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Mansão do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira é arrematada por R$ 27,5 milhões

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Foto de arquivo da mansão do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira no Morumbi, em São Paulo — Foto: Jonne Roriz/Agência Facto/Agência Estado

A mansão do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira foi arrematada em leilão nesta terça-feira (18) pelo valor de R$ 27,5 milhões. O imóvel faz parte da massa falida do Banco Santos, que sofreu uma intervenção do Banco Central em 2014 depois de um rombo bilionário.

O lance vencedor foi maior que o mínimo estipulado, de R$ 10 milhões, mas bem abaixo da avaliação de valor do imóvel, que é de R$ 78 milhões. A residência fica no bairro do Morumbi, na Zona Sul da capital paulista, e é uma das maiores mansões da cidade.

Este é o quarto leilão realizado para a mansão. O terceiro ocorreu em outubro de 2019, com uma proposta vencedora de R$ 9 milhões, que não agradou aos credores.

A casa tem 8 mil metros quadrados de área construída, custo com manutenção de R$ 1 milhão por ano, e foi projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake com paisagismo de Burle Marx.

Entre as curiosidades do imóvel estão uma mesa de 24 lugares feita em mogno no século 19, na Inglaterra, avaliada em mais de R$ 100 mil, a parede da sala de jantar revestida em ouro e um elevador exclusivo para transporte de comida até os quartos no segundo pavimento.

Edemar Cid Ferreira foi despejado da mansão em 2011 e o imóvel entrou como massa falida do Banco Santos S/A.

Mansão de Edemar Cid Ferreira vai a leilão novamente por R$ 10 milhões

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Novo leilão

Antes do resultado, o juiz da segunda vara de falências, Paulo Furtado de Oliveira Filho, que cuida deste processo, afirmou que esperava que o leilão fosse o definitivo para conseguir arrematar a casa.

“Infelizmente não será possível pagar o total da dívida, mas o fato de já terem sido pagos mais de R$ 1,7 bilhão significa dizer que essa falência é um processo de sucesso. Em muitas falências não são feitas sequer o pagamento de 20% do valor devido e, nesse caso, nós já conseguimos pagar mais de 50%. Já foram feitos mais de cinco rateios”, explicou o juiz.

“Já foram leiloados vários imóveis, alguns deles comerciais, na Marginal Pinheiros, obras de arte no exterior e no Brasil, e outros bens da massa falida. Agora é necessário fazer a venda deste imóvel e da carteira de créditos do banco”, continuou.

Pedro Amorim, advogado e diretor da D1Lance.com Leilões, empresa responsável pelo leilão da mansão, comenta que, “embora a casa tenha uma simbologia muito relevante, não existe nada na matrícula do imóvel que impeça sua utilização para outro tipo de empreendimento, desde que residencial. Tecnicamente ela pode ser demolida”.

O Banco Santos faliu no ano de 2005. No ano seguinte, Edemar Cid Ferreira foi preso, depois solto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e responde em liberdade por gestão fraudulenta de instituição financeira. Ele era colecionador de obras de arte e na casa que está em leilão tinham obras de Brecheret, Basquiat e Portinari, todas já leiloadas, assim como 5 mil garrafas que compunham a adega da casa.

O administrador da massa falida, Vânio Aguiar, falou dos bens que ainda serão leiloados. “A expectativa é muito grande porque os interessados já estão em número de 11, já tem um depósito nos próprios autos de R$ 13 milhões, e acreditamos que vai acima de R$ 20 milhões esse leilão – a casa, a carteira de créditos, e algumas obras de arte que estão em museus”, disse.

 Edemar Cid Ferreira, dono do banco de Santos, em foto de 2004 — Foto: Evelson de Freitas/Estadão Conteúdo/Arquivo Edemar Cid Ferreira, dono do banco de Santos, em foto de 2004 — Foto: Evelson de Freitas/Estadão Conteúdo/Arquivo

Edemar Cid Ferreira, dono do banco de Santos, em foto de 2004 — Foto: Evelson de Freitas/Estadão Conteúdo/Arquivo

G1

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