Petrobras reverte prejuízo, mas tem lucro abaixo do esperado no 3º trimestre

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A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 266 milhões no 3º trimestre, informou a estatal nesta segunda-feira (13), revertendo o prejuízo de R$ 16,4 bilhões do mesmo intervalo do ano passado. Contudo, o resultado veio abaixo das expectativas do mercado, prejudicado por gastos não previstos com provisões para perdas na Justiça e despesas com a adesão ao programa de regularização tributária (Refis).

O lucro foi 16% menor que no trimestre anterior, quando a petroleira teve ganhos de R$ 316 milhões. No primeiro trimestre, o lucro foi de R$ 4,45 bilhões. Com o resultado do período, a estatal já soma quatro trimestres consecutivos de ganhos.

Últimos resultados da Petrobras
Lucros e prejuízos nos últimos trimestres, em R$ bilhões
5,35,30,50,5-3,7-3,7-36,9-36,9-1,2-1,20,370,37-16,4-16,42,52,54,454,450,3160,3160,2660,2661º tri/20152º tri/20153º tri/20154º tri/20151º tri/20162º tri/20163º tri/20164º tri/20161º tri/20172º tri/20173º tri/2017-40-30-20-10010

1º tri/2015
5,3
Fonte: Petrobras

Gastos extraordinários reduziram lucro

O lucro do terceiro trimestre veio bem abaixo das estimativas do mercado, prejudicado em especial por gastos extraordinários (não previstos) que somaram R$ 3,3 bilhões no período. Pelo consenso do mercado, a Petrobras deveria ter tido um lucro de R$ 3,2 bilhões.

  • Pesaram nesta conta os pagamentos para aderir a programas de regularização fiscal, de R$ 1,030 bilhão. Somente o Refis, que renegocia as dívidas do governo federal, representou uma despesa de R$ 900 milhões no período, segundo o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro.
  • A empresa também aumentou seus gastos e provisões para despesas judiciais no segundo trimestre, um impacto de R$ 1,061 bilhão. A Petrobras é alvo de ações na Justiça brasileira e estrangeira de acionistas minoritários que tentam conseguir indenizações pelo envolvimento da empresa com esquemas de corrupção revelados na operação Lava Jato.
  • Outros gastos vieram do impairment (revisão para baixo do valor de ativos) no valor de R$ 222 milhões, bem inferior aos R$ 15,7 bilhões que derrubaram o lucro no mesmo período de 2016.
  • Vídeo: Petro Parente, presidente da Petrobras, explica fatores que impactaram no lucro da estatal

    Vídeo: Petro Parente, presidente da Petrobras, explica fatores que impactaram no lucro da estatal

    Outros resultados

    No acumulado do ano, a estatal registra lucro líquido de R$ 5,031 bilhões, ante um prejuízo de R$ 17,3 bilhões. O presidente da estatal, Pedro Parente, avaliou como “muito positivo” o resultado acumulado dos três trimestres deste ano.

    A receita de vendas foi de R$ 71,822 bilhões no terceiro trimestre, 7% superior ao segundo trimestre (R$ 66,996 bilhões). O resultado foi puxado pelo aumento de 8% da receita no mercado interno.

    O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou R$ 19,223 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 22,262 bilhões no mesmo período do ano passado.

    Fatores que pressionaram o resultado, segundo a Petrobras:

    • Aumento das exportações de petróleo e derivados, a preços mais altos;
    • Menores margens e volume de vendas de derivados no Brasil;
    • Redução de gastos com pessoal e com baixas de poços secos e/ou subcomerciais;
    • Ganho com a venda da Nova Transportadora Sudeste (NTS) no segundo trimestre; a estatal vendeu a unidade de gasodutos para um consórcio liderado pela Brookfield, por cerca de US$ 5,2 bilhões.
    • Redução do impairment de ativos (baixa contábil pela redução do valor);
    • Maiores gastos com programas de regularização de débitos federais e despesas judiciais.
    • Endividamento menor

      A dívida líquida da companhia caiu 11% em relação ao mesmo período de 2016, passando de R$ 314,1 bilhões ao fim do primeiro semestre de 2017, para R$ 279,2 bilhões. O prazo médio da dívida cresceu de 7,46 anos em 31 de dezembro do ano passado para 8,36 anos, e o custo da dívida caiu 6,2% ao ano para 5,9% ao ano na mesma comparação.

      “A gente já começa a colher os benefícios dos pré-pagamentos, então está havendo uma redução do endividamento”, destacou o diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro.

      Da esquerda para a direita: Nelson Luiz C. Silva, Jorge Celestino, Ivan Monteiro, Pedro Parente, Solange Guedes, Roberto Moro e João Elek, durante divulgação do balanço da Petrobras nesta segunda-feira (13) (Foto: Daniel Silveira/G1)

      Da esquerda para a direita: Nelson Luiz C. Silva, Jorge Celestino, Ivan Monteiro, Pedro Parente, Solange Guedes, Roberto Moro e João Elek, durante divulgação do balanço da Petrobras nesta segunda-feira (13) (Foto: Daniel Silveira/G1)

      Após a crise detonada pela Lava Jato e pela queda dos preços internacionais do petróleo, o endividamento líquido da Petrobras passou de um patamar de R$ 100 bilhões no final de 2011 e chegou a R$ 392 bilhões no final de 2015.

      “Nós temos o décimo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre”, afirmou Monteiro. O diretor financeiro afirmou que a gestão da dívida tem permitido alongar os vencimentos.

