MARINA MOSCHEN: “A GENTE TEM QUE IR ATRÁS DO QUE DEIXA A GENTE VIVO”

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Marina Moschen Capa (Foto:  )
Marina Moschen Abre  (Foto:  )

Marina Moschen tem apenas 22 anos, mas já deixou para trás a categoria de “promessa” para se consolidar como uma das melhores atrizes de sua geração. Está na terceira novela na faixa das 7, Verão 90, depois de papéis elogiados em Rock Story e Deus Salve o Rei, em uma trajetória que surpreendeu até ela mesma. “Tem tanta gente talentosa e dedicada tentando e não conseguindo. Quando acontece com você é ‘caramba, aconteceu, agora tenho que fazer por onde e dar valor’. Mas sempre tive bastante pé no chão”, garante.

Com os cabelos mais curtos — “Estou adorando, me sinto mais livre e no calor do Rio é uma mão na roda” –, Marina vive a patricinha Larissa. Noiva de Quinzinho (Caio Paduan), ela se apaixona por Diego (Sérgio Malheiros), deixando parte da vida de privilégios para trás. “Vale a pena, quando é uma pessoa que de fato te toca em algum lugar. Qualquer experiência é válida. A gente tem que ir atrás do que deixa a gente viva”, ensina ela.

Ano passado, Marina terminou o namoro de seis anos com o economista Daniel Nigri. Com ele, quase 20 anos mais velho, a atriz garante que aprendeu o que esperar de um relacionamento. “Daniel me ensinou a lealdade, a entender o que é ter carinho e ter amor por uma pessoa, o que a gente pode seguir junto e o que faz parte de cada um”, pondera.

Solteira, há algumas semanas Marina usou seu Instagram para negar que estivesse namorando uma amiga. “Eu poderia falar ou não. Eu escolhi falar porque envolvia de fato a vida de uma outra pessoa que não escolheu estar exposta”, explica ela, que não acha que é obrigada a dar satisfações de sua vida pessoal. “Pode acontecer de novo e eu escolher não falar”, avisa a atriz, que tem quase três milhões de seguidores no Instagram. Não podemos ser reféns da internet, mas dá para usar a rede muito a nosso favor”, diz.

Marina nasceu em Angra dos Reis, cidade de 170 mil habitantes no litoral do Rio, onde foi criada pelos avós paternos, Abel, de 80 anos, e Vera, de 70 – a atriz sempre conviveu com os pais, o biólogo Fernando, de 46, e a artesã Elaine, de 42. “Meus avós me ensinaram a ser dedicada, que tem que ter mérito para conseguir as coisas, que é preciso correr atrás”, lembra a atriz. Foi graças a eles, que a matricularam em vários cursos – chegou a fazer dez ao mesmo tempo fora do horário escolar – que ela descobriu a paixão pela dramaturgia.

Aos 16 anos, mudou para o Rio, voltou a morar com o pai, entrou em um curso de teatro e teve sua primeira chance na TV, em Os Dez Mandamentos, em 2015, na Record. Depois vieram Malhação: Seu Lugar no Mundo e a trinca de tramas das 7. Com a carreira, veio o amadurecimento profissional e pessoal: Marina foi viver sozinha e começou a trabalhar no desenvolvimento pessoal. Participa de encontros feministas, cursos e palestras, estuda o famoso “lugar de fala”. “Sou uma pessoa em aprendizado”, garante.

Marina Moschen (Foto: Vinicius Mochizuki)

Larissa é uma menina rica, que mora de frente para a praia, e sai dessa vida “perfeita” para cair numa realidade mais “normal”. Você se identifica com ela?
Somos muito diferentes, por questões familiares e estruturais. Ela vem de uma família com uma condição muito boa e vive em um mundo de privilégios. Mas mesmo nesse meio, Larissa olha para o próximo e é muito aberta a conhecer um mundo diferente do que sempre foi apresentado. Essa curiosidade com o próximo e não ter julgamentos, faz com que ela saia dessa bolha. Temos isso em comum: essa empatia, essa vontade de sair desse lugar estável, de não se acomodar em uma vida estruturada. Quando ela se apaixona por Diego, a vida dela muda. Ele proporciona mais calor, experiências como a de não ir ao restaurante e fazer a própria comida.

Marina Moschen Aspas (Foto:  )

Você passou também por essa transição para a “vida real”?
Passei por isso, mas de uma forma que não veio assim do nada. Fui amadurecendo e foi tudo muito natural. Eu fui criada por vó, tinha muito cuidado e muito amor, além de uma grande estrutura. Me mudei para o Rio para estudar, e a vida aqui foi diferente porque tive que correr atrás das minhas coisas, do meu estudo, e logo depois comecei a trabalhar. Agora estou morando sozinha. Fui criando essa independência, não tive que aprender a lidar com a vida do nada. Fui construindo isso com uma base familiar grande. Hoje me vejo bem independente e bem mais madura, mas tive esse suporte para caminhar até agora.

