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“Pareceu um terremoto”, diz brasileira que viu explosão em Beirute

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Do seu apartamento no terceiro andar de um prédio residencial em Baabda, bairro de Beirute, capital do Líbano, a brasileira Leila Georges Maini, de 70 anos, sentiu, a 7km de distância, o impacto das duas explosões que já deixaram pelo menos 73 vítimas e feriram outras 2.500 na tarde desta terça-feira (4): “parecia um terremoto, moramos no terceiro andar de um prédio. O prédio ‘foi e voltou'”.

Leia mais: Explosões em Beirute deixam mais de 70 mortos e 3.700 feridos

As explosões não deixaram feridos ou quebraram janelas na casa dela, como ocorreu em outros apartamentos, mas contribuiu para a morte de uma prima da brasileira, que dependia de tubulação de oxigênio para respirar em sua residência. “Com a explosão, a casa dela teve a energia cortada e ela morreu asfixiada. Acabei de saber”, contou.

O ministro da Saúde do Líbano, Hamad Hassan, informou que ao menos 73 pessoas morreram e 3.700 ficaram feridas após uma série de explosões na região portuária na capital, de acordo com a TV Al Jazeera.

Em entrevista por telefone ao R7, a brasileira comparou o momento em que presenciou a tragédia, da sacada de seu apartamento, a um ataque nuclear. “Beirute hoje virou Hiroshima. Do jeito que foi a explosão é muito parecido com quando vejo os filmes e vídeos sobre Hiroshima, me lembra muito, acredite se quiser”.

O Itamaraty diz que a tragédia ainda não vitimou brasileiros.

A megaexplosão no porto em Beirute foi causada por toneladas de nitrato de amônio estocado no local há anos, segundo informações da CNN. Há preocupação em relação há previsão de chuva para quarta-feira (5), que pode tornar o cenário ainda pior, carregando o material que ainda está suspenso no ar.

Antes do episódio, a cidade de Beirute já vinha sofrendo com problemas econômicos, sanitários e políticos. Com 5.062 casos e 65 mortes por covid-19, a capital libanesa foi obrigada na semana passada a restituir um lockdown para conter o contágio do vírus.

“Ainda tem muita gente desaparecida, aqui na TV estão falando em 5.000 feridos. Isso que os hospitais já estavam cheios por causa da covid-19”, conta Leila Mayini. Além da pandemia, a brasileira conta que moradores da região temiam ataques do governo de Israel e da milícia Hezbollah, que negaram envolvimento com a tragédia.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Defesa Supremo. O primeiro-ministro, Hassan Diab, decretou luto nacional para esta quarta-feira (5).

Fotos mostram impacto da megaexplosão em porto de Beirute

*Estagiário do R7, sob supervisão de Clarice Sá 

*Com informações da Agência Estado

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