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Empresa prevê R$ 200 mi para produzir combustível no Ceará

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O Ceará está mais perto de produzir gasolina e óleo diesel. Com um investimento previsto de R$ 200 milhões na primeira fase de uma formuladora de combustíveis, as sócias DG Power e a suíça Mercuria Energy Trading pretendem instalar na região do Porto do Pecém uma indústria deste segmento. As obras devem ser iniciadas no início de 2019 e devem durar cerca de 18 meses. De acordo com o sócio-investidor Alexandre Gama, os recursos já estão garantidos, porém há trâmites com o governo do Estado em liberar uma retroárea do Porto para o empreendimento.

“Obviamente o investimento está atrelado à uma obtenção de uma retroárea no Porto do Pecém, próxima do píer de atracação. O investimento está dependendo da obtenção disso. A gente quer fazer esse investimento, mas a nossa trava está na indefinição da área pelo governo”, explicou.

Segundo Gama, as discussões já duram dois anos. “Estamos com recursos alocados. Eu acredito muito no Estado. É um investimento grande e nós precisamos de 70 mil metros quadrados (m²) da retroárea. O Estado tem a intenção de desenvolver o Porto, e o nosso projeto é importante. Já existe uma sinalização do governador Camilo Santana e hoje nós estamos na dependência dessa área”.

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Trâmites com o Estado

Sobre o assunto, o executivo afirma que o governo estadual ainda não deu um prazo para a definição do espaço. Entretanto, ele acredita que até o fim deste ano haja uma decisão. “A gente conta em conseguir receber neste ano efetivamente a retroárea para que possa iniciar em janeiro de 2019 os investimentos dessa primeira fase. Nós estamos falando do momento da aprovação das licenças de um projeto em termos de implantação de 18 meses para o início das atividades da formuladora. Isso é a primeira fase. Projetando uma fase de expansão, nós temos três anos subsequentes em razão da demanda”, acrescentou.

Em nota, o Porto do Pecém informou que “atendeu às demandas da DG Power e da Mercuria Energy Tranding”. “O processo continua seguindo os trâmites normais”, acrescentou sem citar prazos.

Refinaria

Gama diz que, em razão dos futuros investimentos em uma refinaria e da crescente demanda por combustíveis, escolheu o Ceará para aportar os investimentos. “Isso nos traz ao Estado porque há um potencial de crescimento de demanda por combustível. A formuladora tem uma grande sinergia com a refinaria porque a gente compra as correntes de hidrocarbonetos (produtos para fabricação de gasolina e diesel) de uma refinaria. Inicialmente, a gente vai adquirir esse produto fora do País”.

Tendo em vista uma refinaria no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), o executivo afirma que está antecipando um passo. “Claro que a refinaria no Ceará poderia ser uma das fontes de fornecimento das correntes de hidrocarboneto, mas a gente faria um projeto para a obtenção de matéria-prima fora do Brasil, sendo os Estados Unidos e a Europa os principais fornecedores desse produto”.

Na fase de construção da formuladora, haveria necessidade de gerar pelo menos 200 empregos diretos e indiretos. “Já na primeira fase de operação são cerca de 70 funcionários”, contabiliza. Segundo ele, parcerias com universidades seriam importantes para fornecer mão de obra especializada. “O ideal é que tenhamos parcerias com universidades locais. Vamos precisar de engenheiros químicos para análises de produtos finais. Isso futuramente vamos saber, mas vamos priorizar mão de obra local”.

Processo

Segundo Gama, uma formuladora de combustível funciona para a produção de gasolina A e diesel A através de mistura de correntes de hidrocarbonetos. “Ela é uma atividade subsequente ao refino em que essas correntes são necessárias para produção de gasolina e óleo diesel”.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), “o exercício da atividade de formulação de combustíveis está regulamentado pela Resolução ANP Nº 5/2012 e consiste na produção de gasolina e óleo diesel por meio de mistura mecânica de hidrocarbonetos líquidos. Refinarias e centrais de matérias-primas petroquímicas também podem exercer a atividade de formulação de combustíveis”.

Diário do Nordeste

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