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Operador de Cabral delata e diz ter dado propina a Pezão, que tem interrogatório adiado

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Operação Boca de Lobo: operador de Cabral admite que entregou propina a Pezão

Operação Boca de Lobo: operador de Cabral admite que entregou propina a Pezão

Um dos operadores do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), Sérgio de Oliveira Castro (o Serjão) se tornou delator na Lava Jato. A homologação da colaboração premiada ocorreu em setembro, mas só foi comunicada à Justiça Federal do Rio na segunda-feira (13).

O anúncio da oficialização foi feito nesta terça-feira (14) pelo juiz Marcelo Bretas, que suspendeu os outros interrogatórios do dia, inclusive o do ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB).

O adiamento obedece a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que os réus devem ser ouvidos depois de terem acesso às colaborações e também ao interrogatório dos colaboradores.

Serjão já havia citado Pezão e voltou a dizer que o ex-governador recebia “mesadas de propina”, de R$ 50 mil a R$ 150 mil.

“No primeiro governo do Sérgio Cabral, desde o segundo mês do governo, foi instituída uma vantagem para algumas pessoas do governo. Entre elas, o (futuro) governador Luiz Fernando Pezão”, afirmou.

O Ministério Público Federal (MPF) estima que o sucessor de Cabral tenha embolsado R$ 40 milhões. Pezão, que foi solto há um mês pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nega.

Serjão diz que os valores “sempre foram entregues nas mãos de Pezão”. Ao longo do tempo, segundo ele, a mesada aumentou.

O principal operador financeiro de Cabral, Carlos Miranda, também já havia se tornado delator e denunciado Pezão.

Pelo telefone, Pezão disse ao G1 de manhã que nenhum empresário confirma as acusações. As denúncias, diz, ficariam restritas ao grupo ligado a Cabral.

“Na acareação, o Miranda – que tinha apontado R$ 40 milhões – fala em R$ 25 milhões. Não é verdade. Nenhum empresário confirma o que ele está dizendo”, afirmou.

‘Se a propina atrasava, tinha reclamação’

De acordo com Serjão, outros membros do primeiro escalão do governo recebiam propina de suas mãos: Régis Fichtner, Hudson Braga e o próprio Cabral.

“Nunca acumulou (a propina pro mês seguinte). Eram programadas para serem pagas do dia 15 ao dia 20. Se passasse muito, tinha reclamação. Dia 15 a 20 eu pagava o Pezão”.

Na versão do delator, a vantagem indevida era paga aos integrantes da organização criminosa que faziam “um bom trabalho”.

Boca do Lobo

Luiz Fernando Pezão (MDB) tinha interrogatório previsto para esta terça-feira no processo da Operação Boca do Lobo, desdobramento da Lava Jato do Rio, que o prendeu em novembro de 2018.

A acusação afirma que Pezão recebeu R$ 40 milhões em propina, integrando e aprimorando o esquema de corrupção de Sérgio Cabral. O esquema foi delatado por Carlos Miranda, operador de Cabral.

Na versão dele, quando ainda era vice, Pezão recebia mesada de R$ 150 mil. A propina incluía pagamento de 13º “salário”, além de dois bônus de R$ 1 milhão.

Os ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão em evento  — Foto: Reprodução/TV GloboOs ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão em evento  — Foto: Reprodução/TV Globo

Os ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão em evento — Foto: Reprodução/TV Globo

Ao virar governador, Pezão teria passado a cobrar 8% de propina sobre os contratos firmados com o governo. Na Era Cabral, eram cobrados até 5% dos valores dos fornecedores.

Atualmente, o ex-governador está impedido pelo STJ de deixar o Rio ou exercer cargos públicos. Ele também deve usar tornozeleira eletrônica. Cabral segue preso.

NÃO USAR --- Arte detalha esquema de Pezão e Cabral, segundo o MPF — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1NÃO USAR --- Arte detalha esquema de Pezão e Cabral, segundo o MPF — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1

NÃO USAR — Arte detalha esquema de Pezão e Cabral, segundo o MPF — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1

Tornozeleira eletrônica

Pezão foi solto no dia 11 de dezembro. Ele deixou a Unidade Prisional, em Niterói, à noite, e seguiu para sua casa em Piraí, no Sul do estado. Uma das medidas cautelares impostas pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi o uso de tornozeleira eletrônica.

Pezão viaja para o Rio e coloca tornozeleira eletrônica

Pezão viaja para o Rio e coloca tornozeleira eletrônica

G1

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