelas autoridades internacionais. Nesta semana, dois nomes muito próximos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro ganharam destaque pelo envolvimento em casos de desvio e de lavagem de dinheiro. 

O general Hugo Armando Carvajal, ex-chefe do serviço secreto da Venezuela, conhecido como “El Pollo” Carvajal, revelou à Justiça espanhola como funcionava o financiamento ilegal de partidos de esquerda na América Latina e na Europa pelo governo venezuelano. Ele relata que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria um dos beneficiados pelo esquema. 

Já o empresário colombiano Alex Saab, extraditado de Cabo Verde, na África, onde estava preso desde junho de 2020, para os EUA no último sábado (16), pode dar detalhes de como agiu para ocultar o patrimônio de Chávez e para realizar transações a pedido de Maduro, atuando como testa de ferro dos presidentes.

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Segundo reportagem publicada pelo El País, Saab comprou US$ 350 milhões, o equivalente a R$ 1,93 bilhão, em materiais que seriam usados para a construção de casas na Venezuela em 2011. No entanto, a operação foi realizada com contratos fictícios firmados com empresas de fachada e nunca resultou em obras do governo Maduro.

O caso entrou na mira das autoridades dos EUA quando parte desse dinheiro foi transferida para contas bancárias em território americano. Foi o que levou ao pedido de prisão e à extradição de Saab. Se for responsabilizado por esse crime, ele poderá pegar uma pena de até 20 anos de prisão.

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Em meio às investigações, o governo Maduro procurou blindar Saab e tratar sua atual situação em território americano como “sequestro”. Na tentativa de evitar o julgamento e uma possível prisão do empresário, a Venezuela lhe concedeu cidadania e o título de embaixador do país, mesmo após ele já ter sido preso em Cabo Verde.

Na última segunda-feira (18), Saab esteve diante de um juiz em Miami, mas os advogados pediram o adiamento da audiência para que fosse montada a estratégia da defesa. Ele agora deve se apresentar ao juiz em 1º de novembro. 

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“Está aqui em seu comparecimento inicial por uma acusação de conspiração para cometer lavagem de dinheiro e sete acusações de lavagem de instrumentos monetários”, declarou o juiz John J. O’Sullivan, do tribunal federal do distrito sudeste da Flórida, durante audiência por videoconferência. 

A oposição venezuelana comemorou a extradição durante o fim de semana, assim como o presidente da Colômbia, Iván Duque.

“Eu espero que todos os aportes que Alex Saab fizer à Justiça dos Estados Unidos também mostrem o que há por trás dessa rede. É uma narcoditadura que pretendeu usar essa rede para lavar dinheiro”, disse o presidente colombiano, um dos maiores críticos do chavismo, durante visita oficial a São Paulo.

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