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Pilotos da PM no Ceará chegam a ganhar R$ 500 por hora em voos privados feitos durante expediente

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Por Kílvia Muniz, G1 CE

Dois pilotos de helicóptero da PM do Ceará são investigados por “fazer bico”
Hora 1
Dois pilotos de helicóptero da PM do Ceará são investigados por

Dois pilotos de helicóptero da PM do Ceará são investigados por “fazer bico”

“Meu amigo ganhava 12 mil reais trabalhando para um empresário. Veio um PM e se ofereceu por 3 mil”. Essa é a realidade do mercado cearense para os pilotos civis, desde que os militares que trabalham para a Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) passaram a dominar o mercado. Segundo diversos pilotos comerciais ouvidos pela reportagem, pelo menos oito profissionais civis perderam emprego nos últimos anos.

Os pilotos civis, que vão ter a identidade preservada, afirmam que os militares cobram bem abaixo do valor do mercado porque já “têm o soldo deles como oficial e ganham muito bem”.

De acordo com o portal da transparência do Governo do Ceará, a tabela salarial dos funcionários públicos de maio deste ano mostra que o tenente-Coronel Edinardo de Lima Ferreira, investigado pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) desde dezembro do ano passado, ganha o valor bruto de R$ 12.817,92.

Já o tenente-coronel Kléber Nóbrega Vieira, também sob investigação, ganha R$ 12.835,55. Os dois pilotos da Ciopaer são suspeitos de realizarem voos particulares para empresários, no Ceará, inclusive em horário de trabalho. Os servidores públicos ainda recebem gratificação por pertencer à Ciopaer, cerca de R$ 6 mil.

Concorrência

O mercado acaba preferindo os militares por diversas razões, segundo os pilotos comerciais. “Não precisa assinar carteira, não precisa dar treinamento porque fazem na Ciopaer. Não precisam pagar revalidação da ANAC, não precisam pagar exame médico de revalidação, que é feito via Ciopaer também”, afirma um dos pilotos civis ouvidos pela reportagem.

Além disso, ele destaca que os empresários não precisam pagar hotel em viagens para o interior porque os militares “ficam em quartéis”, o que barateia o serviço.

Pilotos civis estão perdendo mercado no Ceará porque militares oferecerem o mesmo serviço a um preço menor — Foto: Agência DiárioPilotos civis estão perdendo mercado no Ceará porque militares oferecerem o mesmo serviço a um preço menor — Foto: Agência Diário

Pilotos civis estão perdendo mercado no Ceará porque militares oferecerem o mesmo serviço a um preço menor — Foto: Agência Diário

O valor cobrado pelos militares é outro aspecto do problema. A hora “freelance” para voos de helicóptero é de cerca de R$ 700. Já os militares cobram, em média, R$ 500. O salário de profissionais civis, mensal, varia de R$14 mil a R$ 16 mil. Os pilotos da Ciopaer cobrariam de R$ 3 a R$ 4 mil.

A investigação da CGD contra os oficiais militares não detalha quantas horas de voo os pilotos da Ciopaer teriam trabalhado para a iniciativa privada, mas, no caso do tenente-coronel Edinardo de Lima, a portaria publicada no Diário Oficial afirma que “a quantidade de voos privados realizados pelo militar corresponde a 80% do total de voos”.

Além disso, de acordo com o documento, o militar teria realizado nove voos particulares em 2017; 12 em 2016; e 25 voos em 2015. No caso do tenente-coronel Kléber Nóbrega, a investigação aponta indícios de atuação civil entre os anos de 2015 e 2017. A escala de serviço “choca-se em datas com diversos voos privados realizados pelo oficial, em possível detrimento ao cumprimento de operações acionadas pela Ciopaer”, explica a portaria.

“Estou sendo prejudicado porque todos os empregos disponíveis no Ceará estão sendo ocupados por militares com salários muito inferiores ao mercado, sem carteira assinada”, confirma outro profissional comercial. Ele considera a situação “uma concorrência desleal aos pilotos da aviação civil”.

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