Como foi sua infância?
Cresci em Angra dos Reis criada pelos meus avós paternos. Sempre tive meus pais por perto, morei muito tempo com meu pai, e minha mãe sempre foi muito presente. Mas por uma questão de estrutura fiquei com meus avós; minha mãe morava na Ilha Grande, era mais complicado de escola. Acabou que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo: meus avós são meus melhores amigos. Eles me fizeram ter uma visão sobre a vida e sobre o mundo que é um privilégio de quem foi criado pelos avós.

Marina Moschen Aspas (Foto:  )
Marina Moschen (Foto: Vinicius Mochizuki)

De que forma?
Dizem que filho de vó é mimado, mas minha avó sempre foi uma mãezona que me ajudou a ver a vida de uma forma mais saudável e madura. Eles me ensinaram a ser dedicada, que tem que ter mérito para conseguir as coisas, que é preciso correr atrás. Sempre me cobraram muito em relação ao estudo e abriram muito o meu olhar. Teve uma época em que além do colégio eu fazia dez cursos, como balé, jazz, piano. Eu segui o caminho de atriz graças à minha avó, não fiquei fechada naquela ideia de tem que fazer uma faculdade disso ou daquilo para ser estruturada na vida. Ela me mostrou o mundo e me deu um leque de opções: ‘Você pode fazer o que quiser desde que se dedique a isso’. Meus avós me deram muito amor e carinho, mas nunca me deram nada de mão beijada.

Gostava de viver em uma cidade pequena?
Angra é uma cidade muito especial, com 365 ilhas na frente! É muito legal ter a oportunidade de crescer numa cidade pequena, porque você tem segurança, cresce brincando na rua, conhecendo quase todo mundo. Mas na adolescência comecei a sentir falta de algumas coisas que a cidade não proporcionava mais, como cursos, ir à peças. Entendi que já tinha aproveitado tudo e queria conhecer mais da vida e do mundo, e Angra ficou pequena. Saí de lá com 16 anos e fui morar com meu pai no Rio.

Como foi voltar a viver com ele?
Eu vim para estudar teatro e terminar o ensino médio. Mas em algum momento eu teria que sair de Angra para fazer faculdade e adiantei isso em dois anos. Foi muito bom morar com ele. Sair de uma cidade pequena para uma grande não foi uma mudança muito radical porque eu tinha meu pai do lado e continuava tendo suporte familiar e afetivo dele. É meu pai, mas também é meu amigo. Não teve atrito, até porque a gente foi criado pela mesma pessoa, minha avó.

A vontade de ser atriz sempre esteve presente?
Não era algo que eu cogitava na minha infância e adolescência, mas fiz uma aula de teatro e ali acendeu uma luz. Quando comecei a estudar no Rio, eu vi que era possível trabalhar com as minhas sensações e questões, colocar isso dentro de um personagem e apresentar para alguém. Aí, tive certeza absoluta e não cogitei nenhuma outra profissão.

Marina Moschen (Foto: Vinicius Mochizuki)
Marina Moschen Aspas (Foto:  )

Sua carreira engrenou rapidamente. Em algum ponto se assustou com a velocidade que as coisas aconteceram?
Assustada não, surpresa, sim, de as coisas acontecerem. Tem tanta gente talentosa e dedicada tentando e não conseguindo, quando acontece com você é ‘Caramba, aconteceu, agora tenho que fazer por onde e dar valor’. Mas desde que vim para o Rio sempre tive bastante pé no chão, as coisas foram acontecendo e fui procurando entender o momento. Eu me questionava antes, durante e depois. Continua sendo um momento de reflexão até hoje. Não foi tão do nada assim, foi muito natural. Mas durante o trabalho, às vezes você se pega naquela de ‘Nossa, estou atuando com esta pessoa’. Aí você para e pensa: ‘Nunca imaginei isso na vida’. Foi assim com Marco Nanini, em Deus Salve o Rei. Ele é o Nanini e é uma pessoa tão gente como a gente (risos)!.

