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Peritos do DF usam técnica pioneira para identificar idoso morto há seis meses

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A Polícia Civil do Distrito Federal identificou o corpo de um homem de 65 anos, desaparecido desde janeiro deste ano. A vítima foi encontrada cerca de seis meses após a morte, dentro de uma cisterna, em Luziânia (GO), em “estado de mumificação”.

Para identificação, os peritos utilizaram um procedimento de análise genética a partir da cartilagem, o que possibilitou o reconhecimento 29 horas após o estudo. Em geral são necessários 75 dias para o laudo.

De acordo com o perito médico legista do Instituto de Pesquisa e DNA Forense da Polícia Civil (IPDNA), Samuel Ferreira, a técnica desenvolvida no DF é pioneira no Brasil e esta é a primeira vez que o departamento consegue identificar um corpo em “franca decomposição”. Até então, a análise era possível em morte ocorrida até três semanas antes.

“Neste caso, mesmo com o material genético em decomposição há quase seis meses, foi possível isolar células de cartilagem para extrair o DNA.”

Diretor do IPDNA do Distrito Federal explica metodologia de identificação de corpos. (Foto: Marília Marques/G1) Diretor do IPDNA do Distrito Federal explica metodologia de identificação de corpos. (Foto: Marília Marques/G1)

Diretor do IPDNA do Distrito Federal explica metodologia de identificação de corpos. (Foto: Marília Marques/G1)

Para análise, o material genético da vítima – extraído de uma cartilagem do braço – foi comparado com o DNA do filho. Segundo a Polícia Civil, a identificação foi possível devido a um processo químico ocorrido no corpo da vítima, conhecido como saponificação, que “mumificou” parte do material genético.

“O corpo estava preservado por estar em uma cisterna: um ambiente úmido, com baixa iluminação e pouco oxigênio.”

A técnica de identificação por meio de tecidos moles foi desenvolvida há 11 anos no Distrito Federal, e já é aplicada em institutos legistas de todo país. Até este momento, no entanto, o uso dos procedimentos era limitado pelo tempo decorrido entre a morte e a análise.

Histórico

Segundo Ferreira, a expertise também já foi aplicada em casos de grande repercussão, como na identificação de vítimas da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e no reconhecimento de corpos após o acidente com o avião da Gol, em 2006.

Para o delegado da 29ª Delegacia de Polícia, Christian Alvim, responsável pela investigação da morte de Gerson Macêdo, a técnica aplicada foi importante para a comprovação da morte do comerciante e “fundamental para que o Ministério Público fizesse a denúncia do caso”.

“Se fôssemos aguardar o prazo a partir de análise da amostra óssea, com certeza ultrapassaria a ‘razoabilidade do processo’ e o preso poderia ser colocado em liberdade.”

Corpo de empresário do DF sendo resgatado de cisterna. (Foto: Reprodução/PCDF) Corpo de empresário do DF sendo resgatado de cisterna. (Foto: Reprodução/PCDF)

Corpo de empresário do DF sendo resgatado de cisterna. (Foto: Reprodução/PCDF)

Relembre o caso

O corpo de Gerson Macêdo, de 65 anos, foi encontrado no último dia 13, em “estado de mumificação”, no fundo de uma cisterna, de 18 metros de profundidade, na cidade de Luziânia, em Goiás.

Segundo as investigações, em 2016, o empresário – desaparecido desde janeiro – tinha comprado quatro quitinetes dos suspeitos. Ele desembolsou cerca de R$ 350 mil. Em outubro de 2016, ele teria sido informado que os supostos vendedores não eram proprietários dos imóveis e passou a procurá-los para tentar recuperar o dinheiro.

De acordo com o delegado-chefe da 29ª Delegacia de Polícia, Christian Alvim, o empresário entregou um papel com o nome dos vendedores para uma funcionária, informando que iria encontrá-los. Como o idoso não voltou, ela procurou a polícia.

Em janeiro, a Polícia Civil do DF começou a investigar os três suspeitos envolvidos na negociação com o empresário. No mesmo período, a polícia do estado de Goiás recebeu uma denúncia que três homens carregavam um corpo não identificado em um carro.

Polícia Civil prende suspeito de matar idoso

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Em abril, um dos suspeitos foi encontrado morto com cinco tiros na casa onde morava, em Luziânia. A polícia atribui o crime aos outros dois investigados. Para o delegado Christian Araújo, “a morte de um dos suspeitos os ajudou a associar os crimes, e chegar até o corpo do empresário”.

Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil do DF ainda procurava um outro suspeito, que está foragido. O delegado diz “ter provas que as três pessoas estariam envolvidas”.

O homem preso no dia 13 já tinha passagem pela polícia por estelionato. Ele vai responder por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. A pena prevista é de 24 anos de prisão. O crime de estelionato será julgado em outro processo.

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