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O PT escolhe o novo presidente e o resultado pode ser decisivo para Camilo

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Edvaldo Araújo
edvaldo@focus.jor.br

Algo em comum reúne os três candidatos a presidente do PT: todos se afirmam defensores da candidatura própria nas eleições de Fortaleza em 2020. Seguem à risca a diretriz nacional do partido, que é lançar candidaturas em todas as capitais e grandes cidades do País como forma de reafirmar e reanimar politicamente as posições do partido. Discurso aceito, na prática existem particularidades na

conjuntura da capital cearense: a presença de um ator peculiar, o governador Camilo Santana.

A presença de Camilo Santana nas eleições de 2020 pode ser decisiva. Nos últimos meses, Camilo conseguiu fazer com que a área da segurança pública – um dos vilões da eleição passada – saísse da agenda negativa para uma agenda positiva e com números exitosos. Isso, aliado a uma presença constante do Governo na Capital.

A dificuldade, entretanto, está no arco de aliança a ser construída em torno do governador. A forte e, até aqui, inquebrável aliança entre Camilo e o prefeito Roberto Cláudio (PDT), ambos debaixo do guarda-sol dos Ferreira Gomes, o afasta dos desígnios petistas.

Na Capital, a maior parte do partido e da militância ainda não conseguiu superar a rivalidade com os Ferreira Gomes e, por consequência, com Roberto Cláudio, que os levou ao confronto nas últimas duas eleições municipais e até nas eleições nacionais de 2018. Importante lembrar que, durante a gestão, Roberto Cláudio sempre teve o PT na lista dos partidos de oposição.

Porém, desta vez o candidato não será Roberto Cláudio e a escolha, em ambos os lados, PT e PDT, terá a influência do governador, que, sim, é parte a ser ouvida no processo político. A capacidade de Camilo Santana em caminhar em terreno tão movediço é que fará a diferença.

Em 2018, a presença do governador foi decisiva para que o PT abrisse mão da possibilidade de ter um candidato a senador, alicerçando o caminho que o levava a uma aliança informal com o MDB e a candidatura ao Senado de Eunício Oliveira. No fim das contas, a articulação não obteve sucesso por que o eleitor assim não o quis.

Agora, o principal candidato de oposição à Roberto Cláudio, Capitão Wagner (PROS), está muito longe do arco de alianças do governador e perder a eleição em Fortaleza para ele pode se transformar em uma grande dificuldade para eleições de 2022.

A escolha do presidente do PT, que se inicia neste domingo, pode mostrar qual o grau de dificuldade do caminho a ser trilhado por Camilo para ter êxito nas eleições de 2020. Todas as candidaturas afirmam que querem conversar com o Governador. Porém, quando se dará a conversa e o nível de envolvimento podem fazer a diferença na escolha da estratégia da próxima eleição.

Para observar a diferença basta ver os apoiadores dos candidatos. Raimundo Ângelo tem entre os apoiadores Luizianne Lins e Elmano de Freitas, dois dos principais pré-candidatos à prefeitura pelo PT. Já Guilherme Sampaio passou os dois últimos mandatos de vereador (com exceção do período que ocupou a Secretaria de Cultura do Estado) em plena campanha de oposição ao prefeito Roberto Cláudio, mas mantém uma linha de diálogo com Camilo. Por fim, Liliane Araújo tem como apoiadores Zé Airton e Acrísio Sena, deputado estadual que tem cumprido o papel de articulador do governador dentro do PT de Fortaleza e na Assembleia.

Em graus diferentes, todos defendem mesmo a candidatura própria do PT, mas no mesmo grau podem facilitar ou não o diálogo com Camilo Santana. E torna ainda mais movediço um terreno já bem instável.

 

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