O relacionamento de Larissa com Diego fez com que você pensasse mais a questão do racismo no Brasil?
Já era algo sobre o que eu refletia bastante antes da novela. Mas quando você lê as cenas, passa de fato colocar isso no trabalho também, o que é muito importante. Que bom que Verão 90 está falando sobre isso porque estamos colocando o tema na casa das pessoas, e tem quem ainda não pare para refletir sobre o assunto. Assim como outros movimentos, o racismo também tem sido bastante discutido e há menos tolerância com o preconceito. Mas ainda há muito que se caminhar e eu fico feliz de estar em uma novela que está abordando esse assunto.

Marina Moschen Aspas (Foto:  )

A sua geração de atores mantém um contato mais direto com o público pelas redes socais. Como é essa relação? Já se sentiu julgada?
No meu Instagram nunca teve algo que me incomodasse. As pessoas que estão me seguindo, não é que elas me conhecem, mas sabem um pouco do que eu costumo colocar. Só bloqueei perfis que xingam e não têm fotos, sabe? A rede social ajuda muito, principalmente quando você está no ar porque os fãs repostam vídeos, fazem comentários. O Twitter eu uso muito para responder às pessoas e conferir o que estão achando da novela. Acredito que não podemos ser reféns da internet, mas dá para usar a rede muito a nosso favor.

A rede também pode ser usada para defender causas e lutas. Esse é um papel do artista?
Já que a gente tem uma imagem pública, já que de certa forma tem um pouco de voz, se tem uma causa ou uma luta que posso ajudar ou acredito de fato é sempre válido dividir isso com outras pessoas. É claro que a minha opinião sobre algo não precisa ser a de todo mundo, temos que respeitar isso. Mas a partir do momento em que é minha rede social, quem está me seguindo tem que estar aberto a escutar o que eu penso. Também é uma forma até de passar informação: ‘Você está atento a isso? Está refletindo sobre isso?’. Tem muita coisa que eu posso guardar e conversar apenas com amigos, mas tem muita coisa que é importante colocar ali.

Marina Moschen (Foto: Vinicius Mochizuki)
Marina Moschen Aspas (Foto:  )

Você já fez posts sobre o movimento Mexeu com uma Mexeu com Todas e também sobre o caso do médium João de Deus, acusado de assédio e estupro. Como você se vê dentro do momento feminista?
Sou feminista e sou uma pessoa em aprendizado. Esse é um assunto que se começou a estudar e discutir há pouco tempo, infelizmente. Não foi uma coisa que eu cresci escutando. Eu me vejo em várias situações, parando e tendo que questionar, pensar e ler, conversar com outras amigas. Acho que é entender o nosso lugar no mundo; no caso do feminismo estamos procurando uma sociedade igualitária. Mas dentro do feminismo há vários assuntos, como lugar de fala, até onde posso falar sobre algo. Eu me vejo uma feminista em um caminhar, me cercando de pessoas que têm mais base, tentando crescer como pessoa e passar um pouco do meu conhecimento para o próximo.

Em que situação você conseguiu identificar ‘estou sendo vítima de machismo’?
Tenho prestado muito atenção na fala mesmo. Às vezes você está em um encontro com várias pessoas e, de fato existe, um foco na fala do homem. Já quando a mulher está falando ela é interrompida com uma frequência que não acontece quando é um homem. Existe essa diferença. E, claro, tem várias situações do nosso dia, quando você está numa festa e fala ‘não’, e a pessoa continua insistindo de uma forma desrespeitosa e quase agressiva. Vejo isso com amigas, não só comigo. Ainda tem muito que melhorar, mas as pessoas estão mais atentas.

Marina Moschen (Foto: Vinicius Mochizuki)
Marina Moschen Aspas (Foto:  )

Já passou por situações de assédio?
Sim, dessa intimidade que não existe, de você falar que não quer, e a pessoa continuar insistindo, e você anda para um lado, e ela vai atrás de você. Existe essa inconveniência que é chata e que não acontece de forma contrária (da mulher com o homem). É puro machismo o cara achar que aquilo faz parte dele até porque não faz. Mas assédio de passar a mão, por exemplo, nunca.

Larissa vai deixar o mundo que sempre teve por um amor. Você mudaria sua forma de vida por causa de um grande amor?
Não aconteceu ainda, mas talvez, sim. Não sei se mudaria completamente a minha vida, depende muito do caso. A Larissa estava há seis anos em um relacionamento pacato e encontra alguém que deixa ela com a perna bamba, apaixonada. Aí vale a pena, quando é uma pessoa que de fato te toca em algum lugar. Qualquer experiência é válida. A gente tem que ir atrás do que deixa a gente viva. A partir do momento em que não deixa mais a gente viva se transformou em outra coisa.

