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Recomposição do Bolsa Atleta em 2019 abriu portas para dez pódios no Pan de Lima

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Entre os 333 bolsistas federais no megaevento, 20 foram incluídos a partir do investimento de R$ 70 milhões do novo governo, o que beneficiou 3.142 atletas das categorias de base
Basquete feminino leva ouro no Pan-Americano

Raphaella Monteiro da Silva Foto: Pedro Ramos/ rededoesporte.gov.br

O Bolsa Atleta não é “apenas” o maior programa de patrocínio direto a atletas do mundo. Ele é sinônimo de pódios, o que ficou claro no desempenho do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Das 171 medalhas conquistadas na melhor campanha do país na história dos Jogos continentais, 141 foram arrebatadas com o “DNA” do Bolsa Atleta. Os bolsistas, se fossem uma nação “independente”, ficariam em terceiro lugar no quadro geral de medalhas do Pan de Lima, com 43 ouros, 37 pratas e 61 bronzes.

Dos 485 integrantes da delegação original do Time Brasil, 333 eram bolsistas. Entre eles, 20 são beneficiários diretos da recomposição de orçamento do Bolsa Atleta realizada pelo Ministério da Cidadania em 2019. Como parte das ações dos 100 primeiros dias do novo governo, houve um aporte de R$ 70 milhões ao programa e foi publicada, em 11 de abril, uma lista com 3.142 novos contemplados.

Nação Bolsa-Atleta

A ação reverteu o corte sofrido no fim de dezembro de 2018. A prioridade na recomposição foi para as categorias de base, como Estudantil e Nacional. Mesmo assim, a recomposição alcançou esses 20 atletas do alto rendimento que estiveram na delegação nacional em Lima. E, desse grupo, dez atletas asseguraram medalhas, cinco delas de ouro e outras cinco de bronze.

A goleira de handebol Renata Lais de Arruda, de 19 anos, brilhou com a Seleção Brasileira. O time verde e amarelo, além de subir ao topo do pódio no Peru e garantir o hexa em sequência, assegurou a vaga para as Olimpíadas de Tóquio 2020.

Além do handebol, o basquete feminino teve campanha histórica em Lima. O time venceu os Estados Unidos na final e conquistou a medalha de ouro, que não vinha em um Pan desde 1991, quando a equipe brilhou em Havana, ainda com estrelas como Hortência, Janeth e Magic Paula. No time do Brasil em Lima estavam três bolsistas que incluídas no programa em abril: Débora Fernandes da Costa, Izabella Frederico Sangalli e Raphaella Monteiro da Silva.

Renan Torres, medalha de ouro na categoria 60kg do judô no Pan-Americanos Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Quem também conquistou o ouro foi o jovem judoca Renan Torres, 20 anos, campeão na categoria até 60kg. “É um apoio fundamental. É uma ajuda muito importante na trajetória de um atleta. Faz com que você queira estar ali todo dia treinando. Espero continuar fazendo parte desse grupo até o final da minha carreira”, disse o campeão pan-americano.

As outras medalhas, de bronze, vieram com Thais Fidelis, na disputa por equipe na ginástica artística, com o remador Alef Fontoura, na prova do quatro sem, e no polo aquático, tanto com com as seleções masculina, na qual estavam os bolsistas Logan Wolverine Cabral e Rudá Franco, quanto feminina, que tinha no grupo a bolsista Samantha Rezende Ferreira.

“O Brasil avançou muito neste Pan-Americano e mostrou que nosso esporte tem força, tem pujança. E 80% dos atletas que obtiveram as medalhas têm a sua atuação garantida pelo Bolsa Atleta, que nós resgatamos este ano. O programa tinha sido cortado em mais da metade e nós, com orientação do presidente Jair Bolsonaro, recuperamos isso, e estamos ampliando inclusive. Sabemos a importância do programa para que os atletas possam se dedicar ao seu treinamento, ao seu aperfeiçoamento”, afirmou o ministro da Cidadania, Osmar Terra.