      “Eu chamo a atenção para o ano de 2018, um ano de volatilidade por ser ano eleitoral”. Segundo Monteiro, será possível alongar ainda mais os vencimentos sem elevar a dívida.

      Redução de investimentos

      O capex (indicador de investimento) da empresa para 2017 foi revisado para baixo, de US$ 17 bilhões para US$ 16 bilhões, já incorporando o pagamento dos bônus dos leilões da ANP.

      Segundo Monteiro, essa redução deve-se à postergação de atividades de construção de FPSOs, do Gasoduto Rota 3 e ajustes no cronograma de Tartaruga Verde; a redução de tarifas de embarcações de apoio e maior eficiência nas atividades de revitalização de plataformas.

      Resultado operacional

      Dos resultados operacionais da companhia, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, destacou a produção no campo de Marlim, na Bacia de Campos. Lá, foi encontrado “óleo de muito boa qualidade”.

      “Estamos muito felizes de compartilhar mais uma vez com vocês os bons resultados da produção no pré-sal. Ele não é só mais um resultado positivo no pré-sal, com o mais expressivo na Bacia de Campos”, destacou Solange.

      Produção em plataforma do pré-sal da Petrobras  (Foto: Daniel Silveira/G1)

      Produção em plataforma do pré-sal da Petrobras (Foto: Daniel Silveira/G1)

      Dividendos

      Questionado sobre o possível retorno do pagamento de dividendos (parcela do lucro da companhia distribuída aos acionistas), Ivan Monteiro afirmou que “dependendo do resultado da final, se for positivo, sim, a companhia voltará a pagar dividendos”.

      Sobre os dividendos, Parente disse que “nós gostaríamos muito de pagar o mais rápido possível. Queríamos ainda este ano, mas ainda não sabemos se será possível”.

      Em 2015, a estatal anunciou que deixaria de pagar dividendos aos acionistas, em meio a fortes perdas financeiras associadas aos escândalos da operação Lava Jato. Na ocasião, a petroleira informou que a medida servia para preservar o caixa da estatal.

      Reestruturação e venda de ativos

      Para melhorar suas finanças, a estatal cortou investimentos e iniciou um programa de venda de ativos. Desde 2015, a Petrobras, a Petrobras já levantou R$ 42,5 bilhões (US$ 13,6 bilhões na conta em dólares) em negócios fechados.

      Embora ainda não tenha fechado nenhuma nova venda em 2017, a Petrobras ainda prevê arrecadar mais US$ 21 bilhões até 2018 (o equivalente a mais de R$ 65 bilhões) no seu plano de desinvestimentos.

      Entre as operações mais aguardadas, está a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da BR Distribuidora, prevista para ocorrer ainda neste ano.

      Ações da Petrobras

      No fechamento dos mercados, as ações preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) da Petrobras caíram 0,48% e as ordinárias recuaram 0,29% nesta segunda-feira (13), em sessão sem rumo para os preços do petróleo no mercado internacional.

      No ano, as ações preferências da Petrobras acumulam alta de mais de 11%. A petroleira segue como a 3ª maior em valor de mercado na Bovespa,atrás de Ambev e Itaú Unibanco, com os papéis avaliados em cerca de R$ 224 bilhões.

      A máxima histórica das ações foi registrada no dia 21 de maio de 2008, quando a estatal atingiu na Bovespa valor de mercado de R$ 510,3 bilhões, segundo a Economatica.

      Nova política de preços

      A Petrobras adotou neste ano uma nova política de preços para a venda de combustíveis e gás de cozinha. Desde julho, a estatal passou a fazer ajustes mais frequentes na gasolina e no diesel, com o objetivo de reconquistar participação no mercado doméstico.

      Parente admitiu que a companhia perdeu participação no mercado interno. “O país vive uma nova realidade, que é positiva para o país, mas que sem dúvida impacta no nosso resultado que é o aumento das importações. O nosso market share neste período diminuiu”, disse o presidente.

      O diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino, disse que a companhia fechou o trimestre com 73% do mercado de diesel e 83% da gasolina.

      Variação do preço da Petrobras influenciou no aumento do preço da gasolina nos postos de combustíveis (Foto: Reprodução/TV Morena)

      Variação do preço da Petrobras influenciou no aumento do preço da gasolina nos postos de combustíveis (Foto: Reprodução/TV Morena)

      Para o consumidor, o resultado da nova política foi um aumento expressivo nos preços da gasolina e do gás de cozinha. Segundo pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o valor médio cobrado nas bombas passou de R$ 3,90 pela primeira vez.

      Questionado sobre o impacto da nova política de preços da companhia sobre o resultado financeiro, Pedro Parente afirmou que “não temos nenhuma dúvida do acerto dessa política”. Segundo o executivo, “se eventualmente não estivéssemos praticando essa política o que veríamos seria um estímulo maior à importação”.

      Parente enfatizou, ainda, que entre 15 de outubro do ano passado, quando foi anunciada a nova política de preços, a 31 de outubro deste ano, a variação de preços cobrados pela Petrobras foi de 1,4%, enquanto a variação dos percentuais de impostos sobre os combustíveis variou 22,1% no mesmo período.

      “A grande variação de preços que aconteceu não tem ligação nenhuma com a política de preços mas com a alteração de tributos por parte do governo”, afirmou Parente.

      Plano estratégico

      Parente afirmou que a companhia espera apresentar, antes do final de dezembro, uma revisão do planejamento estratégico da companhia, lançado no ano passado. “Serão revisões pontuais”, enfatizou o executivo, destacando que a estratégia da companhia permanecerá baseada nas métricas de redução de gastos e venda de ativos.

      G1

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