Você começou a namorar o Daniel ainda adolescente e ficaram juntos por seis anos. O que aprendeu dessa união para a vida?
Daniel foi muito importante, uma pessoa de quem eu gosto muito. A gente continua tendo uma super-relação, ele é um dos meus melhores amigos. Em seis anos de relacionamento a gente aprende muita coisa, sobretudo a lealdade, estar com alguém de quem você gosta, respeitar aquela pessoa e os momentos dela, saber lidar com um indivíduo que não é você e não é da sua família. Você começa a viver uma vida a dois. Daniel me ensinou a lealdade, entender o que é ter carinho e ter amor por uma pessoa, o que a gente pode seguir junto e o que faz parte de cada um. Compreendi o que é uma relação. Me fez amadurecer e crescer e ter um entendimento da vida.

Marina Moschen (Foto: Vinicius Mochizuki)
Marina Moschen Aspas (Foto:  )

Hoje o que você procura em um relacionamento?
Uma relação saudável em que eu possa ter a minha individualidade, ser Marina, poder viver a minha vida, e, ao mesmo tempo, viver com uma pessoa de uma forma saudável, tranquila e respeitosa. Procuro alguém leal, que me ame, que queira ficar ali. Relacionamento é isso, são duas pessoas dedicadas a fazer aquilo dar certo. Eu gostaria de no futuro, se tiver um próximo relacionamento, alguém que queira tocar isso junto.

Você saiu de casa cedo, amadureceu mais rápido, namorou seis anos um homem mais velho. Pessoas mais maduras te atraem?
Talvez, sim, mas isso não me impede de no futuro namorar alguém da minha idade. Não estou fechada em relação a isso, mas quando você já se relacionou com alguém assim, é difícil um pouco voltar (a se relacionar) com quem está começando a ter experiência. Não é um padrão que eu pretendo seguir, mas pode ser que exista, sim, uma tendência.

Há pouco tempo, em seu Instagram, você fez um post desmentindo que estivesse namorando uma amiga. Sentiu-se pressionada a dar satisfação da sua vida pessoal?
É uma escolha, eu poderia falar ou não. Essa pressão não pode determinar algo. Eu escolhi falar porque envolvia de fato a vida de uma outra pessoa, que não escolheu estar exposta, que não escolheu estar nessa situação e tinha a sua vida. Falei por essa situação que envolvia uma pessoa próxima que não escolheu estar nesse meio. Mas não que isso (falar) seja uma obrigação. Pode acontecer de novo e eu escolher não falar, e não necessariamente vai ser verdade ou mentira em um próximo caso. Só escolhi falar nesse caso porque a outra pessoa merecia um pouco de respeito.

Namoraria uma mulher?
Meu único relacionamento até hoje foi com homem, com o Daniel, então acho que, até agora, não. No momento, não. Nunca aconteceu. Mas estamos em uma época em que a gente não tem mais essa obrigação de definir algo. A vida está aí aberta a tudo, da mesma forma como posso estar me relacionando com um homem da minha idade ou um homem mais velho.

Marina Moschen (Foto: Vinicius Mochizuki)
Marina Moschen Aspas (Foto:  )

Sua mãe passou por um problema sério de saúde (Elaine foi diagnosticada com um linfoma Não Hodgkin e passou por tratamento). No que isso afetou sua forma de ver a vida?
São coisas da vida, não tem muito como escolher. A gente tem que aprender com isso. É difícil, acontece sei lá por qual razão, mas são formas de amadurecer, de crescer. Eu levo um pouco para esse lugar de que mesmo os momentos muito ruins são momentos que trazem bagagem para a gente e para fortalecer as relações. Faz pensar mais sobre a vida, dar importância ao que tem que se dar importância. Se olhar pelo lado positivo é uma forma de amadurecimento. Você respeita mais a vida também; da mesma forma que dá vontade de dar uma extravasada, de colocar tudo para fora, você vê que tem que se cuidar, se alimentar. Não dá para viver achando que é imortal. É uma mistura dos dois, de controle e da vontade de extravasar e falar ‘Deixa eu viver o mundo’.

E de que maneira você vive o mundo?
Para mim é ter equilíbrio. É tentar colocar de alguma forma, de igual para igual, os momentos de ir para fora, de sair com amigos, de ter amores, e também ir para casa, ler um livro, relaxar, se cuidar, pensar no seu corpo e na sua saúde. É ter 50% e 50% bem equilibrados.

Fotos: Vinicius Mochizuki
Beleza: Walter Lobato

Marina Moschen (Foto: Vinicius Mochizuki)

ANIVERSARIANTES

Alinne Rosa

22/03Áries

Reese Witherspoon

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Vladimir Brichta

22/03Áries

Nathalia Dill

24/03Áries

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24/03Áries


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