Apoio fundamental

Representantes do rúgbi de 7, Rafaela Zanellato e Eshyllen Cardoso integram o time dos que foram incluídos na lista de abril. Em Lima, as duas passaram perto do pódio, que escapou na disputa do bronze. Para Rafaela, ter sido incluída no programa permitiu elevar o patamar de seus treinos e, assim, se desenvolver de modo mais eficiente. “Há um ano e meio eu comecei a jogar pela Seleção Brasileira em São Paulo e, quando me mudei, começamos a ter muitas horas de treino. Junto com essas horas a gente começou a ter a necessidade de mais materiais específicos”, recorda a jogadora.

“Isso causou um aumento no nosso orçamento muito significativo. A gente achou que não iria mais ter o Bolsa Atleta. Quando ele retornou, foi uma grande felicidade, porque faz muita diferença ter a Bolsa Atleta e ter um dinheiro a mais para a gente conseguir ter os nossos materiais. Tendo essa ajuda, a gente consegue ter uma suplementação, um material bom para treinar”, prossegue Rafaela, falando em seu nome e de sua colega de Seleção Eshyllen.

Quem também comemorou o fato de ler seu nome na lista do programa publicada em abril foi o atacante de polo aquático Rudá Franco. Integrante do time que disputou as Olimpíadas do Rio 2016 e que terminou a competição na oitava colocação, o paulista, de 33 anos, foi medalhista de bronze nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, em 2011. Em Lima, ele sonhava com a medalha de ouro, o que garantiria ao Brasil a vaga para os Jogos de Tóquio 2020, mas saiu com um novo bronze.

“Para mim foi uma grande satisfação. Eu recebia o Bolsa Atleta desde 2010 e ajuda muito a me manter em alto nível. No último ano, a gente tinha parado de receber por conta da falta de verba. Aí, a gente voltou a receber e foi muito bom. Fui para a Europa, consegui me manter treinando em alto nível e para a gente é extremamente importante. Nós não temos salários altos nos clubes, a Seleção hoje em dia também não paga, e então o Bolsa Atleta nos mantêm treinando”, afirma.

Caçula da delegação brasileira em Lima, a esgrimista Victoria Mayor Vizeu, 15 anos, passou a fazer parte do Bolsa Atleta pela primeira vez após a publicação da lista em abril. E os impactos na sua jovem carreira já podem ser sentidos. “O programa é muito importante para ajudar a pagar os treinamentos e também as viagens no Brasil e outras viagens internacionais para competir”, conta.

Desempenho dos contemplados pela Bolsa Atleta em abril de 2019

» Renata Lais de Arruda – handebol – ouro e vaga para Tóquio 2020
» Renan Ferreira Torres – judô – ouro
» Débora Fernandes da Costa – basquete – Ouro
» Izabella Frederico Sangalli – basquete – Ouro
» Raphaella Monteiro da Silva – basquete – Ouro
» Thais Fidelis dos Santos – ginástica artística – bronze por equipe
» Alef da Rosa Fontoura – remo – bronze na prova do Quatro Sem
» Samantha Rezende Ferreira – polo aquático – Bronze
» Logan Wolverine Cabral e Rudá Franco – polo aquático – Bronze
» Ana Paula Borgo – vôlei – 4º lugar
» Ana Luiza Sliachticas Caetano – 4º lugar por equipe no tiro com arco recurvo
» Gisele Esposito Meleti – 9º lugar por equipe no tiro com arco composto
» Daniela Cristine Lionco – ciclismo – quinta colocada na categoria Madison
» José Carlos Vendruscolo Junior – tiro esportivo – 19º no skeet 50 pratos e 23º no skeet 75 pratos
» Victoria Mayor Vizeu – esgrima – 15 anos, atleta mais jovem da delegação em Lima
» Aline Silva Rodrigues – natação – 5º nos 400m livre
» Rafaela Zanellato e Eshyllen Cardoso – rúgbi de 7 – perderam a disputa do bronze
» Robert Aguinaldo Tenorio da Silva Santos – rúgbi de 7 – perderam a disputa do bronze

*Fonte: Rede Nacional do Esporte

 

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