Ouvir Rádio: Rádio Senado / Universitária FM 107.9 Fale Conosco

LONGEVIDADE: MODO DE USAR

0

Casa segura, parte 1: remova as armadilhas que podem trazer risco

Se você acha que é muito novo ou nova para este texto, pense em seus pais, nas pessoas mais velhas da família ou das suas relações afetivas. Mas depois pense em você mesmo, daqui a 30 ou 40 anos – o exercício vale a pena. Mesmo que um idoso seja independente, com o passar dos anos o corpo dá sinais de desgaste: a acuidade visual é menor, assim como o equilíbrio, a flexibilidade e a resistência física. Da mesma forma como adaptamos a casa para uma criança pequena, isolando tomadas ou retirando móveis com quinas pontiagudas, processo semelhante deve acompanhar o envelhecimento.

No livro “Casa segura – uma arquitetura para a maturidade”, a arquiteta Cybele Ferreira Monteiro de Barros diz que, para a pessoa idosa, viver na sua residência pelo maior tempo possível é extremamente importante, porque “configura a manutenção da sua zona de conforto em área conhecida e realça a condição de normalidade”. Ou seja, o ideal é adaptar a casa na qual a pessoa mora, preservando o ambiente ao qual está acostumada.

Começando pela entrada: a maçaneta das portas deve ser em forma de alavanca, que pode ser manipulada mais facilmente que as de formato redondo. A largura das portas tem que permitir a passagem de uma cadeira de rodas – pode-se remover os batentes para ganhar espaço extra. Os pisos antiderrapantes, com madeiras tratadas com resinas foscas, são os ideais – e  tapetes soltos são terminantemente proibidos.

O nível de iluminação tem que ser três vezes maior que o normal, além de contínuo, ou seja, com vários pontos de menor intensidade em vez de um único. Fios, elétricos, ou de telefone, não podem ser deixados soltos. São responsáveis por quedas de consequências potencialmente desastrosas. O melhor é embuti-los na parede ou envolvê-los em canaletas presas nas paredes ou nos rodapés.

No quarto, é importante assegurar que a pessoa sentada na beirada da cama apoie seus pés no chão. Interruptores ficam junto à cama e em local acessível mesmo para quem está deitado. A mesa de cabeceira tem que estar 10cm mais alta em relação à cama, evitando que durante o sono o idoso role sobre o móvel ou derrube os objetos em cima dele. Fixar a mesinha no chão aumenta a segurança, porque ela funcionará como apoio quando a pessoa se levantar. Se houver abajur, deve estar fixado à mesa ou na parede. Por fim, lanterna na gaveta para o caso de falta de luz.

As mudanças têm o propósito de adaptar o ambiente para torná-lo mais seguro, mas sem se tornar frio ou pouco aconchegante. No site casasegura.arq.br, Cybele detalha o que fazer cômodo por cômodo. Na próxima coluna, vamos falar de cozinha e banheiro.

Crédito: reproduções do livro “Casa segura – uma arquitetura para a maturidade”

Compartilhe

Deixe um comentário